Semente Esperança utiliza música como fortalecimento de vínculos

O som dos surdos, pandeiros, atabaques e tamborins dão o ritmo das aulas de percussão no Centro Socioeducativo Semente Esperança, que tem como proposta utilizar a música como instrumento de fortalecimento de vínculos sociais e familiares.

Todas as terças-feiras, cerca de 50 crianças e adolescentes, de 6 a 14 anos, reúnem-se para o ensaio e ainda desenvolvem a socialização e a responsabilidade. Na aula também é constituído um espaço de convivência e de formação da cidadania, além do desenvolvimento do protagonismo e da autonomia das crianças e jovens.

“Não é somente aprender o instrumento. Acredito que todos têm habilidades e com as oficinas do Programa Arte e Cultura do Semente Esperança, a criança tem oportunidade de se encaixar no que mais gosta e se desenvolver”, explicou a coordenadora e regente Priscila Graner.

Além do aprendizado de um instrumento, a música ajuda na assimilação de conteúdos trabalhados em disciplinas que exigem raciocínio lógico e concentração. “Também auxilia a coordenação motora, atenção e memorização e isso reflete na sala de aula e na vida”, garantiu o professor de percussão Wilians Rizze.

Na instituição, a valorização da autoestima dos jovens é essencial. “A partir das oficinas, os alunos passam a entender uma célula rítmica, um compasso, uma música inteira, além de aprenderem a escutar o colega e a obedecer o regente. E com todo esse conhecimento, a criança vê o quanto é capaz de se desenvolver, fazendo com que sua autoestima fique elevada. Isso faz com que esses jovens enxerguem o mundo de uma forma diferente” ressaltou Priscila.

Como iniciativa socioeducativa, a música atua como ferramenta de integração onde cada participante contribui para o cumprimento de um objetivo comum na execução de uma ação coletiva. “Também desenvolve o senso de união e fortalecimento do grupo em torno do cumprimento de metas, exercício necessário para a vida em comunidade”, complementou a assessora técnica do Departamento de Assistência Social (DAS) da FEAC, Nadir Semenzin Braga da Silva.

Oficina e apresentações

Na hora de pegar os instrumentos, as crianças e adolescentes querem mesmo é fazer barulho. Entre um som e outro, os alunos aprendem percussão de bloco, ritmos tradicionais como samba, maracatu e outros, técnicas de baquetas, manuseio dos instrumentos de mão e muito mais. “Queremos que a partir dessa iniciação, as crianças continuem seus estudos musicais e que um dia possam formar uma banda ou até mesmo ser um instrutor”, pontuou Rizze.

Há 10 anos no Semente Esperança, instituição parceira da Fundação FEAC, o educador explica que as aulas ganham adeptos todos os anos e que com as apresentações musicais, que ocorrem durante o ano, as crianças se sentem motivadas a participar das oficinas.

Para as crianças que frequentam a oficina de percussão, a diversão é garantida. “Eu me solto com as aulas, o som e a batida me deixam feliz”, falou o aluno da Escola Estadual Coriolano Monteiro, de 13 anos. Seu colega Lucas Henrique de Oliveira, 14 anos, concorda. “Faço aulas há quatro anos e não falto. Depois das apresentações que fizemos ao longo dos últimos anos, tive certeza de que quero ser músico, tocar em alguma banda. Acho que fico mais concentrado e aprendo cada vez mais”, completou.

Maria Beatriz Marques de Oliveira, 13 anos, aluna da escola Estadual Francisco Glicério, também é frequentadora assídua da oficina. “A percussão me deixa mais focada e eu sinto isso até mesmo nas aulas de matemática. Penso na batida e isso me ajuda, me inspira”, garantiu.

Os pais também aprovam o estudo da música. “Meus dois filhos fazem aula de percussão e eles melhoraram muito com relação ao comportamento. Não há mais brigas, eles são concentrados e dedicados em casa e na escola. Eu também adoro, vou nas apresentações e fico muito orgulhosa com o resultado”, constatou a agente escolar Luciana Mendes, mãe de Thiago e Yasmin.

Arte e Cultura

O Semente Esperança conta com o Programa Arte e Cultura que é composto por diversas oficinas, como percussão, coral, flauta, balé, sapateado, dança de rua, artes manuais e outras. Quando a criança entra na instituição, ela passa por todas as aulas e escolhe a que prefere. “Essa liberdade de escolha é essencial para que o jovem continue participando”, explicou a coordenadora.

“As oficinas abrem um leque de oportunidades. O fortalecimento de vínculos é um deles porque os alunos levam pra casa a arte que aprendem, os pais percebem, gostam e elogiam e isso é fundamental”, complementou Priscila.

De acordo com a regente, as apresentações colaboram ainda mais com esse fortalecimento e com a valorização da autoestima. “Os jovens se apresentam na comunidade, estão lá como artistas, são aplaudidos e ganham o respeito de todos. É o filho da comunidade empoderado e isso não tem preço!”, ressaltou.

Por meio da arte, o Semente Esperança também participa do programa FEAC Arte e Cultura (FAC), desenvolvido pelo Departamento de Assistência Social – DAS da Fundação FEAC, que tem o objetivo de valorizar e fomentar o desenvolvimento de projetos socioculturais que possibilitem a crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos o contato, a fruição e o estímulo à produção artística e cultural como instrumento de inclusão social e direito fundamental de todos os cidadãos.

“Sempre participamos do programa da FEAC e nossa ligação é muito grande. Ele proporciona às instituições participantes um suporte imenso, que vai desde o figurino até o transporte. Além disso, o programa nos lança um desafio que nos une e nos faz crescer. Os professores querem fazer o seu melhor, as crianças se sentem valorizadas e a família vê o resultado final”, enfatizou Priscila.

Saiba mais: www.sementeesperanca.org.br

Marciana em: Oficina de audiovisual para web

Depois de realizarmos algumas oficinas voltadas pra ocupação dos espaços públicos pelas meninas, agora a ideia é ocuparmos os espaços virtuais!
O objetivo da oficina é desmistificar o processo de produção audiovisual e mostrar que podemos transformar ideias em vídeos de forma simples, podendo assim, espalhar e compartilhar nossas vozes.
O processo será conduzido por Mila Coutelo, roteirista e diretora no projeto Conexões: as minas tão ligadas.

A oficina é voltada pra jovens mulheres (cis e trans)
Venham navegar com a gente!
É de graça, só chegar!

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Mais sobre o projeto:
https://www.youtube.com/watch?v=UZKNofXbYqQ

Nos acompanhem também por aqui:
https://www.facebook.com/espacomarciana/
https://espacomarciana.com/
instagram e twitter: @espacomarciana

SABOTADORES DA INFÂNCIA

E se cuidássemos da Infância conscientes de que é um tempo e um espaço que se perpetua na vida de um indivíduo? Não teríamos uma sociedade mais justa e uma nação próspera?
A luta por uma Infância digna ainda é grande e deve ser nossa prioridade absoluta. Nos dias de hoje, são vários os SABOTADORES DA INFÂNCIA. Eles vão desde fatores caracterizados pela escassez, até o outro extremo, os excessos. Para combatê-los é preciso conhecê-los.
Neste artigo foram elencados seis importantes sabotadores, leia:
http://www.educandotudomuda.com.br/sabotadores-da-infancia-da-escassez-ao-excesso/
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Quando se muda o olhar para a criança, florescem novas infâncias

A ideia de criança como alguém que “ainda será”, permanece comum nos discursos e práticas de instituições de Educação Infantil, onde muitas vezes os educadores querem controlar a experiência infantil. Na contramão a essa concepção de infância, o programa Paralapracá vem provocando as redes parceiras para um novo olhar sobre essa fase da vida, como relata uma das diretoras pedagógicas do município de Natal (RN), no relatório de avaliação externa do Programa, elaborado pela Move Social. “O Programa contribuiu para desacomodar, sensibilizar a professora, a olhar para a criança e para a sua prática. O município era um, e com o Paralapracá veio a mudança, foi incrível! Na prática, foi melhor do que na fala”.

O Paralapracá propõe o reconhecimento da criança como uma pessoa em desenvolvimento, criativa e com habilidades múltiplas. Por isso, tem como princípio práticas pedagógicas que promovam o desenvolvimento da autonomia das crianças e, para tanto, defende que as instituições de Educação Infantil sejam espaços de qualidade, ou seja, equitativos, plurais e acolhedores. Espaços nos quais as crianças possam contar com a educação e o cuidado apropriados à sua faixa etária, e em que seja respeitada a sua condição peculiar de pessoa em desenvolvimento.
  
“Quando você vê um projeto que se preocupa com o ambiente, que é vital, que ajuda a pensar em uma sala onde as crianças gostem de estar lá, isso é maravilhoso”, relata uma professora olindense. “As minhas colegas dizem que operei verdadeiro milagre na minha sala. Em 18 metros quadrados, consegui organizar os cantinhos do brinquedo, da fantasia, dos recicláveis, e isso deu ideias para outras professoras. Consegui traduzir para a prática toda a teoria”, reforça outra professora do mesmo município.

Todas as falas foram registradas no relatório de avaliação externa apresentado pela Move Social, que também identificou uma troca de experiências crescente entre as instituições. “Já recebemos visitas de vários CMEI [Centros Municipais de Educação Infantil] para troca de experiências. Há apropriação da prática”, ressalta uma das diretoras pedagógicas de Natal, para o relatório da Move Social.

Escutando as crianças

As Redes parceiras do Paralapracá também ressaltaram a escuta das crianças como uma provocação do Programa, como relataram as coordenadoras de Camaçari (BA) para o relatório da Move Social. “A professora vai para sala de aula e lá, fazendo escuta sensível das crianças descobre qual o tema da turma. Certa vez, uma criança perguntou por que quando a gente anda, a lua anda com a gente. Outro disse que quando vê o foguete passar, a lua fica parada. Outra disse que a lua a seguiu quando ela foi para a igreja. A professora perguntou: o que acham de estudarmos a lua? E nasceu o Projeto Lua. Naquele momento, Elisângela [Oliveira, coordenadora da Escola Municipal Emaús] já fazia as formações do Paralapracá, e trazia esse olhar para a escola”, disseram.

Paralapracá

O relatório apresentado pela Move Social foi referente aos resultados alcançados até 2016. A instituição é responsável pela avaliação externa do Paralapracá, uma frente de trabalho do programa Educação Infantil do Instituto C&A, realizado a partir do estabelecimento de alianças com Secretarias Municipais de Educação, selecionadas para participar da iniciativa por meio de edital e implementado em parceria técnica com a Avante – Educação e Mobilização Social.

O programa possui dois âmbitos de atuação: a formação continuada de profissionais de Educação Infantil e o acesso a materiais de uso pedagógico de qualidade, tanto para crianças quanto para professores. Integraram-se ao primeiro ciclo do programa os municípios de: Jaboatão dos Guararapes (PE), Caucaia (CE), Feira de Santana (BA), Teresina (PI) e Campina Grande (PB). Neste segundo ciclo, que corresponde ao período de 2013 a 2017, cinco municípios integram o projeto: Camaçari (BA), Maceió (AL), Maracanaú (CE), Natal (RN) e Olinda (PE).

Em 2017, o foco do programa será o fortalecimento da gestão das políticas públicas municipais de Educação Infantil, juntamente com a promoção da sustentabilidade do processo formativo inspirado no Paralapracá nas redes municipais parceiras.

Crianças e natureza, uma combinação saudável

Quem vive em grandes cidades, cercado por concreto, fumaça, espaços limitados, gente por todos os lados, sente na pele como a falta de convivência com a natureza afeta nossas vidas. Muitas vezes demoramos a perceber o estresse que isso nos causa. Respirar ar puro, sentir o cheiro de mato, da terra, ter contato com ela, com as plantas, apreciar o silêncio, contemplar a paisagem ao ar livre, todas essas pequenas grandes coisas afetam nossa saúde física, mental e emocional — e não só a nossa, de adultos, mas a das crianças também.

Os ambientes fabricados versus os naturais

Os ambientes destinados às crianças estão cada vez mais artificiais, com menos grama, terra, possibilidade de exploração de outros materiais que não os brinquedos industrializados, sem falar em árvores e plantas. Quando deixamos de oferecer diversidade no ambiente em que a criança vive, limitamos seu aprendizado, sua vivência exploratória, sua curiosidade. Há ambientes destinados às crianças com grama artificial, sintética (Sim, existe, tem como base a sílica, costuma ser colorida e não dá para fazer nada com ela), brinquedos de plástico… Perde-se a possibilidade de manipular materiais diferentes, conhecer texturas, formas e cores não artificialmente fabricadas ou pré-determinadas.

Podemos comparar um “ambiente fabricado” e um “ambiente natural”, como, por exemplo, um parque com árvores, plantas, terra, terreno irregular, raízes, brinquedos feitos com materiais diversos. O que o segundo proporciona? É um ambiente cheio de vida, de possibilidades, de exploração e que se transforma sempre. Enquanto o primeiro ambiente, que chamamos de “ambiente artificial”, é um espaço com experiências limitadas, de estímulos limitados, muitas vezes planejados, mas que não se abrem para outras possibilidades, como a contemplação, ignorando a possibilidade de troca, de interferências e de transformação que a natureza confere. Olha quantas possibilidades perdemos ao limitarmos o ambiente de brincadeira das crianças, incluindo o respeito pela natureza e o meio ambiente. Como elas aprenderão a respeitar e admirar algo que não conhecem realmente?

Os benefícios da integração com a natureza

Não é à toa que pediatras do mundo inteiro estão cada vez mais receitando clinicamente um maior contato das crianças com a natureza, que convivam com animais, coloquem os pés na terra, brinquem ao ar livre. Recentes estudos em Pediatria apontam vários benefícios na maior integração entre criança e natureza. Os benefícios da vivência de crianças na natureza são inúmeros, muitos já conhecidos e outros ainda em estudo. Entre eles estão o aumento do rendimento escolar nas escolas que investem nessa integração, o aumento da prática de atividades físicas, a diminuição de casos de bullying, o aumento da imunidade, melhoras no sono e na memória, além dos benefícios emocionais e psicológicos. A inteligência da criança se desenvolve com a experimentação, sua interação com o meio e com os outros. Garantir que essas experiências sejam ricas em estímulos é dever nosso, como adultos.

Os perigos e os sintomas de uma vida longe da natureza

A privação de natureza na vida das crianças vem sendo estudada há algum tempo e especialistas relatam que as crianças privadas deste convívio tendem a desenvolver uma série de sintomas ligados ao estilo de vida em ambientes fechados, que vão desde a alimentação, com o alto consumo de alimentos processados e industrializados, ricos em sal e conservantes, até o pouco convívio com os pais, o que implica diretamente em sintomas comportamentais e de educação (não é a quantidade de tempo de convivência com os pais a questão, e sim a qualidade dele). Além destes, sintomas como agitação (são crianças que não extravasam energias em brincadeiras ao ar livre), excesso de brincadeiras com eletrônicos, ansiedade, tendência a problemas oftalmológicos (também causados pelo excesso de tempo destinado aos eletrônicos e falta de exercícios para visão a longa distância), solidão (as crianças têm menos amigos), insônia, apatia, fadiga, aumento dos casos de deficiência de vitamina D, causados principalmente por falta de exposição ao Sol, entre outros.

Cidades verdes e futuro do planeta

A natureza proporciona trocas, compartilhamento, exercício da criatividade, atividades em grupo, coisas essenciais para a construção de uma sociedade mais saudável e feliz. As cidades com gestões mais conscientes têm buscado oferecer aos seus moradores espaços alternativos para lazer, avenidas fechadas para propiciar caminhadas, práticas esportivas e espaços para brincadeiras. O ideal é que também ocorram grandes movimentos para revitalizar praças e parques públicos para que possamos ter opções de lazer gratuitas, saudáveis e fora dos shoppings centers. Nas cidades litorâneas com abundância de recursos naturais é mais fácil promover essa integração. Já a relação criança e natureza pode ser incentivada desde muito cedo, nas viagens em família, nos passeios aos parques, nas escolhas de passeio: praça/parques x shoppings. É uma mudança de olhar, de cultura, para a preservação e restauração da saúde das gerações atuais e futuras, a fim de garantir a sobrevivência da nossa espécie e de nosso planeta.

Referências no tema Criança e Natureza

Richard Louv, jornalista e ativista: http://richardlouv.com/
Daniel Becker, pediatra: http://pediatriaintegral.com.br/
Blog Ser Criança é Natural, no site Conexão Planeta: http://conexaoplaneta.com.br/blog/category/ser-crianca-e-natural/

Fonte: Para Educar http://www.paraeducar.com.br/

O que aprendem as crianças perguntando?

O mundo, com toda a sua diversidade, é um prato cheio para os nossos olhos e curiosidades. Se nós, adultos, vivemos em busca de respostas para indagações que se constroem diariamente nessa interação com o que nos cerca, imagine só como são instigados os pequenos, que recém foram apresentados a toda essa imensidão de possibilidades?!

Uma das maneiras mais eficientes de conhecer algo que nos desperta o interesse é perguntando sobre o assunto a pessoas que julgamos ter mais propriedade e conhecimento para falar sobre ele. Os adultos de referência frequentemente se deparam com perguntas, por vezes inusitadas e até complexas de serem respondidas. Nesse momento podem surgir muitas dúvidas sobre o que responder e sobre a forma como fazê-lo, de modo a atender a demanda imediata da criança.

Ser honesto, conversar sobre os limites e até responder que não sabe é extremamente valioso e ensina meninos e meninas que ninguém tem respostas prontas para tudo, mas que podemos fazer desse espaço vazio uma ponte para o desejo de buscar novos conhecimentos. Fazer perguntas pressupõe não conhecermos todas as respostas, e aí o outro, seja ele quem for, se configura como uma peça-chave no compartilhamento dos saberes, mostrando o valor das relações e do quanto elas podem ser ricas em trocas.

Importa apenas levar em conta que nem sempre todas as perguntas exigem longas e complexas respostas; por vezes, apenas uma afirmação ou uma negação, sem detalhadas explicações, satisfazem o desejo da criança naquele momento.

Vale lembrar que as crianças perguntam não somente para explorar uma curiosidade a respeito de algo que ainda não lhes é familiar, mas também para elaborar conflitos emocionais, precisando muitas vezes repetir incessantemente alguns questionamentos, até que encontrem sentido dentro do seu campo afetivo.

Existe ainda uma função bastante interessante que surge quando os pequenos descobrem que as interrogações produzem efeitos sobre os adultos: o poder de sentir-se no controle da linguagem. Manter uma conversa por meio de uma sequência de perguntas, interromper um diálogo do qual não estão fazendo parte com alguma indagação ou até como uma forma de sedução para atrair a atenção para si mesmas – “Mamãe, posso te dar um beijo?”, “Olha, tia, eu comi tudinho, não é?”, são alguns exemplos disso.

As perguntas carregam fantasias, hipóteses, medos, intenções, e é muito valioso que os adultos tentem entender de que lugar elas surgem para melhor lidarem com elas. Desta forma, cuida-se para nem deixarem de responder, nem anteciparem respostas, permitindo que a criança continue seu processo investigativo. Se estiver satisfeita com o que lhe foi dado, irá parar com tais perguntas, se não, prosseguirá até que se aprofunde nessa busca. Perguntar nos permite aprender com o diferente e nos lança, através do desconhecido, para o novo e o que nos move.

No nosso aplicativo, Apprendendo, confira algumas dicas que envolvem situações de perguntas entre adultos e crianças. Baixe gratuitamente em seu dispositivo móvel, via Google Play ou Apple Store.

Coletivas se juntam em oficina de graffiti e fanzine para meninas

Fazendo conexões pela Zona Sul de SP dessa vez unimos forças com a Coletiva Audácia pra realizar uma troca de ideias, saberes e fazeres com as oficinas gratuitas de Fanzine + Graffiti:

Compartilhando ferramentas artísticas pras minas colocarem a mão na massa e de maneira autônoma, distribuir e disseminar suas criações e suas ideias pelo mundão! Ocupando e criando nossos espaços pela cidade.

Nos encontraremos no Bloco do Beco e depois saíremos de rolê pra revitalizar e ressignificar algum espaço e deixar nossas cores pelo bairro!

♥ Sobre a Coletiva Audácia:
Somos um coletivo formado por mulheres residentes na zona sul de São Paulo com o intuito de expandir a sororidade, o conhecimento sobre o feminismo e a visibilidade de mulheres negras e periféricas através de atividades culturais e sócio-educativas.

Nossa intenção é promover a união e ajuda mútua das mulheres para que possamos ser reconhecidas em nosso meio e ter voz parar lutarmos por nossos direitos e pelo fim da sociedade patriarcal.

O Audácia é um coletivo de auto-organização e está aberto para receber qualquer mulher que queira somar com ideias, informações, novidades, propostas, oficinas e também com abraços e bons ouvidos.

Ainda estamos em fase de construção e precisamos de muita ajuda para conseguirmos seguir com esse projeto, por isso colem, conheçam, se reconheçam e somem!

A transformação acontece quando a gente se move e juntas somos muito mais fortes!

A força feminina tá aí gente, vem ♥

página delas: https://www.facebook.com/pg/coletivoaudacia

VEEEEM!

O que as crianças podem aprender ouvindo ou lendo histórias?

Os livros de histórias integram no universo infantil um mundo mágico e instigante que pode também divertir, emocionar e desenvolver a criatividade. Além disso, ler histórias para as crianças desde cedo, favorece outras aprendizagens que atuam em diferentes campos do desenvolvimento infantil.

Quando pensamos nos textos literários, é importante lembrarmos que são construções artísticas e se as crianças interagem com eles desde pequenas ampliam seus conhecimentos estéticos e apuram suas possibilidades de apreciação. Aprendem sobre a própria cultura na qual estão imersas e sobre outras culturas e épocas também.

Ler para os bebês favorece o contato com uma linguagem distinta daquela que marca as conversas que geralmente os adultos procuram estabelecer com eles, aproximando-os do narrar. E as narrativas também precisam integrar o cotidiano dos bebês e das crianças, favorecendo a ampliação do vocabulário e o desenvolvimento da linguagem. Já quando as crianças um pouquinho maiores ouvem leituras, interagem com um contexto muito especial de uso da linguagem escrita e conseguem diferenciá-la, aos poucos, da linguagem oral, permitindo que aprendam ainda mais sobre ambas.

As poesias também podem ser lidas para as crianças, favorecendo a fruição, permitindo que vivenciem e aprendam sobre o ritmo, sobre a musicalidade presentes nesses textos, principalmente quando rimados.

O contato, desde cedo, com o universo das histórias possibilita ainda aprendizagens sobre os comportamentos leitores e sobre a participação numa comunidade de leitores, ou seja, como se manuseia um livro, como se segue a sequência das páginas – e das narrativas ou dos textos que o integram -, como se lê, o que se conversa sobre as histórias, sobre comentar e opinar também. Incentiva igualmente hábitos de leitura que, como outras formas de arte, precisam integrar a vida das crianças.

Ao lermos para as crianças também estabelecemos uma relação de proximidade, de aconchego, ampliando os vínculos afetivos entre elas e nós, adultos, seja qual for o papel que temos: cuidadores, avós, padrinhos, tios, professores etc. Esse vínculo afetivo, que se constrói desde o nascimento, é base para o desenvolvimento emocional das crianças e para a constituição de suas relações com os outros.

Ainda do ponto de vista do desenvolvimento emocional, algumas histórias, em especial os contos de fadas, permitem a interação com determinadas situações mais difíceis e complexas, envolvendo perdas, medos, abandono, os desafios de se relacionar com os outros e de superar obstáculos e até mesmo as dificuldades oriundas do próprio crescimento. É por meio dessas histórias que as crianças pequenas conseguem lidar com inúmeras situações e sentimentos gerados por elas se fortalecendo emocionalmente e aprendendo também a enfrentá-los no mundo real.

Frente a essas e outras tantas contribuições, não perca tempo: leia para as crianças com as quais você convive, converse sobre o que se lê, leve-as à bibliotecas e livrarias nas quais os livros possam ser acessados por elas, presenteai-as com livros e continue a ler para elas, mesmo que já sejam capazes de ler alguns textos sozinhas, pois isso possibilita que conheçam histórias um bocadinho mais complexas (que, por vezes, não dariam conta de ler por si mesmas mas que são totalmente capazes de compreender e de apreciar!). E aproveite cada minuto dessa interação entre a criança, as histórias e você!

No nosso aplicativo, Apprendendo, confira algumas dicas que envolvem a leitura de histórias para as crianças, acessando o ambiente “Quarto”. Baixe gratuitamente em seu dispositivo móvel, via Google Play ou Apple Store.

Questões e inquietações atuais sobre infâncias e crianças

Nos últimos anos a área da infância e os olhares para as crianças têm sido objeto de estudos, pesquisas, programas, debates e publicações. Muita informação e formação vêm sendo veiculadas, voltadas para educadores, pais, gestores e outros profissionais que lidam com crianças e com a infância nos mais diversos grupos, culturas, ambientes e situações.

Porém, inúmeras questões e dúvidas acompanham os profissionais que estão na escola, na família, nas organizações, nos espaços públicos, lúdicos e tantos outros.

Queremos ouvir suas inquietações e perguntas para, a partir dos seus depoimentos, criar canais de diálogo, reflexão e compartilhamento!

Participe desta pesquisa preenchendo o formulário a seguir: https://docs.google.com/forms/d/1RfEcts5AyBL9dLOfiJuQ7PeR5ZvD-rwoinNcKkbPkdA/edit

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Como sua cidade vai garantir os direitos da criança no Carnaval?

O Carnaval é reconhecido como uma das mais importantes manifestações da cultura brasileira e anima milhões de foliões pelo Brasil afora: somente as capitais Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo recebem mais de um milhão de turistas nesse período.

A integração de crianças aos festejos de Carnaval representa, sem dúvida, um importante meio de acesso à cultura e ao lazer, direitos garantidos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Mas o que nem sempre se enxerga, por trás de trios elétricos e carros alegóricos que dominam as avenidas, é a exploração de crianças que cresce nessa época, especialmente em decorrência do aumento dos casos de violência sexual e trabalho infantil [i].

No Carnaval, é grande o número de crianças trabalhando, a despeito da vedação ao trabalho infantil prevista no ECA: no Brasil, o trabalho só é permitido a maiores de 16 anos, sendo permitido a partir dos 14 anos somente na condição de aprendiz.

Por conta da intensa circulação de pessoas nas ruas durante o Carnaval, o trabalho infantil nessa época se concentra no mercado informal, em atividades como venda ambulante e coleta de material reciclável [ii] – duas das piores formas de trabalho infantil, conforme prevê a Convenção 182 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), incorporada ao ordenamento brasileiro pelo Decreto 6.481 de 2008 [iii].

Ainda, conforme o Sistema de Informações sobre Focos de Trabalho Infantil (SITI) [iv], ambas as atividades envolvem riscos graves, que podem ter repercussões permanentes na saúde e integridade da criança. No caso do comércio ambulante, os principais riscos são o levantamento de peso excessivo, a exposição à radiação solar e à chuva, os acidentes de trânsito e a exposição à violência, drogas e assédio sexual. Já a coleta de material reciclável, além dos riscos citados anteriormente, traz como principais perigos os acidentes com materiais cortantes e a contaminação por agentes biológicos e químicos.

As justificativas para o aumento do trabalho infantil no Carnaval são diversas. Inicialmente, há de se falar na naturalização dessa prática pela sociedade: a imagem de uma criança vendendo produtos ou recolhendo materiais nas ruas tem sido cada vez mais banalizada. Ainda, com a grande circulação de turistas, crescem as possibilidades de lucro, o que compele famílias – incluindo crianças – que estão em situação de vulnerabilidade e necessidade financeira a trabalhar. Justamente pelas diferentes causas, é fundamental que o combate ao trabalho infantil envolva políticas de conscientização social e ações de fiscalização.

Também no Carnaval, aumentam os casos de violência sexual, contrariando as disposições do ECA que criminalizam condutas atentatórias à dignidade sexual de crianças e adolescentes. A título de exemplo, somente no âmbito do apurado pela plataforma Disque 100, da Secretaria de Direitos Humanos [v], foram recebidas 4.480 denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes no primeiro trimestre de 2015 [vi] – período este que engloba o Carnaval. Em 2016, o mesmo cenário se repetiu à época do Carnaval: foram 4.953 denúncias sobre exploração e abuso sexual de crianças e adolescentes nos primeiros quatro meses do ano [vii].

A preocupação com esses casos fica ainda maior diante dos dados do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA, 2016) [viii]: 70,1% dos casos de estupro são cometidos contra crianças e adolescentes – destes, 50,7% são cometidos contra pessoas de até 13 anos. Ou seja, a violência sexual contra crianças é uma infeliz constante.

Há duas principais formas de violência sexual: o abuso, que corresponde à utilização de criança para satisfação de desejos sexuais do abusador, e a exploração sexual, que é a utilização de criança com fins comerciais e de lucro.

No Carnaval, ambos os tipos de violência sexual crescem, motivados especialmente pela naturalização desse tipo de violência – é a chamada “cultura do estupro”. Nesse sentido, é preciso lembrar dos casos de violência ocorridos no âmbito doméstico, bem como da prática de turismo sexual, ainda significativa no país [ix].

Assim, as principais estratégias para o enfrentamento da violência sexual devem prever campanhas de conscientização, prevenção e fiscalização.

Vale destacar que, em razão da hipervulnerabilidade da criança, violações de direitos sofridas durante a infância provocam graves danos e consequências para toda a vida do indivíduo, o que torna ainda mais urgente o combate ao trabalho infantil e à violência sexual.

Além da ação federal, é fundamental que as cidades criem estratégias locais para combater a violação aos direitos da criança. Pensando nisso, o projeto Prioridade Absoluta, do Instituto Alana, elaborou um modelo de pedido de informação [x], pautado pela Lei de Acesso à Informação [xi], para que cidadãos possam questionar e cobrar a Prefeitura de suas cidades sobre as ações voltadas à proteção da criança no Carnaval, bem como aos casos de trabalho infantil e violência sexual, já que a preocupação com crianças e adolescentes deve ser uma constante no planejamento estatal.

Essa mobilização já gerou os seus primeiros resultados: O Distrito Federal respondeu informando que há uma campanha planejada para o período do Carnaval e que em janeiro foi publicada uma Portaria pela Vara de Infância e Juventude, que dispõe sobre a entrada de crianças e adolescentes em bailes carnavalescos e a participação em desfiles de escolas de samba, ligas e agremiações [xii].

A campanha de Carnaval do projeto Prioridade Absoluta tem por base um pressuposto fundamental: a criança é responsabilidade de todos e qualquer violação a seus direitos deve ser combatida e não naturalizada. E é justamente isso o que garante o artigo 227 da Constituição Federal: a prioridade absoluta dos direitos da criança, a ser assegurada pelo Estado, pela família e pela sociedade. Por isso, em caso de violação aos direitos da criança, disque 100 e denuncie. É preciso o esforço de todos para que a infância seja verdadeiramente a prioridade absoluta.

i Número de denúncias de exploração contra crianças e adolescentes cresce no carnaval. Disponível em: <http://www.promenino.org.br/noticias/especiais/especial-carnaval—home-12250>. Acesso em 20 fev. 2017.
ii Parecer da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara de Deputados sobre Trabalho Infantil. Disponível em:
<http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1292487>. Acesso em 20 fev. 2017.
iii Decreto 6.481 de 2008. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/decreto/d6481.htm>. Acesso em 20 fev. 2016.
iv Disponível em: <http://sistemasiti.mte.gov.br/riscos.aspx>. Acesso em 20 jan. 2017.
v O ‘Disque 100’, também conhecido como ‘Disque Direitos Humanos’, é um serviço de atendimento telefônico gratuito, que funciona 24 horas por dia, nos sete dias da semana. As denúncias recebidas na Ouvidoria e no Disque 100 são analisadas, tratadas e encaminhadas aos órgãos responsáveis. Disponível em: <http://www.sdh.gov.br/disque-direitos-humanos/disque-direitos-humanos>. Acesso em 20 fev. 2017.
vi Disque 100: Quatro mil denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes foram registradas no primeiro trimestre de 2015. Disponível em: <http://www.sdh.gov.br/noticias/2015/maio/disque-100-quatro-mil-denuncias-de-violencia-sexual-contra-…. Acesso em 20 jan. 2017.
vii Disque 100 recebe quase cinco mil denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes nos primeiros quatro meses de 2016. Disponível em: <http://www.sdh.gov.br/noticias/2016/maio/disque-100-recebe-quase-cinco-mil-denuncias-de-violencia-se…. Acesso em 26 jan. 2017.
viii Estupro no Brasil: uma radiografia segundo os dados da Saúde (2015). Disponível em:
<http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=21849>. Acesso em 17 fev. 2017.
ix Turismo sexual estimula exploração sexual infantil no Brasil. Disponível em: <http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2010/07/100730_brasil_pedofilia_rc.shtml>. Acesso em 20 fev. 2017.
x Carnaval sem trabalho infantil e sem violência sexual. Disponível em: <http://prioridadeabsoluta.org.br/mobilizacao/carnaval-sem-trabalho-infantil-e-sem-violencia_sexual/&…. Acesso em 20 fev. 2017.
xi Lei 12.527 de 2011. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/lei/l12527.htm>. Acesso em 20 fev. 2017.
xii Distrito Federal responde advogada sobre ações de proteção à criança no carnaval. Disponível em: <http://prioridadeabsoluta.org.br/noticias/distrito-federal-responde-advogada-sobre-acoes-de-protecao…. Acesso em 20 fev. 2017.

Thaís Nascimento Dantas é Advogada do Projeto Prioridade Absoluta do Instituto Alana.
Foto: Renata Assumpção/Prioridade Absoluta