Trabalho voluntario gera satisfação e comprometimento entre família e escola

A dona de casa Kátia Regina Missio Generoso tem presença constante na Escola Estadual Prof. Luiz Gonzaga da Costa, no bairro São João em Campinas/SP. Popular entre a equipe gestora, professores, alunos e funcionários, ela ajuda na entrada e saída dos estudantes, auxilia no trabalho da cantina e faz o que mais precisar na rotina escolar. Kátia é mãe voluntária na escola há sete anos.

Frequentadora da escola desde os oito anos de idade, Kátia Generoso fez todo o ensino fundamental e médio na Luiz Gonzaga, participante da 1ª edição do projeto FEAC na Escola, que tem como objetivo contribuir para a melhoria do desempenho escolar dos alunos e a promoção de uma escolha acolhedora, estimulante e eficaz.

A escola está a cerca de 500 metros de sua casa que fica em frente aos muros desenhados e coloridos da unidade escolar, e também é onde os filhos gêmeos, Matheus e Murilo, de 16 anos, estudam e estão agora no 3º ano do ensino médio.

“Sou da família Missio, que há muitos anos mora na região do bairro São João e sempre tive um vínculo muito grande com as pessoas da escola. O tempo foi passando, vieram os filhos que foram matriculados no colégio e o vínculo se tornou maior. Quando os meninos já estudavam aqui, a escola propôs que os pais se aproximassem e participassem mais da vida escolar dos filhos, e eu topei”, contou Kátia Generoso.

Em reuniões de pais, ela ajuda na organização dos encontros e também nas festas promovidas pela escola em esporádicos fins de semana. Mas como mãe e voluntária, a gestão da escola garante que separa muito bem quando Kátia Generoso participa como mãe nas reuniões de pais e quando ela está trabalhando voluntariamente.

“A ajuda da Kátia e de outras mães é um fator muito positivo, porque ela acompanha e entende todo o processo pedagógico e de aprendizagem da escola e isso acaba ajudando no desenvolvimento dos filhos em casa. É também um prazer, porque compreendendo toda a rotina escolar, ela acaba ajudando a escola a dar certo, e consequentemente, transmite isso para os filhos, que ficam mais engajados em estudar e levar o aprendizado a sério”, avaliou a diretora da escola, Mara Cristina Spalletta Cyrino, que há 14 anos está na gestão da EE Prof Luiz Gonzaga da Costa.

Na opinião da diretora, que afirma ter um canal aberto com a comunidade, esta participação cria um vínculo de respeito entre famílias, alunos e equipe escolar. “Se a comunidade está junto com a escola fica muito mais tranquilo para enfrentar desafios e dificuldades. O benefício é duplo: para a escola que desempenha seu papel com mais satisfação e para os pais que confiam na escola”, ressaltou Mara Cyrino.

Mara tem razão em valorizar a parceria família e escola, já que esta é uma relação essencial para o desenvolvimento da aprendizagem de crianças e adolescentes. É preciso que a família esteja presente e acompanhe a rotina escolar para ajudar e monitorar a escola em sua meta de cumprir a proposta pedagógica planejada. Com uma efetiva participação, soluções para os desafios escolares podem ser criadas e assim, família e escola almejam atingir seus objetivos na formação dos alunos.

Uma maneira de ter a participação efetiva da família nas escolas é a construção de espaços escolares para a discussão de desafios, problemas e outras questões relacionadas aos alunos. “Quando falamos de família e escola, falamos de um dos grandes problemas que no Brasil ainda estamos aprendendo a enfrentar. Outros países já conseguiram entender, inclusive em termos de políticas públicas, o quanto essa parceria é fundamental, e que não se resume em chamar os pais para reuniões, festas ou para pagar um bingo na escola, mas significa chamá-los para participar dos conselhos e ouvir suas opiniões para que eles ajudem a avaliar a escola”, avaliou Luciene Tognetta, pedagoga e líder do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Moral (GEPEM) da Faculdade de Educação da Unicamp.

Respeito com afeto

Circulando pela escola, que tem cerca de 1.050 alunos matriculados no ensino fundamental, médio e Educação de Jovens e Adultos nos períodos matutino, vespertino e noturno, Kátia Generoso é sempre muito bem recebida. Logo que Ana Carolina Giacomello Magmimi, Gabriely Vitória da Silva e Anna Júlia Gonçlvez de Assis avistam a voluntária no grande pátio, as alunas do 5º ano interrompem o ensaio para a apresentação de dança que estão preparando para as comemorações do Dia da Mulher e a recebem com calorosos beijos e abraços.

“É muito legal ter a Kátia aqui. Sei que ela é mãe de dois alunos que estudam à noite. Acho importante ter os pais na escola para o desenvolvimento das crianças”, disse Anna Julia, com a sabedoria de seus 10 anos. “Ela (Kátia) pega no nosso pé e sempre pergunta se a gente está fazendo a lição, mas isso é bom, porque faz parte da nossa obrigação”, completou Ana Carolina com um tímido sorriso.

Quando está na escola, Kátia Generoso também se transforma na “tia da cantina” nos intervalos das aulas. O lugar cheio de coloridas guloseimas é concorrido pelos alunos que fazem fila para aguardar pacientemente sua vez de fazer o pedido. Com paciência, atenção e carinho, Katia atende um a um, ajudando os menores a fazer as contas que ainda são novidades em suas vidas, ou até mesmo na escolha dos produtos, quando a quantia foi juntada por dois ou três alunos que querem dividir a compra. A cantina pertence à Associação de Pais e Mestres (APM) da escola e o dinheiro arrecadado com as vendas ajuda em pequenas manutenções na escola.

“É um prazer estar na escola, ela é uma extensão da minha casa. Fui muito bem acolhida pela equipe de profissionais e também pelos alunos, todos são como uma família para mim. Acredito que este trabalho voluntário um dia vai servir para meus netos, assim como está sendo importante para meus filhos, e também para filhos de amigos meus, para pessoas que estão vindo para a escola. Essa relação mais próxima com os filhos aqui é essencial para que os pais acompanhem a rotina e o planejamento escolar para o ano todo. O filho se sente mais acolhido e seguro quando os pais estão por perto, e quando acompanhamos a vida escolar dos filhos, acabamos nos aproximando também dos amigos deles e ficando amigos de outros pais. É uma grande satisfação vê-los crescer, aprender e se desenvolver. Isso me traz uma grande felicidade e a certeza de que quero continuar fazendo este trabalho voluntário por muitos anos”, disse Kátia Generoso, que tem no olhar e no sobrenome, a generosidade de alguém que doa tempo e talento para um bem comum.

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