O que as crianças podem aprender ouvindo ou lendo histórias?

Os livros de histórias integram no universo infantil um mundo mágico e instigante que pode também divertir, emocionar e desenvolver a criatividade. Além disso, ler histórias para as crianças desde cedo, favorece outras aprendizagens que atuam em diferentes campos do desenvolvimento infantil.

Quando pensamos nos textos literários, é importante lembrarmos que são construções artísticas e se as crianças interagem com eles desde pequenas ampliam seus conhecimentos estéticos e apuram suas possibilidades de apreciação. Aprendem sobre a própria cultura na qual estão imersas e sobre outras culturas e épocas também.

Ler para os bebês favorece o contato com uma linguagem distinta daquela que marca as conversas que geralmente os adultos procuram estabelecer com eles, aproximando-os do narrar. E as narrativas também precisam integrar o cotidiano dos bebês e das crianças, favorecendo a ampliação do vocabulário e o desenvolvimento da linguagem. Já quando as crianças um pouquinho maiores ouvem leituras, interagem com um contexto muito especial de uso da linguagem escrita e conseguem diferenciá-la, aos poucos, da linguagem oral, permitindo que aprendam ainda mais sobre ambas.

As poesias também podem ser lidas para as crianças, favorecendo a fruição, permitindo que vivenciem e aprendam sobre o ritmo, sobre a musicalidade presentes nesses textos, principalmente quando rimados.

O contato, desde cedo, com o universo das histórias possibilita ainda aprendizagens sobre os comportamentos leitores e sobre a participação numa comunidade de leitores, ou seja, como se manuseia um livro, como se segue a sequência das páginas – e das narrativas ou dos textos que o integram -, como se lê, o que se conversa sobre as histórias, sobre comentar e opinar também. Incentiva igualmente hábitos de leitura que, como outras formas de arte, precisam integrar a vida das crianças.

Ao lermos para as crianças também estabelecemos uma relação de proximidade, de aconchego, ampliando os vínculos afetivos entre elas e nós, adultos, seja qual for o papel que temos: cuidadores, avós, padrinhos, tios, professores etc. Esse vínculo afetivo, que se constrói desde o nascimento, é base para o desenvolvimento emocional das crianças e para a constituição de suas relações com os outros.

Ainda do ponto de vista do desenvolvimento emocional, algumas histórias, em especial os contos de fadas, permitem a interação com determinadas situações mais difíceis e complexas, envolvendo perdas, medos, abandono, os desafios de se relacionar com os outros e de superar obstáculos e até mesmo as dificuldades oriundas do próprio crescimento. É por meio dessas histórias que as crianças pequenas conseguem lidar com inúmeras situações e sentimentos gerados por elas se fortalecendo emocionalmente e aprendendo também a enfrentá-los no mundo real.

Frente a essas e outras tantas contribuições, não perca tempo: leia para as crianças com as quais você convive, converse sobre o que se lê, leve-as à bibliotecas e livrarias nas quais os livros possam ser acessados por elas, presenteai-as com livros e continue a ler para elas, mesmo que já sejam capazes de ler alguns textos sozinhas, pois isso possibilita que conheçam histórias um bocadinho mais complexas (que, por vezes, não dariam conta de ler por si mesmas mas que são totalmente capazes de compreender e de apreciar!). E aproveite cada minuto dessa interação entre a criança, as histórias e você!

No nosso aplicativo, Apprendendo, confira algumas dicas que envolvem a leitura de histórias para as crianças, acessando o ambiente “Quarto”. Baixe gratuitamente em seu dispositivo móvel, via Google Play ou Apple Store.

Questões e inquietações atuais sobre infâncias e crianças

Nos últimos anos a área da infância e os olhares para as crianças têm sido objeto de estudos, pesquisas, programas, debates e publicações. Muita informação e formação vêm sendo veiculadas, voltadas para educadores, pais, gestores e outros profissionais que lidam com crianças e com a infância nos mais diversos grupos, culturas, ambientes e situações.

Porém, inúmeras questões e dúvidas acompanham os profissionais que estão na escola, na família, nas organizações, nos espaços públicos, lúdicos e tantos outros.

Queremos ouvir suas inquietações e perguntas para, a partir dos seus depoimentos, criar canais de diálogo, reflexão e compartilhamento!

Participe desta pesquisa preenchendo o formulário a seguir: https://docs.google.com/forms/d/1RfEcts5AyBL9dLOfiJuQ7PeR5ZvD-rwoinNcKkbPkdA/edit

Compartilhe na sua rede!

Como sua cidade vai garantir os direitos da criança no Carnaval?

O Carnaval é reconhecido como uma das mais importantes manifestações da cultura brasileira e anima milhões de foliões pelo Brasil afora: somente as capitais Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo recebem mais de um milhão de turistas nesse período.

A integração de crianças aos festejos de Carnaval representa, sem dúvida, um importante meio de acesso à cultura e ao lazer, direitos garantidos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Mas o que nem sempre se enxerga, por trás de trios elétricos e carros alegóricos que dominam as avenidas, é a exploração de crianças que cresce nessa época, especialmente em decorrência do aumento dos casos de violência sexual e trabalho infantil [i].

No Carnaval, é grande o número de crianças trabalhando, a despeito da vedação ao trabalho infantil prevista no ECA: no Brasil, o trabalho só é permitido a maiores de 16 anos, sendo permitido a partir dos 14 anos somente na condição de aprendiz.

Por conta da intensa circulação de pessoas nas ruas durante o Carnaval, o trabalho infantil nessa época se concentra no mercado informal, em atividades como venda ambulante e coleta de material reciclável [ii] – duas das piores formas de trabalho infantil, conforme prevê a Convenção 182 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), incorporada ao ordenamento brasileiro pelo Decreto 6.481 de 2008 [iii].

Ainda, conforme o Sistema de Informações sobre Focos de Trabalho Infantil (SITI) [iv], ambas as atividades envolvem riscos graves, que podem ter repercussões permanentes na saúde e integridade da criança. No caso do comércio ambulante, os principais riscos são o levantamento de peso excessivo, a exposição à radiação solar e à chuva, os acidentes de trânsito e a exposição à violência, drogas e assédio sexual. Já a coleta de material reciclável, além dos riscos citados anteriormente, traz como principais perigos os acidentes com materiais cortantes e a contaminação por agentes biológicos e químicos.

As justificativas para o aumento do trabalho infantil no Carnaval são diversas. Inicialmente, há de se falar na naturalização dessa prática pela sociedade: a imagem de uma criança vendendo produtos ou recolhendo materiais nas ruas tem sido cada vez mais banalizada. Ainda, com a grande circulação de turistas, crescem as possibilidades de lucro, o que compele famílias – incluindo crianças – que estão em situação de vulnerabilidade e necessidade financeira a trabalhar. Justamente pelas diferentes causas, é fundamental que o combate ao trabalho infantil envolva políticas de conscientização social e ações de fiscalização.

Também no Carnaval, aumentam os casos de violência sexual, contrariando as disposições do ECA que criminalizam condutas atentatórias à dignidade sexual de crianças e adolescentes. A título de exemplo, somente no âmbito do apurado pela plataforma Disque 100, da Secretaria de Direitos Humanos [v], foram recebidas 4.480 denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes no primeiro trimestre de 2015 [vi] – período este que engloba o Carnaval. Em 2016, o mesmo cenário se repetiu à época do Carnaval: foram 4.953 denúncias sobre exploração e abuso sexual de crianças e adolescentes nos primeiros quatro meses do ano [vii].

A preocupação com esses casos fica ainda maior diante dos dados do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA, 2016) [viii]: 70,1% dos casos de estupro são cometidos contra crianças e adolescentes – destes, 50,7% são cometidos contra pessoas de até 13 anos. Ou seja, a violência sexual contra crianças é uma infeliz constante.

Há duas principais formas de violência sexual: o abuso, que corresponde à utilização de criança para satisfação de desejos sexuais do abusador, e a exploração sexual, que é a utilização de criança com fins comerciais e de lucro.

No Carnaval, ambos os tipos de violência sexual crescem, motivados especialmente pela naturalização desse tipo de violência – é a chamada “cultura do estupro”. Nesse sentido, é preciso lembrar dos casos de violência ocorridos no âmbito doméstico, bem como da prática de turismo sexual, ainda significativa no país [ix].

Assim, as principais estratégias para o enfrentamento da violência sexual devem prever campanhas de conscientização, prevenção e fiscalização.

Vale destacar que, em razão da hipervulnerabilidade da criança, violações de direitos sofridas durante a infância provocam graves danos e consequências para toda a vida do indivíduo, o que torna ainda mais urgente o combate ao trabalho infantil e à violência sexual.

Além da ação federal, é fundamental que as cidades criem estratégias locais para combater a violação aos direitos da criança. Pensando nisso, o projeto Prioridade Absoluta, do Instituto Alana, elaborou um modelo de pedido de informação [x], pautado pela Lei de Acesso à Informação [xi], para que cidadãos possam questionar e cobrar a Prefeitura de suas cidades sobre as ações voltadas à proteção da criança no Carnaval, bem como aos casos de trabalho infantil e violência sexual, já que a preocupação com crianças e adolescentes deve ser uma constante no planejamento estatal.

Essa mobilização já gerou os seus primeiros resultados: O Distrito Federal respondeu informando que há uma campanha planejada para o período do Carnaval e que em janeiro foi publicada uma Portaria pela Vara de Infância e Juventude, que dispõe sobre a entrada de crianças e adolescentes em bailes carnavalescos e a participação em desfiles de escolas de samba, ligas e agremiações [xii].

A campanha de Carnaval do projeto Prioridade Absoluta tem por base um pressuposto fundamental: a criança é responsabilidade de todos e qualquer violação a seus direitos deve ser combatida e não naturalizada. E é justamente isso o que garante o artigo 227 da Constituição Federal: a prioridade absoluta dos direitos da criança, a ser assegurada pelo Estado, pela família e pela sociedade. Por isso, em caso de violação aos direitos da criança, disque 100 e denuncie. É preciso o esforço de todos para que a infância seja verdadeiramente a prioridade absoluta.

i Número de denúncias de exploração contra crianças e adolescentes cresce no carnaval. Disponível em: <http://www.promenino.org.br/noticias/especiais/especial-carnaval—home-12250>. Acesso em 20 fev. 2017.
ii Parecer da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara de Deputados sobre Trabalho Infantil. Disponível em:
<http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1292487>. Acesso em 20 fev. 2017.
iii Decreto 6.481 de 2008. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/decreto/d6481.htm>. Acesso em 20 fev. 2016.
iv Disponível em: <http://sistemasiti.mte.gov.br/riscos.aspx>. Acesso em 20 jan. 2017.
v O ‘Disque 100’, também conhecido como ‘Disque Direitos Humanos’, é um serviço de atendimento telefônico gratuito, que funciona 24 horas por dia, nos sete dias da semana. As denúncias recebidas na Ouvidoria e no Disque 100 são analisadas, tratadas e encaminhadas aos órgãos responsáveis. Disponível em: <http://www.sdh.gov.br/disque-direitos-humanos/disque-direitos-humanos>. Acesso em 20 fev. 2017.
vi Disque 100: Quatro mil denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes foram registradas no primeiro trimestre de 2015. Disponível em: <http://www.sdh.gov.br/noticias/2015/maio/disque-100-quatro-mil-denuncias-de-violencia-sexual-contra-…. Acesso em 20 jan. 2017.
vii Disque 100 recebe quase cinco mil denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes nos primeiros quatro meses de 2016. Disponível em: <http://www.sdh.gov.br/noticias/2016/maio/disque-100-recebe-quase-cinco-mil-denuncias-de-violencia-se…. Acesso em 26 jan. 2017.
viii Estupro no Brasil: uma radiografia segundo os dados da Saúde (2015). Disponível em:
<http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=21849>. Acesso em 17 fev. 2017.
ix Turismo sexual estimula exploração sexual infantil no Brasil. Disponível em: <http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2010/07/100730_brasil_pedofilia_rc.shtml>. Acesso em 20 fev. 2017.
x Carnaval sem trabalho infantil e sem violência sexual. Disponível em: <http://prioridadeabsoluta.org.br/mobilizacao/carnaval-sem-trabalho-infantil-e-sem-violencia_sexual/&…. Acesso em 20 fev. 2017.
xi Lei 12.527 de 2011. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/lei/l12527.htm>. Acesso em 20 fev. 2017.
xii Distrito Federal responde advogada sobre ações de proteção à criança no carnaval. Disponível em: <http://prioridadeabsoluta.org.br/noticias/distrito-federal-responde-advogada-sobre-acoes-de-protecao…. Acesso em 20 fev. 2017.

Thaís Nascimento Dantas é Advogada do Projeto Prioridade Absoluta do Instituto Alana.
Foto: Renata Assumpção/Prioridade Absoluta

Na Educação Infantil: a música como melodia pedagógica

Professoras do Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Profa. Antônia Fernanda Jalles, em Natal (RN), refletem sobre a importância da música no fazer pedagógico e a utilização do ambiente na promoção de aprendizagens significativas. A experiência, repleta de experimentações e ludicidade, integra a formação no eixo Assim se Faz Música, do programa Paralapracá, rendeu um registro produzido pela diretora do CMEI, e uma das responsáveis pela formação, Danielle Queiroz: 

A formação do eixo Assim se faz música foi realizada no dia 07 de outubro de 2016, tendo como participantes 16 professoras e 22 estagiárias. As responsáveis pela formação foram Danielle Queiroz (diretora pedagógica), Joraida Freitas e Cléa Alves (coordenadoras pedagógicas).

A formação foi organizada objetivando refletir acerca da importância da música na Educação Infantil, do fazer pedagógico lúdico, desafiador, musicalizado; bem como o ambiente enquanto possibilitador do fazer, por meio da diversidade musical, O evento ocorreu da seguinte forma: recepcionamos a equipe com música, ao som do violão de Sr. Gaúcho, um pai que faz show em barzinhos e eventos à noite. Temos excelente relacionamento com as famílias, e estes, sempre estão colaborando no cotidiano escolar.

Após o momento de acolhimento, convidamos o grupo para participar de uma dinâmica, que evidenciou os diversificados ritmos, como: axé, música clássica, MPB, forró, lambada, rock, ciranda. Solicitamos que circulassem, dançassem, sentissem a música, o ritmo. Em alguns momentos, orientávamos, pedindo que fechassem os olhos, se abraçassem, dançassem com pares etc. Concluímos a oficina com uma ciranda, onde utilizamos um paraquedas gigante, formando um grande círculo, movimentando-nos de acordo com os comandos da ciranda/música, até que todos ficassem embaixo do paraquedas e dessem um grande abraço coletivo.

Em seguida, solicitamos que ficassem descalços para passarmos pelo jardim sensorial gigante (temos na lateral do CMEI), até chegarmos em uma praça encantada (temos no CMEI uma praça com geladeiras e fogão com livros de literatura. Iniciamos comunicando ao grupo que iriam ouvir uma história, e durante a contação, passaríamos por uma floresta das sensações e musicalidade. Enquanto dialogávamos, explanando o que iríamos vivenciar, distribuíamos instrumentos musicais. A história contada chama-se “A floresta dos sons que encantam” (história criada pelo grupo de professores/as no momento do planeamento semanal. O critério para a construção da mesma foi ter sons da natureza-musicalidade).

No momento que íamos caminhando no jardim sensorial, o grupo se inseria dentro deste universo de imaginação, criação, ludicidade, musicalidade. Nas partes da história que falava de chuva, por exemplo, a pessoa que estava com o pau de chuva movimentava-o fazendo o barulho da chuva.

Para chegar ao destino (praça encantada), tínhamos que conseguir passar pelos desafios existentes no jardim sensorial, o qual possuía uma ponte, um lago com jacaré, animais, cachoeira etc. Ao chegarmos à praça, provocamos um diálogo acerca da importância da música, como utilizá-la, porque utilizá-la, para que, como a música está sendo trabalhada em cada sala/no CMEIAFJ. Reportamo-nos às vivências anteriores, às vivências iniciais da formação, à música na vida de cada um, sempre nos reportando aos conhecimentos teóricos já estudados anteriormente, no suporte teórico recebido dos materiais do Paralápracá. Estes nos dão a base teórica e sugestões de vivências essenciais para o aperfeiçoamento do fazer pedagógico.

Após as discussões, tivemos o intervalo musical. Enquanto acontecia o lanche, o Sr. Gaúcho enchia de magia e alegria com um show no violão. Este momento também fortaleceu ainda mais a compreensão do grupo acerca da importância de termos a parceria/vínculos com as famílias.

Dando continuidade, convidamos todos para o pátio para iniciarmos a vivência “refletindo o texto”, onde se formou cinco GT, cada um com um encaminhamento para elaborar uma ação pedagógica e apresentar para o grande grupo. Os grupos tiveram diversificados materiais e textos reflexivos acerca da importância de compreendermos como e para quê trabalhar a música com as crianças.

Em seguida, fomos para a “Disco Jalles à fantasia”. Os participantes dançaram, se divertiram, brincaram, voltaram a ser criança (foi gratificante perceber a entrega do grupo, a musicalidade/corporeidade). A música “invadiu” a alma de cada um, possibilitando a entrega de todos.

Para finalizar, convidamos o grupo para se deslocar para outro ambiente (todos resistiram e solicitaram continuar dançando na Disco Jalles. Muito legal!). Mediamos o último momento: “Avaliação tela musical”, no espaço com lembrancinhas para cada participante, convidando-os para construir uma tela musical em formato de um violão gigante. Cada participante deixou uma mensagem e ilustrou uma parte do violão, evidenciando as impressões que a formação do eixo Assim se faz música proporcionou. Observamos que o grupo conseguiu perceber a música como linguagem, expressão do povo.

_IMG_3696_

CMEI alagoano leva crianças a explorar a cidade e valoriza cultura local

_IMG_3694_

Cientes da importância dos projetos que estimulam e empoderam as crianças e aproveitam os espaços das instituições, bem como os saberes locais, para a construção de ambientes educacionais, as coordenadoras do CMEI Tobias Granja, instituição que integra a Rede Municipal de Maceió (AL), parceira do Programa Paralapracá, desenvolvem um projeto institucional de exploração da cidade e valorização da cultura local, além de transmitir valores de sustentabilidade às crianças, por meio do contato com o a degradação da lagoa do município:

PARA LEMBRAR!
“Um projeto é uma abertura para possibilidades amplas de encaminhamento e de resolução, envolvendo uma vasta gama de variáveis, de percursos imprevisíveis, imaginativos, criativos, ativos e inteligentes, acompanhados de uma grande flexibilidade de organização.”
Os projetos permitem criar, sob forma de autoria singular ou de grupo, um modo próprio para abordar ou construir uma questão e respondê-la. Proposta de trabalho com projetos possibilita momentos de autonomia e dependência do grupo, momentos de cooperação do grupo sob uma autoridade e de sociabilidade; momentos de interesse e de esforço; momentos de jogo e de trabalho como fatores que expressam a complexidade de fato educativa.” (BARBOSA, 2008)

Após leituras realizadas nos departamentos semanais, ouvimos as professoras sobre a importância de valorizar a nossa cultura, e no período da Emancipação Política de Alagoas, que acontece no dia 16 de Setembro, não queríamos que esse momento se transformasse apenas em uma data comemorativa, mas numa gama de experiências vivenciadas pelas crianças.

A professora Eunice, em conversa informal com as crianças do Jardim I (4 anos), ficou com os questionamentos e interesses sobre Alagoas. Ela falou sobre as lagoas e a degradação que vem sofrendo e afetando a vida de muitas famílias. A professora percebeu que essa seria uma excelente temática para se desenvolver um projeto, visto que as inquietações tinham sido gerais.
Ao conversar com a coordenação, pensamos em ampliar esse tema para o CMEI, desde que partisse do interesse das crianças. A partir das conversas, surgiram temas como: praias, esportes, lagoas, artesanatos, danças, agricultura e alimentação.
Em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, conseguimos um ônibus para levar as crianças até a orla de Maceió, para conhecer a praia, a lagoa, e em outro momento, conheceram o museu e a feira de artesanato.

O nosso passeio para a orla lagunar foi proveitoso, as crianças estavam ansiosas para chegar à lagoa e ainda mesmo dentro do ônibus já diziam: “já estamos chegando, né tia? Estou sentindo o cheiro da lagoa”. Ao descer do transporte, as crianças apressaram-se para chegar rápido à margem. Uns queriam tocar e sentir a água, outros queriam pular esperando a “onda”, e outros, apenas olhar.

Quando foi perguntado: “por que a lagoa tem esse cheiro?”, alguns disseram “porque tá suja e tem lixo”. Mas um pescador que estava nos acompanhando explicou sobre a maresia e junção das águas, assim, também, como a poluição sofrida e as consequências dessa agressão. Eles ouviram atentamente e pediram ao pescador para conhecer a canoa. Ele mostrou a diferença entre canoa, barco e catamarã. As crianças entraram na embarcação e algumas disseram: “não gostei da canoa ela é pequena, prefiro o catamarã, porque é alto e dá para observar toda a lagoa”.

O nosso passeio foi muito proveitoso e as crianças ao entrarem no ônibus já estavam perguntando quando voltariam, e outros diziam que tinham que cuidar para que a lagoa não morresse, o que para nós educadores, ouvir isso das crianças, já vale todo o esforço!

O que as crianças podem aprender cantando e ouvindo canções?

Os benefícios que o contato com a música pode oferecer às crianças são grandiosos. Conforme afirma a psicomotricista e pedagoga Carolina Elisabeth de Oliveira em entrevista ao Laboratório de Educação, a vivência corporal do ritmo é essencial para o desenvolvimento da linguagem, ajudando na compreensão de entonações e da musicalidade presente na fala e reproduzida posteriormente no raciocínio necessário à leitura e à escrita.

Além disso, cantar para a criança ou convidá-la a fazê-lo estimula ainda mais aspectos interessantes que contribuem para seu desenvolvimento. As palavras presentes na canção, por exemplo, ao serem ouvidas e repetidas ampliam o vocabulário e exercitam a pronúncia. Mesmo que a criança ainda não compreenda o conteúdo da música ou mesmo o significado de algumas das palavras, aos poucos se familiarizará com elas e perceberá que aparecem relacionadas a diferentes contextos.

Outra questão importante atrelada às canções, especialmente de tradição popular, diz respeito à transmissão cultural. As letras e melodias são algo construído e compartilhado socialmente; contam sobre hábitos, crenças, tradições, histórias, brincadeiras e sobre o imaginário presente em nossa cultura. Aproximar a criança desse universo é convidá-la a conhecer mais sobre si e sobre o mundo que a cerca, levantando reflexões sobre as próprias origens, pertencimento e identidade cultural.

Não podemos esquecer também, que, do ponto de vista afetivo, cantar com a criança no dia-a-dia é um hábito muito favorável. Nesse momento lúdico, ocorrem trocas de olhares e de sorrisos que fortalecem os vínculos. Além disso, as canções que acompanham situações cotidianas como a hora de dormir, das refeições e da higiene, por exemplo, apresentam a rotina numa linguagem acessível, prazerosa e consistente, o que favorece a sensação de segurança e de familiaridade aos pequenos.

Impossível esgotar a multiplicidade de contribuições advindas do cantarolar com as crianças ou da escuta de uma boa música. Aqui levantamos apenas alguns aspectos que revelam: cantar educa! Você tem incorporado essa atividade nos momentos de interação com a criança?  Que tal ter algumas ideias de como fazer isso por meio do Apprendendo, aplicativo do Toda Criança Pode Aprender?

Marciana em {Como você se vê?}

Primeira atividade do projeto Conexões: as minas tão ligadas!, realizado pelo coletivo Espaço Marciana com incentivo do edital Redes e Ruas de Cultura Digital, Inclusão e Cidadania.

Quando você pensa em alguém _TOP!, capa de revista!_,
quem vem à sua cabeça?
Uma moça gorda, magra, loira, negra, cabelo liso, enrolado, crespo…?

Vamos construir juntas uma TROCA DE IDEIAS sobre racismo, construção de identidade e afeto, pra gente poder pensar juntxs nessas perguntas e no que elas têm a ver com o nosso dia a dia?

Nesse encontro, também vamos aprender a fazer a BONECA ABAYOMI! 

~~~~~GRÁTIS!!!!~~~~~

>>> Confirme aqui presença no evento! >>> https://www.facebook.com/events/1592747887408209/

Esperamos vocês para criar e somar com a gente!