O brincar e a educação: O que a criança aprende quando brinca?

Você já parou para pensar que o brincar, ao longo de toda a infância, é responsável não somente pela diversão, mas também por inúmeras aprendizagens? Quando se pensa em brincar é fácil atrelar essa atividade às crianças e não somente porque é importante que se divirtam, mas também porque essa “diversão” é fonte de aprendizagens fundamentais que impactam no desenvolvimento infantil.

Antes de tudo, é necessário levar em conta que a brincadeira não é algo que nasce com o bebê, é algo a ser aprendido no convívio social e cultural e, de início, na interação com os pais ou cuidadores principais ou com os irmãos mais velhos. Quando oferecemos objetos e brinquedos, quando asseguramos momentos na rotina e até mesmo um espaço para o brincar e, mais ainda, quando brincamos com o bebê e com as crianças estamos ensinando essa atividade. E, em qualquer idade, é possível que aprendam a brincar e conheçam novas brincadeiras.

Brincar também favorece aprendizagens diversas e contribui para o desenvolvimento em distintos âmbitos. Quando a criança interage com outras pessoas (crianças ou adultos) ao longo de uma brincadeira, precisa aprender a cooperar, a dividir tarefas e papéis, a compartilhar um mesmo espaço ou determinados objetos, a respeitar o outro. Do mesmo modo, aprende a negociar e a construir resiliência, já que nem sempre o que ela deseja será atendido demandando ajustes e acordos.

Além disso, do ponto de vista físico e participando de brincadeiras que envolvem correr, pular, saltar, se equilibrar etc., a criança adquire maior conhecimento sobre seu próprio corpo e suas possibilidades e, ainda, aprende sobre autocontrole. Também pode ser instigada a vencer desafios ajustados às suas competências e idade, como saltar alguns degraus ou enfrentar com mais autonomia um escorregador, por exemplo. Isso certamente contribui para que aprenda sobre superação e sobre a importância de enfrentar alguns obstáculos. Sem falar, é claro, que esse tipo de brincadeira ajuda no combate à obesidade infantil.

Em situações de jogo, a criança lida com outros desafios tendo que refletir e antecipar tomadas de decisões (o que implica na construção de hipóteses e de estratégias), observar as ações dos demais jogadores e lidar com elas e compreender e atuar de acordo com as regras estabelecidas.

Quando a brincadeira envolve que se assuma os mais variados papéis (como ao brincar de casinha ou de exercitar profissões, por exemplo, ou mesmo em que se reproduzem ou criem situações envolvendo heróis, monstros, príncipes, princesas etc.), as crianças aprendem sobre o mundo social e sobre as emoções vivenciadas nas diferentes relações que se estabelecem, como ao cuidar de uma boneca, tratando-a como um bebê, ou ao realizar um “resgate” de alguém ou mesmo de um “animal”. Também as incentiva a experimentar modos diferenciados de agir, a depender do papel em questão, a enfrentar alguns medos e explicitar sentimentos. E, aqui, vale ressaltar, não estão em pauta questões de gênero, já que meninos e meninas podem – e devem! – vivenciar quaisquer papéis.

E não se pode deixar de lado a importância do brincar para a aquisição da linguagem. Ao conversar com outros – adultos ou crianças –, ao imitar papeis e usar falas emprestadas de filmes e de histórias ou observadas em situações reais, ao terem que tomar decisões, compartilhar ideias e construir a brincadeira, a linguagem oral é vivenciada e aprendida nesses e outros importantes contextos e como parte integrante da própria brincadeira.

Da mesma forma, entra em jogo a linguagem escrita, quando alguns registros – convencionais ou não – são feitos pelas crianças para nomear um espaço, identificar objetos (como quando brincam de compras e vendas), organizar listas etc. Aprendem, aqui, tanto sobre os usos da linguagem escrita como também refletem e explicitam suas próprias hipóteses sobre como se escreve.

Para nós, adultos, fica a importância de assegurar que o brincar faça parte da rotina diária das crianças e não apenas dentro de casa, mas em quaisquer espaços, inclusive ao ar livre, como em parques e praças. É por meio da brincadeira que muitas aprendizagens ocorrem ao longo de infância, aprendizagens fundamentais e insubstituíveis para o desenvolvimento das crianças.

Viste nossa plataforma: http://www.todacriancapodeaprender.org.br/ e conheça o aplicativo Apprendendo, onde você encontra algumas dicas de brincadeiras que podem ser feitas com as crianças em distintos ambientes e momentos da rotina diária, como durante o banho, por exemplo. Vale conferir! Baixe gratuitamente em seu dispositivo móvel, via Google Play ou Apple Store: http://www.apprendendo.org.br/

Brincante abre matrículas para cursos em arte-educação, dança, música e literatura brasileiras

A partir do dia 16 de janeiro, estarão abertas as matrículas para os cursos de 2017 do Instituto Brincante e até dia 19/01 há 50% de isenção na taxa de inscrição. Em nova sede no número 412 da mesma rua Purpurina, na Vila Madalena, o teatro-escola se prepara para comemorar 25 anos e reforça a vocação para a valorização da cultura brasileira em geral e a popular em particular.

Os cursos do Brincante (programação completa aqui) contemplam quatro campos artístico-culturais: Dança, Música, Arte-educação e Literatura brasileira (poesia popular). Para 2017, permanecem as atividades habituais da casa como Danças Populares Brasileiras, Danças Afro-brasileiras, Frevo e Capoeira, Pandeiro, Percussão Brasileira, Música Corporal, Histórias de Boca, Brincante para Educadores e Brincantinho. Há também novidades: Na Rima – Criação em poesia popular, ministrada por Antonio Nóbrega, Improvisação em Dança Brasileira, com Maria Eugenia Almeida, Tambores de Mão, com Matheus Prado, Formação de Novos Brincantes (duração de dois anos), com Antonio Meira e Matheus Prado e Estudos da Cultura e Música Tradicional da Infância, com Lucilene Silva.

Ao longo das mais de duas décadas de atuação, o Brincante tornou-se referência na formação de arte-educadores. Com tradição em cursos que têm como base a pesquisa aprofundada, o instituto tem tido um papel relevante na capacitação de profissionais que buscam assimilar novos repertórios de material simbólico – cantos, danças, brincadeiras, etc. – e processos educativos filtrados do mundo popular.

Além de atrair profissionais da educação, o espaço é dedicado a artistas e interessados em geral em conhecer e praticar as mais diversas manifestações populares brasileiras no campo da dança, da música, da literatura, entre outras. A ampliação da consciência cultural e social define a missão do Brincante e coloca os participantes frente a uma renovada de interpretação do cotidiano.

SERVIÇO:

Instituto Brincante – matrículas para cursos 2017
De 16 a 20/01/2017 a taxa de matrícula estará com 50% de desconto
Início das aulas: 01/02/2017

Instruções para matrículas online: http://www.institutobrincante.org.br/
Dúvidas: contato@institutobrincante.org.br ou (11) 3816-0575

Matrículas presenciais:
Rua Purpurina, 412 – Vila Madalena – São Paulo | 05435-030 – SP
Horário de Atendimento: segunda a sexta, das 9h às 13h e das 14h às 18h

Casinhas de papelão para aguçar a imaginação

Entrevista com Alice Migliorin, idealizadora do projeto.

Alice é gaúcha, mora no Rio de Janeiro há muitos anos. É formada em Química. Há 3 anos, Alice começou a costurar vestidos para meninas e a construir casinhas a partir de caixas de sapato. Todos doados para crianças em situação de vulnerabilidade social, ligadas a alguma instituição de assistência social ou crianças em situação de acolhimento.

Como surgiu a ideia da construção das casinhas. Há quanto tempo?

O Projeto “Casinhas de papelão para aguçar a imaginação” começou com a necessidade de fazer algum trabalho manual e ocupar o tempo. Sempre gostei de “construir” casas em miniatura. Antes de começar as casinhas com caixas de sapato, construí 3 casas de bonecas em escala, que apesar de lindas, são caras e não são próprias para as crianças brincarem por serem muito frágeis.

O que seria um hobby, ganhou destinatários! Para as casinhas de caixas de sapatos, minha proposta era utilizar 100% de materiais reutilizáveis. E assim, comecei a pedir caixas de sapatos em lojas, recolher retalhos de tecidos, bijuterias sem uso com as amigas e tudo que pudesse se transformar em móveis, lustres, pias…

O Projeto espera poder, além de ampliar a produção e doação das casinhas, contribuir para a reflexão sobre a importância da imaginação na infância (e porque não durante toda a vida) por meio de atividades manuais, o que inclui a confecção de brinquedos, e do brincar livre.

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As casinhas são doadas ou há venda também?

Nenhuma casinha é vendida. São todas doadas à algumas instituições que, de alguma forma, já atendem crianças em situação de vulnerabilidade social.

Que tipo de material é usado na construção das casinhas? Como são conseguidos esses materiais?

A base são caixas de sapato de mais de um tamanho. Depois, materiais como cola branca, papel de seda (reutilizado), filtro de café usado que é transformado em piso, parede, papeis diversos como sacolas de lojas com estampa interessante ou lisas, tampinha de pasta de dente, caixas de remédio, retalhos de papel de parede. Já consegui uma doação excelente de uma loja de tapetes e papel de parede de Santo André que rendeu acabamento para muitas casinhas. Enfim, a grande brincadeira é olhar para algum objeto e imaginar um uso para as casinhas. Muitas amigas, vendo as casinhas, passam a ter também esse novo olhar para os materiais descartáveis e passam a guardar para contribuir com o Projeto.

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Qual o maior desafio na construção das casinhas?

Um dos grandes desafios é a questão do espaço para armazenar todas as caixas e demais materiais doados e também por não ter um lugar reservado apenas para a produção das casinhas. Com isso, preciso organizar tudo para trabalhar e, quando paro, guardar tudo e recomeçar o processo no dia seguinte. Outro desafio é o transporte. Moro no Rio de Janeiro mas o destino das casinhas, por enquanto, tem sido instituições de São Paulo, onde mora minha filha que trabalha com Educação e como já conhecia algumas dessas instituições, foram elas as escolhidas.

Exercitar o olhar infantil é também um bom desafio. Quando estou decorando as casinhas sempre penso: está muito adulto, criança gosta de cor, estampas grandes e coloridas. Tenho adotado essa fórmula (quando consigo), mesmo fugindo de uma certa escala. Acho ótimo, para mim, exercitar o olhar infantil. Ser adulto sempre, cansa!

Além disso, há desafios de arquitetura mesmo (risos), como descobrir como não empenar o piso central, pois faço casinhas com mais de um andar.

Você já teve retorno das crianças sobre as casinhas?

Já vi algumas fotos de crianças recebendo e brincando com as casinhas e também uma demanda muito importante; elas pediram banheiro (risos). As primeiras casinhas não tinham banheiro e algumas crianças, com quem minha filha tinha contato, disseram que precisava ter banheiro. Com isso, ganhei um novo desafio: construir banheiros. Em 2016, foram todas construídas com banheiro utilizando tampinhas de garrafa e retalhos de EVA.

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O projeto conta com outros voluntários? Há ideia de formar mais pessoas para ampliar a construção de casinhas?

Não há voluntários no projeto ainda. Há as pessoas que juntam material ou lojas que doam caixas e papel de parede. Sim, seria interessante formar mais pessoas e sempre que possível trabalhar juntas, pois muitas ideias poderão surgir na troca de um grupo trabalhando com o mesmo objetivo. Além disso, é interessante ensinar mais pessoas o básico sobre a construção de casinhas apenas para que brinquem com seus filhos, netos, sobrinhos, alunos, para que construam e se divirtam juntos.

Há ideia de expandir o projeto?

Gostaríamos, além de ampliar a produção para atender mais crianças, de desenvolver bonecos para as casinhas. Ainda não conseguimos pensar nos “moradores”. Ter famílias de pano acompanhando as casinhas seria muito bom! 

Soubemos que você, além das casinhas, costura vestidos para crianças. São também doados assim como as casinhas?

Sim. Pela mesma necessidade de ocupar o tempo e as mãos e por sempre ter gostado de trabalhos manuais me ofereci para algum trabalho voluntário e fui encaminhada a um grupo de costura de uma igreja aqui do Rio, onde são confeccionados vestidos para meninas de um educandário em Itaboraí, RJ. Ano passado fizemos mais de 150 vestidos, que foram para paróquias de Campo Grande, também. Somos entre 12 a 15 pessoas.

 Além dos que costuro no grupo, costuro outros em casa que são também doados para as mesmas instituições das casinhas em São Paulo. Toda criança gosta de ganhar uma roupa nova, colorida, feita com muito capricho e carinho.

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Do que o projeto das casinhas e vestidos precisa para continuar?

As casinhas precisam de doação de materiais, principalmente retalhos de papel de parede, caixas de sapato grandes e, se alguma companhia aérea quiser ser mais flexível para liberar mais volumes para transporte das casinhas (risos), será muito bem-vinda. Seria ótimo também ter pessoas que se disponibilizassem a aprender e passar a colaborar na produção, seja da casa em si ou dos móveis.

Para os vestidos, o maior desafio é conseguir tecido, pois são caros e apesar de cada retalho ser aproveitado, não há como fazer sem cortes maiores.

Para apoiar o projeto contribuindo com materiais e como voluntário, ou ainda para aprender a construir as casinhas e seus móveis, enviar mensagem pela nossa página do Facebook https://www.facebook.com/casinhasevestidos/ ou enviar um e-mail para casinhasdepapelao.imaginacao@gmail.com.

Caixa de areia

Inspiradas pelas experiências e discussões da formação do eixo Assim se Organiza o Ambiente, a equipe do CMEI Maria Celoni Campos, de Natal (RN), município parceiro Programa Paralapracá, reavaliou seu espaço físico, a fim de aproveitar melhor cada ambiente da instituição.
Um desses locais foi um cantinho próximo ao parque, que estava “feio e sem vida”. Ele foi repensado e transformado numa caixa de areia, onde as crianças podem usufruir de deliciosos momentos de brincadeiras em contato com a natureza, além de poderem utilizar este novo espaço como meio de aprendizagens.

O Paralapracá é realizado pelo Instituto C&A, em parceria técnica com a Avante Educação e Mobilização Social.

Confira o registro: goo.gl/RU6n6w

Não ficção para crianças – a experiência da CBBC (Inglaterra)

A CBBC é o canal infantil público inglês associado à rede BBC. Junto com a Cbeebies, emissora dedicada às crianças pequenas, eles compõem a programação para crianças e adolescentes.

Kez Margrie atua como produtora executiva (Commissioning editor) no canal. Ela tem expertise em produções de TV e, desde 1999, se especializou em trabalhar com conteúdos voltados para crianças e jovens em formatos de não ficção. Ela supervisiona os projetos do canal realizados com produtoras independentes. Kez também produziu a série “My Life”, que apresenta histórias reais e cotidianas de crianças extraordinárias. Esse programa recebeu prêmios Emmy e do festival Prix Jeunesse Internacional.

Kez Margrie esteve no Brasil, no âmbito da celebração do evento comKids não ficção, que aconteceu em setembro de 2016. Clicando nos vídeos abaixo, é possível assistir alguns dos depoimentos dela, que exploram temas variados como produção, diversidade e pesquisa de público.

Evento comKids não ficção

O evento comKids não ficção aconteceu no dia 23 de setembro de 2016, no Goethe-Institut São Paulo. Dentre os principais temas tratados, estiveram a diversidade de historias e realidades infantis e o desafio de criar produções audiovisuais para crianças e jovens, os fatos da vida e do mundo, baseados nos olhares das crianças e dos adolescentes. O evento teve um dia de programação com debates, mostra e um masterclass com Kez Margrie, produtora-executiva do CBBC, (o canal infantil da rede britânica BBC) e de produções premiadas como a série “My Life”. O evento teve realização conjunta do Midiativa e do Goethe-Institut São Paulo, em parceria com a Singular Mídia & Conteúdo.

Para mais informação sobre mídia e infância, visite: www.comkids.com.br

Foto: Danila Bustamante / comKids

IDEB – Será que estamos avaliando o que realmente importa?

Hoje, no Brasil, 97% das crianças e adolescentes de 6 a 14 anos estão cursando o ensino fundamental [2]; uma conquista expressiva e relevante rumo à mitigação das desigualdades sociais que ainda observamos no país.

Para além da universalização da educação básica, há o grande desafio de aprimorar a qualidade da mesma para esses trinta e cinco milhões de crianças no ensino fundamental e nove milhões no ensino médio, que é medida hoje pelo IDEB [1]. É senso comum que precisamos avançar na qualidade da educação, no entanto não há um consenso quando o assunto é de qual qualidade estamos falando e como a medimos. Educação de qualidade seria aquela que garante que todas as crianças e adolescentes tenham a mesma proficiência em português e matemática, medida por avaliações de larga escala? Seria aquela que garante a entrega de um mesmo currículo para todos os estudantes nos quatro cantos do país? Ou seria aquela que prioriza o desenvolvimento integral e concebe a escola como um espaço de formação de cidadãos, de sujeitos de direitos e que trabalha em uma relação dialógica com a comunidade, deixando de ser um espaço de instrução fechado em si mesmo?

Apesar da enorme relevância em mapear a educação no país (incluindo o acesso à escola, números referentes à evasão, entre outros, e níveis de proficiência em leitura e matemática), os indicadores utilizados para compor os índices de qualidade da educação focam apenas nos resultados alcançados na dimensão intelectual, uma das muitas dimensões que constituem a complexidade do ser humano. Soma-se a essa visão, de certa forma reducionista, de um processo rico e cheio de nuances que é a formação de uma criança, a não contemplação do “como”, do percurso para chegar a esse resultado e ainda dos impactos dessa trajetória sobre as crianças e adolescentes.

Como diria Rubem Alves (2010, p.95) citando Gianfranco Zavalloni [3], “Quem sabe o ‘estar indo’ é mais educativo que o chegar? No ‘estar indo’ aprende-se um jeito de ser.”

Tanto tem se discutido sobre Educação integral, aquela entendida como uma educação de tempo integral que privilegia a formação integral da criança e do adolescente, pois os considera em todas as suas dimensões- intelectual, física, afetiva, social, simbólica- e que integra diversos agentes e espaços de uma comunidade, mas pouco se discute sobre como medir a qualidade da Educação com base nesses princípios. Será que provas de português, matemática e ciências dão conta de abarcar toda essa complexidade que é o desenvolvimento integral de uma criança?

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E, ainda, ao avaliar apenas um aspecto do desenvolvimento da criança e do adolescente, não reforçamos o ideal da escola tradicional que privilegia o ensinar e não o aprender, que impõe conteúdos desprovidos de significado para crianças e jovens, pois tem por principal meta o bom desempenho nas avaliações externas de larga escala (Prova Brasil, Enem etc.)?

Além do escopo reducionista dessas avaliações, enfrentamos também a falta de uma devolutiva clara a gestores escolares e professores sobre como proceder a partir dos resultados divulgados. A própria divulgação costuma ser simplista e superficial, incentivando muito mais a competição entre escolas e a ênfase no “treinamento” de estudantes, o que agrava a falta de interesse pela escola.

Segundo Gresspan, psiquiatra infantil e fundador da Zero to Three: The National Center for Infants, Toddlers and Families, a emoção é a base da construção das habilidades intelectuais, da identidade, da moral e da consciência. Afirma ainda que “as emoções possibilitam todo o pensamento criativo” e que todo aprendizado deve estar atrelado a uma experiência emocional (2009, p.40). O desenvolvimento da mente, segundo o mesmo autor, tem início com experiências emocionais sutis e não com experiências intelectuais.

Resta perguntar então: – Que tipo de experiência estamos proporcionando às nossas crianças e adolescentes nas escolas? Estamos focando na riqueza de um percurso que visa o seu desenvolvimento integral ou na limitada visão de que bons resultados em português e matemática são sinônimo de educação de qualidade?

Em tempos de muitas mudanças abruptas e com baixa participação, é urgente que se repensem os critérios que designam uma educação básica de qualidade e a sua avaliação a partir de um diálogo aberto com a sociedade; estudantes, professores, gestores, pais e especialistas. Precisamos conversar a respeito de qual qualidade estamos falando; qualidade para quem, para que, a partir de qual compreensão de infância e sob qual ótica e ideal de sociedade? Além disso, a avaliação deve ser construída pensando em uma devolutiva à sociedade, também de forma participativa, de modo a dar subsídios a mudanças qualitativas na educação.

Nessa reflexão as vozes de toda a comunidade escolar devem estar representadas. Às crianças e aos adolescentes precisamos reservar um lugar especial nesse processo para que nos contem que significados atribuem às inúmeras horas que passam na escola e como elas se integram com seus outros tempos e espaços, mas esses são assuntos para uma próxima conversa…

Referências:
ALVES, Rubem. A Pedagogia dos Caracóis. Campinas: Verus, 2010.
GREENSPAN, Stanley I. et al. A arquitetura emocional da mente. In: CAVOUKIAN, Raffi;; OLFMAN, Sharna (org.). Honrar a criança: como transformar este mundo. São Paulo: Instituto Alana, 2009.

[1] Índice de Desenvolvimento da Educação Básica
Para saber mais acesse: http://portal.inep.gov.br/web/portal-ideb/o-que-e-o-ideb
[2] http://www.observatoriodopne.org.br/metas-pne/2-ensino-fundamental/indicadores
[3] Artista plástico, escritor e diretor de escola por muitos anos. Autor de “A pedagogia do Caracol” e do Manifesto dos direitos naturais da criança.


Lisian é especialista em Infância, Educação e desenvolvimento social pelo Instituto Singularidades, pedagoga e mestre em Administração pela PUC-Rio e especialista em Educação a distância pela UCB. É pesquisadora do Mapa da Infância Brasileira e consultora em Educação.

Parquinho: espaço de alegria e encantamento

Diante da proposta de uma mudança no espaço escolar, a equipe da Escola Maria José Isidoro, do município de Maracanaú (CE), instituição que faz parte da rede parceira do #Paralapracá, Programa do Instituto C&A em parceria técnica com a Avante, planejou a implantação de um parquinho feito com pneus, com o intuito de proporcionar às crianças momentos ricos de brincadeiras, aprendizagens em um novo ambiente e fomentar sua autonomia, princípios fundamentais do #Paralapracá, além de incentivar a organização do ambiente, eixo formativo do Programa. Cleude Lima, gestora de educação, conta as etapas deste processo em seu registro. “O parquinho trouxe mais alegria e encantamento para nossas crianças, que hoje esperam ansiosas para o momento do recreio”, diz.

Conheça o registro em: goo.gl/1gs97l

Contação de história embaixo do limoeiro

Inspiradas pela formação no eixo Assim se Organiza o Ambiente, as professoras da Educação Infantil da Escola Izaulina de Castro e Silva, instituição que faz participante da rede parceira do Programa Paralapracá, do Instituto em parceria técnica com a Avante, em Olinda (PE), decidiram buscar novas utilizações para os espaços externos da unidade.
Um deles foi um liomeiro perto da escola, que virou ambiente fértil para as contações de histórias. A escolha por um local mais ventilado e em contato com a natureza tornou esse momento que as crianças tanto gostam muito mais agradável.

Conheçam o registro: goo.gl/gE1lC9

A importância do brincar

Brincar é a principal atividade da infância e faz parte de ser criança. Quando bebê é por meio da brincadeira que se explora o mundo ao seu redor, mundo este que ele passa a reconhecer e assimilar seu funcionamento.

Brincando a criança exercita também aspectos motores e sensoriais, desenvolvendo assim coordenação, noções espaciais e sociais. Todo este processo ajuda ainda o cérebro a desenvolver várias funções como falar e andar.

Por se tratar de atividade e necessidade de grande importância para o desenvolvimento infantil, a brincadeira é considerada um direito da criança. O direito a brincar está definido no artigo 31 da Convenção dos Direitos da Criança, no Estatuto da Criança e do Adolescente e no Marco Legal da Primeira Infância. Toda criança deve ter tempo livre para brincar garantido pelo Estado.

Brincar para a criança é algo natural que se desenvolve conforme ela cresce. Os tipos de brincadeiras e as formas de brincar se modificam de acordo com a etapa de desenvolvimento que a criança apresenta. E para isso acontecer é necessário que ela tenha a experiência de brincar.

Para a brincadeira espontânea, aquela em que a criança explora, exercita e apreende conhecimento, mais praticada nas etapas iniciais da infância, não há necessidade de objeto-brinquedo. A criança é capaz de transformar tudo em brinquedo. O importante é que o adulto propicie tempo, espaço e objetos que não possam oferecer perigo. Além disso, ter adultos que estimulem essa brincadeira exploratória é de grande importância.

É no ato de brincar que a criança exercita e organiza o pensamento, a noção de individualidade, a linguagem, a necessidade de perseverar, desenvolve a imaginação, entre outros aprendizados. Na brincadeira, a criança exprime seus medos, desejos e experiências. De forma simbólica, o brincar torna-se um meio de expressão. Podemos dizer que todo o aprendizado da criança passa pelo ato de brincar e que a ela aprende o tempo inteiro em que interage com o ambiente.

Para o bebê, a brincadeira é uma forma de interação do adulto com ele. O bebê sozinho ainda não é capaz de simbolizar e usar a brincadeira para isso. Logo, o brincar inicial do bebê é uma experimentação do mundo, ele manuseia objetos, joga, bate, empilha, explora o mundo de forma ainda primária condizente com a sua fase, denominada pelos especialistas de fase sensório-motora (etapa inicial do desenvolvimento cognitivo corresponde a aproximadamente os dois primeiros anos de vida).

Quando a criança começa a simbolizar, fase da brincadeira simbólica, construída gradativamente, propicia que a linguagem evolua com mais rapidez. Desta forma, a linguagem influencia na evolução da brincadeira e a brincadeira auxilia na evolução da linguagem.

Por todos esses motivos, e são realmente muitos, a brincadeira é fundamental para o desenvolvimento integral de todas as crianças. Por meio da brincadeira redes de neurônios se conectam aprimorando a capacidade cognitiva. Uma criança que não brinca, por causas que merecem investigação minuciosa, pode ter seu desenvolvimento comprometido.

Na dúvida de como lidar com alguma dificuldade em relação ao ato de brincar de uma criança (ou se ela não brinca), é importante que se procure um profissional capacitado, como um psicólogo ou um pedagogo, para uma orientação específica.

Fonte: Para Educar http://www.paraeducar.com.br/

Brincar também educa: entenda as potencialidades do brincar

O brincar, ao longo de toda a infância, não representa apenas momentos de diversão, mas também de inúmeras aprendizagens. Quando se pensa em brincar é fácil atrelar essa atividade às crianças e não somente porque é importante que se divirtam, mas também porque essa “diversão” é fonte de aprendizagens fundamentais que impactam no desenvolvimento infantil.

Antes de tudo, é necessário levar em conta que a brincadeira não é algo que nasce com o bebê, é algo a ser aprendido no convívio social e cultural e, de início, na interação com os pais ou cuidadores principais ou com os irmãos mais velhos. Quando oferecemos objetos e brinquedos, quando asseguramos momentos na rotina e até mesmo um espaço para o brincar e, mais ainda, quando brincamos com o bebê e com as crianças estamos ensinando essa atividade. E, em qualquer idade, é possível que aprendam a brincar e conheçam novas brincadeiras.

Brincar também favorece aprendizagens diversas e contribui para o desenvolvimento em distintos âmbitos. Quando a criança interage com outras pessoas (crianças ou adultos) ao longo de uma brincadeira, precisa aprender a cooperar, a dividir tarefas e papéis, a compartilhar um mesmo espaço ou determinados objetos, a respeitar o outro. Do mesmo modo, aprende a negociar e a construir resiliência, já que nem sempre o que ela deseja será atendido demandando ajustes e acordos.

Além disso, do ponto de vista físico e participando de brincadeiras que envolvem correr, pular, saltar, se equilibrar etc., a criança adquire maior conhecimento sobre seu próprio corpo e suas possibilidades e, ainda, aprende sobre autocontrole. Também pode ser instigada a vencer desafios ajustados às suas competências e idade, como saltar alguns degraus ou enfrentar com mais autonomia um escorregador, por exemplo. Isso certamente contribui para que aprenda sobre superação e sobre a importância de enfrentar alguns obstáculos. Sem falar, é claro, que esse tipo de brincadeira ajuda no combate à obesidade infantil.

Em situações de jogo, a criança lida com outros desafios tendo que refletir e antecipar tomadas de decisões (o que implica na construção de hipóteses e de estratégias), observar as ações dos demais jogadores e lidar com elas e compreender e atuar de acordo com as regras estabelecidas.

Quando a brincadeira envolve que se assuma os mais variados papéis (como ao brincar de casinha ou de exercitar profissões, por exemplo, ou mesmo em que se reproduzem ou criem situações envolvendo heróis, monstros, príncipes, princesas etc.), as crianças aprendem sobre o mundo social e sobre as emoções vivenciadas nas diferentes relações que se estabelecem, como ao cuidar de uma boneca, tratando-a como um bebê, ou ao realizar um “resgate” de alguém ou mesmo de um “animal”. Também as incentiva a experimentar modos diferenciados de agir, a depender do papel em questão, a enfrentar alguns medos e explicitar sentimentos. E, aqui, vale ressaltar, não estão em pauta questões de gênero, já que meninos e meninas podem – e devem! – vivenciar quaisquer papéis.

E não se pode deixar de lado a importância do brincar para a aquisição da linguagem. Ao conversar com outros – adultos ou crianças –, ao imitar papeis e usar falas emprestadas de filmes e de histórias ou observadas em situações reais, ao terem que tomar decisões, compartilhar ideias e construir a brincadeira, a linguagem oral é vivenciada e aprendida nesses e outros importantes contextos e como parte integrante da própria brincadeira.

Da mesma forma, entra em jogo a linguagem escrita, quando alguns registros – convencionais ou não – são feitos pelas crianças para nomear um espaço, identificar objetos (como quando brincam de compras e vendas), organizar listas etc. Aprendem, aqui, tanto sobre os usos da linguagem escrita como também refletem e explicitam suas próprias hipóteses sobre como se escreve.

Para nós, adultos, fica a importância de assegurar que o brincar faça parte da rotina diária das crianças e não apenas dentro de casa, mas em quaisquer espaços, inclusive ao ar livre, como em parques e praças. É por meio da brincadeira que muitas aprendizagens ocorrem ao longo de infância, aprendizagens fundamentais e insubstituíveis para o desenvolvimento das crianças.

http://www.todacriancapodeaprender.org.br/