Passeio cultural pelo Cinturão Verde

Nada melhor do que o contato com o meio ambiente, para proporcionar uma aprendizagem significativa às crianças. Pensando nisso, a equipe pedagógica do Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Ruth Braga Quintela, localizado em Maceió (AL), realizou um passeio cultural no Cinturão Verde da Braskem, um parque ecológico de recuperação de área degradada, pioneiro no país. Lá, as crianças fizeram uma trilha ecológica, onde tiveram contato com pavão, coelho e outros bichos, além de árvores diversas. Acompanhadas de um guia, que respondia às suas curiosidades, elas aprenderam a como cuidar do meio ambiente e entenderam melhor como vivem alguns animais.

Confira o registro em: goo.gl/G2pmpp

A Rede Municipal de Maceió é parceira do Programa Paralapracá no ciclo II (2013 a 2017), cuja tecnologia social, desenvolvida a partir da parceria técnica com o Instituto C&A, transferida para a #AvanteEducaçãoeMobilizaçãoSocial, passou a integrar o Guia de Tecnologias Educacionais do Ministério da Educação (MEC/2015), conferindo a um NOTÓRIO SABER à Avante na formação continuada de profissionais de Educação Infantil. O Programa, então, ganha um novo formato – programa #ParalapracáBrasil (conheça os detalhes e saiba como participar: http://paralapraca.org.br/participe/ /).

As Crianças e os Novos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável

Objetivo
Este encontro terá como objetivo principal trazer para o debate de pessoas e organizações, de caráter público ou privado, as diferentes possibilidades para a implementação dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – ONU (ODS) e suas metas, com foco na criança visando efetivar o direito de brincar como elemento catalisador para que os ODS em destaque possam ser plenamente alcançados.

Público
Profissionais e estudantes das áreas de: educação, saúde, arquitetura e urbanismo, esportes e lazer, cultura, assistência social, justiça e cidadania, meio ambiente; gestores públicos; gestores corporativos; jornalistas e comunicadores, preocupados com a temática; pais e demais pessoas interessadas.

Realização
IPA Brasil Associação Brasileira Pelo Direito de Brincar e à Cultura

Co- realização
Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza

Patrocínio
terre des hommes – Alemanha
Itaú Social
Museu da Imaginação

Apoio
Instituto Alana
Instituto Árvores Vivas
Secretaria da Casa Civil do Governo do Estado de São Paulo – Assessoria
Especial para Assuntos Internacionais
Secretaria Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo
Secretaria da Justiça e Defesa da Cidadania – Programa CIC
Universidade Presbiteriana Mackenzie
Rede Nacional Primeira Infância
MIB Mapa da Infância Brasileira
Red OCARA

Para inscrições, acesse: http://migre.me/v94Q0

A programação completa pode ser acessada em anexo.

Encontro com as Infâncias: Transformação

As diversas formas de aprendizagens e mudanças em curso, sintonizadas com os novos tempos: a criatividade de propostas e caminhos que vêm sendo desenvolvidos e colaborando com mudanças na vida de inúmeras crianças.

Dia: 26 de novembro de 2016, sábado
Horário: 9h às 12h30
Local: Sede da UMAPAZ – Parque Ibirapuera. Av. Quarto Centenário, 1268.
Pedestres: Portão 7A.
Estacionamento: Portão 7 da Av. República do Líbano (Zona Azul).

Para inscrição, acesse aqui.

Participantes da roda:
Camilla Guimarães (Colégio Equipe / Escolas Transformadoras)
Patricia Pecoraro (Brinquedoteca GRAACC)
Reinaldo Nascimento (Pedagogia da Emergência)

Mediação: Ana Karlik (Psicanalista)

Perfil dos convidados:

Camilla Guimarães
Psicóloga, com formação em magistério pelo CEVEC, cursando especialização em Práticas Inclusivas e Gestão de Diferenças no Instituto Singularidades. Atua como professora de educação e ensino fundamental I e já atuou também como acompanhante de crianças em contexto de inclusão dentro da escola regular.

Patrícia Pecoraro
Educadora, especialista em Literatura Infantil. Trabalhou com crianças de 0 a 14 anos no Colégio Gávea – São Paulo. Em 1992 participou da criação do GRAACC / IOP / UNIFESP como voluntária e Contadora de Histórias, desenvolvendo trabalho paralelo de captação de recursos. Em 1995 apresentou o projeto Brinquedoteca Terapêutica para o Instituto Ayrton Senna e, foi contratada como coordenadora. Coordena a equipe de profissionais, voluntários e estagiários da Brinquedoteca e articula as atividades de diversas ONGs dentro dela.

Reinaldo Nascimento
Terapeuta social e educador físico, faz parte do time internacional de Pedagogia de Emergência, junto do qual já participou de várias intervenções ao redor do mundo: Quênia (2012), Líbano e Filipinas (2013), Curdistão-Iraque (2014 , 2015 e 2016), Faixa de Gaza (2014), Nepal (2015) e Equador (2016). Trabalha na formação de professores e educadores em diversos países e no contato com organizações locais que se interessam pelo tema.

Ana Karlik
Psicóloga pela PUC SP e psicanalista pelo Instituto Sedes Sapientiae, onde também frequentou o departamento de psicanálise da criança. Trabalhou em instituições com educação não formal, como Familiarte, e também como acompanhante terapêutica em escola. Foi coordenadora do núcleo de pesquisa do MIB em 2015. Atualmente trabalha com crianças e jovens na CIP, além de coordenar projetos com refugiados, com crianças com câncer na Casa Hope, além de tutoria no Lar das Crianças. Atende em consultório crianças, jovens, adultos e famílias.


Sobre o Encontro com as Infâncias:

O Mapa da Infância Brasileira (MIB), em parceria com a UMAPAZ, promove a série ‘Encontros com as infâncias’. Os encontros têm por objetivo promover rodas de conversas com especialistas versados nos diversos temas pulsantes na área da infância – as chamadas ‘rotas’ na comunidade do MIB – e diálogos com o público participante. As rotas de aprendizagem e mobilização são temas emergentes e urgentes identificados pela comunidade do MIB: vozes, cidade, expressões, diversidade e transformação, temas dos cinco encontros de 2016.

Encontros com as Infâncias realizados – Assista os vídeos no canal do MIB no Youtube:
1º encontro – 19/03, sábado: Escuta de crianças e suas vozes
2º encontro – 21/05, sábado: As crianças e a cidade
3º encontro – 6/08, sábado: Expressões infantis
4º encontro – 24/9, sábado: Diversidade

Festa Rio de Chita na Praça Saens Peña

Rio de Chita é uma festa artístico-literária que ocupa o espaço público e que neste ano vai acontecer no dia 20 de novembro, de 09 às 14h na Praça Saens Peña – Tijuca. A praça, sede da nossa festa, abrigava uma antiga fábrica de Chita, tecido que hoje veste várias manifestações populares brasileiras.

A Festa da Rua é um tradicional evento artístico-cultural comunitário realizado desde 1980 pelo Tear, que a cada ano adquire uma dinâmica diferente. A sua realização é feita de forma colaborativa e solidária por uma enorme rede de arte/educadores e agentes culturais da cidade, a maioria de forma absolutamente voluntária ou tendo apenas seus custos financiados.

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PROGRAMAÇÃO INTEIRAMENTE GRATUITA

10 horas – Abertura
Mundaréu de Brincadeira e Cia. Carroça de Mamulengo

10h45
Oficinas de arte com os educadores do Tear e convidados:
Som na Lata
Lata Doida
Oficina Encontro do Charme
Dança Afro
Poesia
Brincadeiras
Lambe-Lambe do cinema da Tijuca
Poesia Concreta (técnica apagamento)
Rio Trapicheiros (canto das lavadeiras)
Feijoada dá samba
Muro Inconcreto das Inspirações
Estandarte
Estamparia de Chita
Brinquedos e Brincadeiras – MUNDARÉU DE BRINCADEIRA
Cartão Postal Tijuca Antiga
Abayomi
Stencil
Roda de Capoeira
Mestre Fuinha
Roda de Chita
Dandalua e Caxambu do Salgueiro
Roda de Samba
Som das Comunidades e Mulheres de Chico
Intervenções

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Espaço Literário com:
Troco Histórias Por Poemas
Pé de Livro
Biblioteca Casa Branca: Ana Beatriz, Taissa e Verônica Marcílio
Biblioteca Mangueira: Kelly e Mariele Nunes
Biblioteca Salgueiro: Denise Vieira
Biblioteca Chácara do Céu: Ana Beatriz e Silvia

Convidados:
Barracão da Poti

13h30
Encerramento RioJaneirices – Cia Folclórica

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Confirme sua presença no evento: https://www.facebook.com/events/1809286835951565/
Vídeo Festa Rio de Chita https://youtu.be/q6ucaqrJbTc
Conheça da história das Festas da Rua do Tear: http://institutotear.org.br/post-numero-2/
35 anos de Festa da Rua do Tear https://www.youtube.com/watch?v=iLQhb-T77Bs

(em caso de chuva a Festa será adiada para o próximo domingo, dia 27 de Novembro)

Como se dá o início do raciocínio matemático na infância?

Tendemos a pensar que alguns conhecimentos complexos, como os matemáticos, são desenvolvidos pelas crianças apenas a partir de atividades escolares direcionadas. Entretanto, antes mesmo de entrar na escola, os pequenos já começam a elaborar certas compreensões a partir do que observam, vivenciam e experimentam. Isso dará base e auxiliará para que posteriormente possam entrar em contato com raciocínios mais elaborados.

Como será que se dá a aprendizagem dos rudimentos da matemática em crianças muito pequenas? De que forma podemos favorecer esse processo? O professor Jeff Bisanz, da Universidade de Alberta no Canadá, realizou diversas pesquisas sobre o tema e algumas das informações que obteve foram divulgadas pela Enciclopédia sobre o Desenvolvimento na Primeira Infância. Veja a seguir algumas delas:

-Aos 6 meses: Nessa fase, as crianças gradualmente conseguem perceber a diferença entre pequenos conjuntos de elementos com quantidades diferentes (por exemplo, um pote com 2 e outro com 3 morangos colocados lado a lado). Também são capazes de distinguir conjuntos com maior quantidade de objetos, caso a diferença entre os agrupamentos seja significativa (por exemplo, um recipiente com 16 bolinhas de gude e outro com 32).

-A partir de 3 anos: Nesse momento, as crianças são capazes de contar até 10 de forma cada vez mais autônoma. Elas conseguirão, aos poucos, utilizar esse conhecimento para contar quantos objetos existem em uma determinada situação. Convidá-las a fazer esse exercício de forma descontraída é uma forma de ajudá-las a dominar cada vez mais essa habilidade. Isso também favorece que compreendam de forma cada vez mais consistente o significado dos números (por exemplo, a noção de que 4 é sempre mais do que 2 e 5 é sempre menos do que 6 quando pensamos em quantidade de elementos).

-Aos 6 anos: Nessa idade, as crianças já conseguem contar com maior habilidade, chegando a quantidades maiores. Já começam a compreender de forma mais desenvolta as relações entre quantidades diferentes e o significado dos números. Podem chegar a fazer somas e subtrações simples.

É importante que os adultos favoreçam oportunidades de a criança explorar o raciocínio matemático de forma natural e lúdica. Isso fortalecerá seu interesse pelo assunto, permitindo também uma compreensão dos contextos em que a matemática está presente na rotina. Algumas possibilidades interessantes com esse intuito, apontadas por Jeff, são jogos de tabuleiro, brincadeiras com cubos, dados e quebra-cabeças, contar objetos, figuras ou partes do corpo junto com a criança de forma divertida e utilizar linguagens como a arte e a música para lidar com quantidades (por exemplo: desafiar a criança a desenhar 3 laranjas e 1 maçã ou batucar um tambor num determinado ritmo).

Além das situações citadas pelo pesquisador, outras investigações apontam que as crianças pequenas também aprendem, desde cedo, os diferentes contextos em que os numerais aparecem socialmente, nem sempre representando quantidades, como no caso de números de telefone. Com pequenas ajudas, avançam na contagem de objetos (por exemplo, conforme lhes oferecemos os chamados “marcos”, 10, 20, 30 etc., as crianças, de posse dessa informação, conseguem seguir contando: “31, 32, 33…” e aprendem sobre as regularidades ali presentes). Por volta dos 5, 6 anos, são ainda capazes de multiplicar e dividir, lidando com quantidades menores e não de forma convencional, mas a partir de suas próprias estratégias.

Vale ressaltar que quanto mais oportunidades a criança tiver de entrar em contato com a linguagem matemática espontaneamente antes da idade escolar, mais fortalecida ficará a sua base para desenvolver raciocínios complexos nessa área do conhecimento posteriormente. Infelizmente, nem todas as crianças têm a mesma chance de experienciar situações favoráveis nesse sentido e isso gera diferenças significativas em seu ponto de partida quando chegam à idade escolar.

Para saber mais sobre o assunto, acesse o artigo completo clicando aqui!

http://www.todacriancapodeaprender.org.br/

BRINCANDO COM OS QUATRO ELEMENTOS DA NATUREZA

Brincar é coisa séria! Brincar é o ofício natural da criança. Brincar livre na natureza possibilita a organização interna da criança.
O contato com a natureza promove o desenvolvimento saudável, a criatividade e imaginação infantil. Há infinitas possibilidades de brincadeiras com a terra, água, ar e fogo, elementos vitais que expõe a criança a processos vivos. A qualidade deste brincar é rica e traz inúmeros benefícios. Descubra e explore um montão de brincadeiras gostosas.

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Acesse: http://www.educandotudomuda.com.br/brincando-com-os-quatro-elementos-da-natureza/

Criar, amar e brincar

Introdução

O presente relatório foi desenvolvido pela equipe de pesquisas do Mapa da Infância Brasileira – MIB – como forma de dialogar com os profissionais que atuam no Cadê Bebê, iniciativa com a qual fizemos acordo de cooperação para observar e ouvir crianças, pais, cuidadores e educadores participantes do projeto e conhecer assim, mais profundamente, como elas se expressam no cotidiano do espaço de brincar.

Objetivo

Esta pesquisa tem como objetivos principais:
– observar, ouvir e conhecer o cotidiano e as diversas atividades espontâneas das crianças do Cadê Bebê;
– compreender e conhecer suas preferências, interesses, potenciais, desejos, medos, entre outros;
– realizar observação focada na realidade compartilhada e vivida com algumas crianças, a partir dos seus próprios olhares e expressões.

Instrumentos de pesquisa utilizados

Para realizar a pesquisa junto às crianças e educadores utilizamos o processo de escuta lúdica VIB – Vozes da Infância Brasileira – criado pela equipe do Mapa da Infância Brasileira, que consiste em observações, criação de vínculos, diálogos e registros das expressões das crianças.

A – Iniciativa pesquisada

O Cadê Bebê nasceu do desejo de duas profissionais da área da saúde de se juntarem, guiadas pelo objetivo comum de querer disseminar a brincadeira e também de possuir um olhar muito atento para a primeira infância e para as relações familiares. Por cerca de três anos, elaboraram um projeto especial com dedicação e estudo, para oferecer serviços de qualidade e especificidade.

O espaço Cadê Bebê está localizado em um bairro de classe média alta, no Itaim Bibi, na cidade de São Paulo.

Uma iniciativa criada para que as crianças, e todos aqueles que as acompanham, desfrutem de um espaço para criar, amar, se desenvolver, explorar e brincar ao longo dos primeiros anos de vida, nos quais tudo está em construção.

A proposta visa oferecer à criança a possibilidade de ser protagonista, investigadora, capaz de descobrir os significados das novas relações e de perceber o seu potencial de ação e pensamento.

Para os pais, é uma oportunidade de descobrirem novos olhares para o brincar e também sobre a maternidade e a paternidade: formar vínculos, trocar experiências, ou simplesmente “estar”.

Desde a gestação até os seis anos de idade, cada família pode frequentar o Cadê Bebê como e quando desejar, de acordo com sua dinâmica e possibilidades. Bebês e crianças de até três anos devem estar sempre acompanhados dos seus pais ou de uma pessoa de referência (vovó, titia, babá…). Respeitar esse tempo permite que a separação não seja mais vivida como perda, e sim como um ganho em direção à autonomia. A brincadeira pode ser livre ou por meio de oficinas dirigidas, como arte, música, dança, capoeira, circo, jardinagem, marcenaria e muito mais. Desta forma, asseguram o respeito à criança, ao desejo e ao tempo do seu brincar.

Os pais ainda contam com aulas para gestantes, workshops e palestras, além de um delicioso café, onde é possível descansar ou trabalhar à vontade enquanto as crianças brincam.

No percurso da instituição, as criadoras pesquisaram e estudaram algumas práticas e teorias com a intenção de criar um diálogo entre elas, disseminá-las e adaptá-las à nossa realidade brasileira, para sustentar, embasar e dar contorno ao projeto.

São elas:

LA MAISON VERTE: criada pela psicanalista francesa Françoise Dolto, a Maison Verte é um projeto sensível de escuta e acolhimento, cujo modelo foi reproduzido em diversas partes da França e da Europa.

REGGIO EMILIA: proposta pedagógica criada por Loris Malaguzzi, professor e pedagogo que traz em seu projeto uma visão única sobre a infância, a educação, e suas relações com o mundo, que valoriza e observa as diferentes maneiras que cada criança tem de interpretar e criar teorias sobre o funcionamento do mundo. Uma proposta repleta de arte, criatividade e respeito.

INSITUTO LÓCKZY: Emmi Pikler, pediatra húngara responsável pelo projeto, organizou o funcionamento de uma casa, que acolhia crianças que não podiam receber os cuidados de seus pais ou familiares. Um lugar onde cada criança pudesse se desenvolver da maneira mais harmoniosa possível, buscando oferecer-lhes o cuidado e o conforto semelhantes aos do seio familiar. O instituto tornou-se ambiente de investigações e observações extremamente minuciosas sobre os diferentes aspectos do desenvolvimento do bebê.

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B – Processo de Escuta Lúdica – Vozes da infância Brasileira (VIB)

Foram realizados quatro encontros para observar e interagir com bebês e crianças de zero a três anos brincando “livremente”, com pais, cuidadores e educadores em área planejada com muito carinho pelos Brincadês, uma referência aos educadores da equipe do Cadê Bebê.

O Processo de escuta lúdica aconteceu com 10 crianças de 6 meses até 3 anos.

O Cadê Bebê chama a atenção tanto das crianças quanto dos adultos. É um espaço cultural que oferece qualidade e quantidade de estímulos visuais, sonoros e exploratórios, onde as crianças têm oportunidade de vivenciar descobertas diferentes das experimentadas em casa.

Logo ao chegar, há um local para deixar sapatos e bolsas, o que sugere um ambiente seguro e de entrega para as crianças. Tirar os sapatos e sentir os pés no chão como uma permissão para quem entra, se abrir ao novo e ampliar as vivências com as crianças.

Entre os recursos disponíveis há móbiles, brinquedos artesanais em tecido, madeira e brinquedos industrializados, utensílios domésticos como panelas, tampas, conchas, etc., casinha de madeira, jogos de acoplagem e tabuleiro, piscina de bolinha, areia, escorregador, roupas, acessórios e material plástico para a expressão criativa.

Alguns bebês chegam nesse espaço confiantes, curiosos e abertos a interações e outros têm necessidade de um tempo maior para se afastar dos pais ou das babás, explorar o ambiente e se relacionar com uma variedade de estímulos e com os educadores.

Olhos atentos, ouvidos abertos, cabecinhas virando de um lado para o outro em busca de objetos, de olhares, de sorrisos, enfim, em busca de ajuda para se lançar em aventuras.

Muitas aventuras

“Antes de iniciar, a pesquisa tinha as seguintes perguntas norteadoras: Através da organização do espaço é possível transmitir qual a concepção de criança que eles acreditam? Para exploração do ambiente é necessário um adulto? Como e onde esse adulto se posiciona? Fica próximo à criança ou se acomoda a certa distância? Como se dá o momento de separação? Momento em que o bebê, muitas vezes, chega ao colo e é colocado no tatame, no espaço de brincar. O segundo momento se dá quando a criança escolhe e manipula um brinquedo, qual a postura do adulto? Ele intervém? Mostra para a criança como fazer? Faz por ela? Diz como fazer? A criança consegue brincar de maneira autônoma? O ambiente é seguro? Acolhedor? A escolha dos objetos, equipamentos e brinquedos é feita para que as crianças possam usufruir sem “ajuda”, desafios possíveis de acordo com a faixa etária? Considero de extrema importância ter brinquedos que permitam possibilidades inúmeras de uso, aonde a criança é ativa e o brinquedo passivo. A riqueza de texturas, formas, um ambiente esteticamente agradável, organizado e limpo denotam o respeito à atividade da criança. E a criança? Parece confortável? Brinca sozinha? Se concentra? Quais materiais ou ações mais lhe interessam? Tem equilíbrio? Se movimenta de maneira eficaz?
O tamanho do espaço físico e quantidade de pessoas influencia o ritmo da atividade.
O Cadê Bebê possibilita um ambiente seguro e adequado às crianças.”
(Fernanda Cury, pesquisadora do VIB).

“A primeira impressão ao adentrar o espaço foi de intensa comunicação sensorial. Percebi todos os meus sentidos aguçados e a plenitude de bem estar e encantamento. No ambiente tocava um som agradável, ao mesmo tempo em que os pés no chão permitiam a sensação de toque, leveza nas diferentes texturas e temperaturas exploradas. O olhar me conduzia para objetos, móbiles, cantos interessantes, cores intensas, brinquedos, prateleiras baixas, tecidos, educadores, crianças, vozes, balbucios, vida.” (Karina Silva, pesquisadora do VIB).

“Antônio, tem 1 ano e 1 mês, chega com a babá. Eles se sentem bem à vontade no espaço, já frequentam o Cadê Bebê há um tempo. Antônio parece um bebê saudável, bem expressivo, está começando a dar seus primeiros passos. A babá o incentiva: “Vai lá Antônio, olha o Tico[1] te chamando. “Antônio olha para a babá, olha pra o Tico, olha para mim, dá um sorriso para o Tico, parece que quer iniciar um diálogo. Fala a sua linguagem não verbal e Tico responde. Todos estão na expectativa, na torcida. Ele ameaça ir e volta. A babá continua: ”Vai Antônio, o Tico vai te dar uma surpresa se você andar até ele, o que será que é.” Nesse momento, olho para a babá com ar surpreso e penso: Que surpresa? O Tico não vai dar nada a ele. Não falo nada e Tico interfere sem falar da surpresa, só o chamando, com um sorriso no rosto, um jeito delicado, ajoelhado no chão e olhando nos seus olhos. Parece que Antônio gostou desse jeito. A mãozinha de Antônio vai soltando a da babá, ele olha para ela, como se despedindo, vai soltando aos pouquinhos, os dedos ainda se tocam, os pés bem apoiados no chão e ele solta da mão dela, se equilibra e… dá seus passinhos. Passinhos lindos, meio sem jeito, andando um pouco desengonçado, balançando de um lado para o outro, sorriso no rosto, olhos bem abertos, fixos no Tico, respiração presa e ele chega até seu objetivo. Abre um sorriso ainda maior, com ar de conquista, olha para todos como quem diz: “Consegui!” Realmente ele conseguiu, no seu tempo, quando achou que era o momento, quando se sentiu seguro e no lugar apropriado. Todos nós nos sentimos provocados por essa emoção, ficamos felizes, abrimos um sorriso e batemos palmas, o Tico dá um abraço no Antônio e eles iniciam uma brincadeira com o carrinho de imã na parede.” (Fernanda Cury, pesquisadora do VIB).

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No Cadê Bebê as crianças têm a chance de experimentar seu corpo em relação ao espaço e os objetos e seu tempo de investigação é respeitado. Um espaço que promove e estimula interação entre crianças, entre crianças e adultos e permite que os vínculos sejam fortalecidos. Possibilita trocas de experiências, saberes, brincadeiras e o reconhecimento dessa criança como indivíduo que faz parte de uma coletividade.

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Bebês e crianças seguem ritmos próprios e muitas vezes fogem do controle do adulto que os acompanha. Muitas vezes a variedade de estímulos e comandos dos adultos, tiram as crianças do seu foco de interesse e elas são atraídas por detalhes invisíveis aos olhos dos adultos. Antônio se encanta com a rodinha do mobiliário, a Bia com a chave do armário e seus mistérios gráficos e o Nunes por um pequeno parafuso da rodinha do carrinho.

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As crianças constroem, em seu tempo, uma relação afetiva com os adultos baseada em confiança, entrega e reconhecimento destes como mediadores de interesses. Nesta construção elas percebem e imitam as atitudes que valorizam nos adultos.

Bia, uma menina de dois anos estava em processo de adaptação no Cadê Bebê. No primeiro dia ela não parava de chorar e pedia pela mãe. Foi acolhida pela Cléo, a coordenadora de festas e eventos que a distraiu com as chaves do armário. Na semana seguinte, percebeu-se que Bia brincava com o Tico e com a Maria, educadores do projeto. Ao reconhecer a nossa presença, a Bia reagiu com uma careta e mostrou a língua. A atitude gerou risos de quem estava por perto. Em outro encontro a menina já se sentia mais segura em relação às pessoas do grupo de pesquisa. Cumprimentou-nos com um sorriso, interagiu com disposição, alegria e fez comidinha. Ao perceber a movimentação da máquina fotográfica que registrava as ações das crianças e dos bebês, ela não teve dúvidas: pegou a máquina de madeira disponível entre os brinquedos e fez muitos registros imaginários, imitando a ação das pesquisadoras. No último encontro, com os vínculos estreitados, ela se sentiu tão à vontade que solicitou o “caderninho”, o diário de bordo de uma das pesquisadoras e fez seus próprios registros cobrindo a folha de garatujas.

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“O encantamento é a base sobre a qual construímos o respeito por nós mesmos e pelo mundo. É esse deslumbramento que vê beleza no mundo e que nos reanima quando enfrentamos problemas e adversidades. Por isso deve ser reconhecido como experiência humana única que penetra profundamente na alma. Sem isso, a vida seria realmente medonha. Os bebês trazem o encantamento às nossas vidas e o expressam por meio da brincadeira.” Christopher Clouder e Janni Nicol.

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Brincadês

Brincadê é o nome carinhoso dado aos educadores da equipe multidisciplinar de profissionais da iniciativa. A presença deles é essencial e fazem a diferença para tornar o local um espaço propício para estimular e aguçar os sentidos das crianças; para que tenham liberdade para explorar o espaço, investigar uma variedade de materiais e construir relações de afeto.

Sempre atentos aos movimentos das crianças e prontos para orientar cuidadores e pais, eles as observam, interagem e as encorajam. Cuidadosos intermediam as situações vivenciadas entre crianças e pais ou crianças e cuidadores. Estimulam as iniciativas das crianças que têm papel ativo de acordo com suas capacidades.

“A Bia, uma menina de dois anos, chora porque ela quer encontrar o pai. O educador Tico a convida para brincar com massa de modelar. Ele senta na cadeira, enrola, amassa, faz rolar a massa pela mesa. Ela também se senta e se acalma. Permanece concentrada em enrolar, amassar e dar forma. Fica atenta ao movimento do Tico, guiada pelo educador. Ele: “Bia, parece uma minhoca?” Ela sorri e amassa, enrola o material. Percebe que eu estou perto e me dá um pequeno pedaço de massinha. Eu crio uma pequena bolinha e jogo na direção dela. Ela sorri. Tico canta a música da minhoca. Ela sorri e se empenha na manipulação da massinha. Tico inventa mágica com uma das bolinhas. Ela sorri e imita e gesto. “Apareceu! Sumiu!”, brinca Tico. Ela permanece atenta: esconder e tornar o objeto visível concentrou a criança por mais algum tempo. Bia solta com entusiasmo um “Tchanam!”. Toda vez que a bolinha reaparece ela repete o “Tchanam!”. Olha pro lado, percebe a chegada de outras crianças e vai na direção delas.” (Lindalva Souza, pesquisadora do VIB).

“Houve um momento que um bebê queria subir as escadas da casinha e a babá tirava ele de lá. Aconteceu algumas vezes até um dos Brincadês fazer uma boa intervenção e conversar com a babá dizendo para deixá-lo subir, que era importante para a criança aquela conquista, que ele ficaria atento ao bebê. Ela respondeu: “Não posso deixar porque se ele quebrar um dente a mãe vai me matar.” O Brincadê continuou conversando com a babá que aprovou o pedido e o deixou livre para explorar aquela escada. A expressão do bebê ao chegar no andar de cima da casinha foi a resposta necessária para a babá perceber a importância de dar “alguma” autonomia à criança. O bebê estava pedindo isso, mas sem a ajuda do Brincadê talvez não conseguisse realizar essa conquista, naquele momento.” (Fernanda Cury, pesquisadora do VIB)

“Bia sente saudade da mãe e chora. A Cléo, coordenadora de festas e eventos que chegava conversa com a pequena. “Sua mãe já vai chegar.” Bia não para de chorar. Cléo pergunta se ela quer ajudá-la a guardar suas coisas no armário. Ela continua a chorar, mas aceita guardar os objetos no armário. “Você viu quantas chaves têm aqui?” Bia continua a chorar e pega o recipiente com as chaves. Várias chaves com cores e formas diferentes chamam a atenção da menina. Ela fica atenta e manipula vagarosamente as chaves e seus códigos. Pega uma delas, confere com as cores e as formas do armário, consegue abri-la e para de chorar. “E se a gente tentar abrir outro armário?” diz Cléo. A menina se anima com a descoberta, pega outra chave e observa novamente a relação entre as cores e formas no armário. Tenta abrir outra porta e realiza mais uma vez a ação com sucesso. A partir daí virou uma brincadeira que levou algum tempo para terminar. Aqui a questão do vínculo foi importante, pois a Cléo estreitou os laços com a Bia quando teve sensibilidade para acolher o choro da menina.” (Lindalva Souza, pesquisadora do VIB).

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Pais e Babás

Os bebês menores de dois anos devem estar acompanhados dos pais ou de um adulto responsável. Percebemos que na maioria das vezes, esse acompanhamento é feito pelas babás. Elas têm intimidade com as crianças, vínculos fortalecidos e são referência para a criança que acompanham.

Algumas ficam atentas aos movimentos dos bebês sem interferir muito nos interesses deles; outras participam oferecendo brinquedos ou entoando canções; brincam junto ou chamam a atenção do bebê para interagir com outra criança que chega.

Percebemos os desafios dos pais ou babás para o “deixar brincar” das crianças. Na nossa cultura, estamos acostumados a fazer interferências desnecessárias, pois ainda temos dificuldades em acreditar que as crianças em seus movimentos espontâneos, são coerentes com elas mesmas. Muitas vezes, movidos por impulso, interrompemos e desviamos a atenção das crianças para tirar fotos, falar ao celular ou oferecemos uma variedade de objetos sem observar o tempo que a criança necessita para explorá-los. Esses são exemplos de atitudes adultas que desconcentram as crianças e permitem que elas percam momentos importantes de descobertas do foco de interesse.

“O Antônio fica por um tempo explorando os brinquedos, do seu jeito, no seu tempo. Quando termina, engatinha em direção a um degrau. É acompanhado à distância pelo olhar da babá. Ele engatinhava e seu olhar vibrante é atraído por uma bexiga presa na estante de livros. Sai em disparada engatinhando, na expectativa de pegá-la. É interrompido pela cuidadora. Insiste, volta a engatinhar. A Babá pega o bebê no colo e o coloca em outra direção. E lhe dá um livro, e mais outro. O Antônio não aceita e esbraveja novamente. A Babá tenta traduzir seu desejo: “Você quer a bexiga, né?” E, olhando para ele, justifica: “Não pode! Tem muita criança aqui. Vamos brincar para lá!” Então, o conduz para outro foco de interesse. Depois, ao constatar que ele se arranjara em outra brincadeira, volta e guarda o brinquedo que ele havia acabado de explorar.”
(Karina Silva, pesquisadora do VIB)

“A Vitória brinca feliz com o papagaio de pelúcia, faz carinho, coloca na boca, observa, ri, senta para conversar com o papagaio. A babá arruma sua perna e diz para sentar de índio, que é mais gostoso. Vitória continua interagindo com o papagaio e a babá pega um trenzinho e mostra para Vitória. “Vamos brincar com o trenzinho, Vitória. Olha que legal! Olha como ele faz… Piuí, piuí…”. (Fernanda Cury, pesquisadora do VIB).

“Vitória brinca com um carrinho. Ela engatinha com o carrinho na mão. Ela anda com o carrinho na mão. O carrinho vai para o chão, o carrinho voa, o carrinho passa pela perna da babá e agora o carrinho vai subir a bancada… “Não pode, Vitória! Você vai cair se subir aí!” A babá a tira da bancada e a coloca no chão. Isso se repete algumas vezes. Vitória reclama e a babá a apresenta a um fantoche de tecido. “Vem brincar comigo, Vitória!” Diz a babá com uma voz engraçada.” (Karina Silva, pesquisadora do VIB)

Potencial

Vivemos em uma sociedade que valoriza o consumo imediato de informações e conteúdos. A necessidade de obter informação o mais rápido possível, em velocidade recorde, gera o sentimento de tempo em outra dimensão. A facilidade ao acesso às informações bem como às descobertas tecnológicas, permite otimizar o tempo e realizar várias tarefas simultaneamente. Consequentemente, dita ritmo acelerado aos adultos e afeta diretamente o desenvolvimento e o cotidiano das crianças.

O Cadê Bebê é um espaço educador, que contribui com a sensibilização do olhar dos adultos responsáveis pelas crianças: como espaço que encoraja pais e babás a respeitarem o tempo das crianças; espaço que permite a troca de saberes e a interação entre as pessoas e proporciona autonomia e liberdade para que as crianças se expressem com liberdade, sejam elas mesmas, façam suas próprias escolhas, possam cometer erros, assumir riscos, sonhar e ter prazer em suas descobertas.

Conforme aponta Pikler (1940), o modo de aprendizado é muito mais importante que o próprio ensinamento. Por exemplo, quando um bebê senta sem ajuda do adulto. Esse processo de aprendizado desempenha um papel muito importante: é através dele que a criança exercita a habilidade de fazer algo por ela mesma, independente, através de sua paciência e persistência. No caso do processo do desenvolvimento motor, ela não está só adquirindo novas posturas, atingindo marcos, mas está treinando realizar algo de maneira autônoma, a testar, experimentar e superar desafios.

A vida urbana traz para as crianças limitações de acesso a brincadeiras com a natureza. A área externa do espaço traz elementos essenciais para o aprendizado e desenvolvimento. Quando a criança brinca com água, areia, folhas, barro ela entra em contato com a sua essência. Essa auto conexão proporciona ricas experiências e vivências de processos que trazem significados e sentido para o brincar e para a vida. 

O Cadê Bebê tem potencial de incentivar e conscientizar pais e cuidadores sobre a importância da livre exploração das crianças integradas com a natureza. É importante reeducar o olhar dos adultos à respeito desta questão.

Os Brincadês representam referência no desenvolvimento das crianças e também na forma como interagem e orientam pais e cuidadores. A formação acadêmica e cultural diversificada dos profissionais em diferentes áreas contribui de maneira singular no fortalecimento do trabalho educativo.

[1] Tico- apelido carinhoso do artista-educador, J. E. Tico, um Brincadê. 

Bibliografia

CLOUDER, CHRISTOPHER e JANNI NICOL. Brincadeiras Criativas para o Seu Filho – Editora Publifolha, 2009.
PIKLER, E. Unfolding of Infants’ natural gross motor development. LA: Ed. RIE, 2006.
TARDOS, A. SZANTO-FEDER, A. O que é autonomia na primeira infância? In: FALK, J. (Org.). Educar os três primeiros anos: a experiência de Lóczy. 2. ed. Araraquara: Junqueria & Marin, 2011, p. 39-52.
TRUCHIS, C. O despertar de seu filho: para um bebê ativo e calmo. SP: Ed. Paulus, 1998.
WINNICOTT, D. A criança e seu mundo. Rio de Janeiro : Ed. LTC , 2008.

Site pesquisado: http://www.cadebebe.com.br

São Paulo, 18 de agosto de 2016.
Responsáveis: Fernanda Cury e Karina Silva, pesquisadoras.
                          Lindalva Souza, coordenadora de pesquisa.

A Importância da Empatia na Educação

Buscando debater um tema ainda pouco discutido no Brasil, o programa Escolas Transformadoras promoveu em maio de 2016 uma roda de conversa sobre a Empatia na Educação, visando construir coletivamente um entendimento sobre a importância da empatia como um valor e como uma competência que deve ser aprendida e cultivada na escola e nos demais espaços de convivência.

Composta de nove artigos, a publicação ‘A importância da Empatia na Educação‘ é fruto desse encontro. São 9 autores vindos da áreas diferentes do conhecimento, refletindo a partir de perspectivas distintas sobre o tema.

Por que para as crianças brincar é como respirar

A mãe começa a gritar quando sua filha tira os sapatos e entra na areia do parque. A repreende. No quer que se suje. Mais tarde, já em casa, o pai a repreende porque quer brincar com uma caixa e umas bonecas. “Não é momento para isso”, ele diz. Preferia que gastasse seu tempo em uma atividade “mais útil”.      

Esta cena soa familiar?

Àqueles pais, especialistas como a brasileira Adriana Friedmann, o chileno Humberto Maturana, o espanhol Javier Abad e o belga Michel Langendonckt têm muito a dizer.

Friedmann, Maturana, Abad e Langendonckt – reputados pesquisadores e cientistas sociais – se reuniram em Bogotá (Colômbia) para participar do “VI Encuentro Internacional de Juego, Educación y Ludotecas”, entre os dias 26 e 28 de Outubro.

Eles promovem a ideia de que o brincar é fundamental no crescimento e aprendizado de crianças e são fortes defensores da ideia de que brincar não é perder tempo. Pelo contrário, brincar é uma coisa muito séria, tão importante como comer ou respirar, por exemplo.

“Crianças que brincam são mais plenas e felizes, e se tornarão adultos mais plenos e felizes também. As crianças que brincam aprendem mais e melhor, sabem viver. Muitos pais se angustiam porque seus filhos dedicam muito tempo ao ócio, mas isso é a coisa mais séria que existe “, diz Javier Abad Molina, espanhol, doutor da Universidade Complutense de Madri e especialista em arte-educação.

“Existe um pensamento científico, um racional, um matemático e um lúdico. Todos devem ser encorajados da mesma forma para desenvolver uma identidade completa. O pensamento lúdico é fundamental para entender a vida de uma maneira diferente, para que as crianças percebam que são capazes de mudar suas vidas, de transformar seu ambiente “, disse Abad a “CNN em Español”.

Mas não é para abarrotar as crianças com brinquedos, deixá-los sozinhos e pronto. Se trata, dizem os especialistas, de acompanhá-los, de tirar os sapatos e se sujar com eles.

“Quando brincam, as crianças descobrem o mundo e expressam o que vivem e o que sentem. Não há nenhuma outra atividade em que se posam expressar e se descobrir tanto”, diz Adriana Friedmann, doutora em antropologia e especialista em educação.

Friedmann disse à “CNN en Español” que “o brincar é o mais importante da aprendizagem e para o desenvolvimento das crianças desde o nascimento e até os 6 anos de idade.”

Diferentes estudos têm demonstrado nos últimos anos que o brincar facilita a formação de vínculos, as relações com seus pares (outras crianças) e a participação social, além de que os ajuda a desenvolver habilidades para resolver conflitos que leva a uma conduta de conciliação e aumenta a convicção de agir corretamente numa situação particular. De acordo com Peter Grey, psicólogo e professor da Boston College, nos Estados Unidos, citado pelos especialistas que se reuniram em Bogotá, “o brincar é a energia instintiva mais importante com o qual a criança nasce para educar a si mesma”.

“Muitas vezes nós adultos nos adiantamos e sentimos ansiedade para que nossos filhos façam coisas as quais ainda não estão prontos e que farão de maneira natural: ler, escrever, somar e subtrair. Se não respeitarmos o tempo das crianças, que quando pequenas é o tempo de viver, brincar, descobrir, ter experiências, cair e ficar sujo, elas vão pular etapas fundamentais em seu desenvolvimento psíquico e físico “, explica Friedmann.

“Hoje em dia existem tantos estímulos que muitas vezes, sem querer, nos adiantamos e forçamos as etapas. Precisamos deixar de lado o medo de que as crianças estão perdendo tempo com o ócio, nos primeiros anos de vida as crianças precisam usar seus sentidos e é indispensável o contato com a natureza “, acrescenta.

Claro, nenhum pai quer que seu filho se machuque e por isso especialistas em educação recomendam promover o brincar em ambientes seguros, mas também deixar que caiam e se levantem sozinhos, porque isso vai acontecer mais tarde na vida.

E que papel desempenham os dispositivos eletrônicos, que hoje muitos pais dão aos filhos, mesmo quando não aprenderam a falar ou a andar, a fim de entretê-los?

“Nos preocupa que haja bebês ou crianças muito pequenas hipnotizados por tablets ou telefones celulares. O problema é que os bebês precisam usar todos os seus sentidos para descobrir o mundo, colocar as coisas em sua boca, sentir, cheirar, tocar, ouvir… Se dermos somente dispositivos eletrônicos, o seu cérebro vai se colocar em movimento, e o resto do corpo e os sentidos ficarão congelados “, diz Friedmann.

Para ela, quando um pai ou uma mãe dá um telefone celular para seu filho “para ele ficar parado”, eles estão aproveitando a oportunidade de interagir com outras crianças, de se relacionar com o espaço e com a terra, com os objetos que o rodeiam. “Isso deve ser feito mais adiante e de forma equilibrada com a arte, a música, o movimento”.

Nos últimos 50 anos, se reduziram as oportunidades e os espaços para as crianças brincarem e que coincide, de acordo com a discussão no “VI Encuentro Internacional de Juego, Educación y Ludotecas”, com o aumento dos transtornos mentais na infância e com um aumento de quatro vezes na taxa de suicídio em crianças menores de 15 anos.

Pensando nisso, os peritos da Universidade Nacional da Colômbia realizaram uma pesquisa com 540 crianças de várias regiões do país, tanto de zonas rurais como urbanas. Os resultados, apresentados no Encontro, foram contundentes. As crianças que mais brincaram, “em situações de brincar livre e dirigido”, apresentam as maiores competências emocionais, cidadãs e de criatividade que os que não tiveram essas oportunidades.

“O que as crianças aprendem brincando não esquecem nunca. Desde que nascemos, nós seres humanos brincamos com percepções, cores, texturas, sons, carícias, porque o mundo não é só pensamento racional cognitivo “, assegura Javier Abad.

“O pensamento lúdico é profundo por que fica registrado na memória corporal das crianças, de tal forma que quando adultos tratamos de manter o equilíbrio, por exemplo, sentimos prazer porque isso está na nossa memória lúdica, porque brincamos de nos balançar quando éramos crianças”.

Aqueles que quando crianças não brincaram o suficiente, quase sempre têm problemas comportamentais e de aprendizagem e, em algum momento – pré adolescência, adolescência ou na idade adulta – terão de viver essas etapas, porque “ficam reprimidas as energias e o que não foi vivido no momento certo, os seres humanos sempre buscarão maneiras de viver”.

É que, de acordo com Abad, brincar é como respirar. “E brincar porque é o melhor jogo. Brincar sem pensar sobre a produtividade, brincar sem um motivo específico. O brincar deve fazer sentido, e não ser uma meta.”

Versão traduzida.

Para ler a versão original, acesse: CNN Español