Oficinas e Shows no Estúdio Mawaca

1.semestre 2016

MAIO 

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28/05/2016 – Oficina Introdução às Músicas do Mundo – Magda Pucci e Gabriel Levy
Tendo como principal enfoque a grande diversidade da música do mundo e a experiência de 21 anos com o grupo Mawaca, esse curso introdutório pretende explorar um panorama de algumas das mais relevantes expressões musicais de diferentes povos do mundo. Com atividades práticas de sensibilização, criação e reflexão, os músicos e educadores Magda Pucci e Gabriel Levy proporcionarão aos participantes uma grande viagem sonora com propostas para estimular e facilitar a inserção desse repertório na sala de aula.
Horário: das 9h às 16h.
Carga horária: 7 horas com intervalo de 60 minutos. –
Público alvo: professores das redes públicas, privadas, ONGs principalmente da Zona Sul, educadores musicais e interessados em geral.
Lotação: 40 pessoas
Investimento:
Público Geral: R$ 70,00 (oficina) (10 pessoas)
Professores da rede privada – R$ 70,00 (oficina e tem direito ao show do dia) – (10 pessoas)
Professores rede pública e ONGs – Gratuito (20 pessoas)

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17h – Show Pelo mundo com Mawaca – para crianças
O MAWACA convida o seu público infantil para uma grande viagem por vários lugares do mundo como França, Albânia, Tanzânia, Índia, Portugal, Israel e Brasil, criando uma verdadeira trama de sons e fios de histórias que se entrelaçam durante o espetáculo. Para o show serão convidadas crianças de ONGs parceiras para participarem junto aos professores da oficina.
Horário: 17hs
Shows Pelo Mundo com Mawaca: 17hs
Lotação: 50 pessoas
Investimento:
Público Geral: R$ 30,00 (10 pessoas) – Estudante tem direito a meia entrada
Professores da rede privada – R$ 20,00 – show gratuito para participantes da oficina do dia – (10 pessoas)
Professores rede pública e ONGs – Gratuito (10 pessoas)
Crianças da rede pública: Gratuito – (20 crianças)

JUNHO

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04/06/2016 – Oficina Vivência e aprendizado de ritmos brasileiros – Ari Colares e Eder, “O” Rocha.
O pernambucano Eder “O” Rocha irá desenvolver o aprendizado de ritmos do Nordeste como Forró, Ciranda, Maracatu de Baque Virado e Baque Solto. Éder irá apresentar parte de sua pesquisa acerca dos instrumentos de percussão na cultura musical brasileira: tipos de instrumentos, qualidades, contexto onde estão inseridos, diferentes técnicas, características acústicas, diferentes modos de tocá-los. Essa oficina pretende promover a vivência e análise da estrutura de importantes manifestações musicais da cultural popular brasileira.
Ari Colares trabalhará por meio da experimentação, padrões rítmicos do sudeste (e norte brasileiros utilizando cantigas relacionadas a cada ritmo trabalhado. Através da relação do som dos tambores com a movimentação corporal, buscará estimular o estudo e a vivência da cultura popular sensibilizando o participante para o universo de possibilidades criativas desse repertório. m as regiões e grupos sociais específicos.
Horário: das 9h às 16h.
Carga horária: 7 horas com intervalo de 60 minutos. –
Público alvo: professores das redes públicas, privadas, ONGs principalmente da Zona Sul, educadores musicais e interessados em geral.
Lotação: 40 pessoas
Investimento:
Público Geral: R$ 70,00 (oficina) (10 pessoas)
Professores da rede privada – R$ 70,00 (oficina e tem direito ao show do dia) – (10 pessoas)
Professores rede pública e ONGs – Gratuito (20 pessoas)

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17h – Show – Brasil Tambor e Fole
Os percussionistas Ari Colares e Eder “O” Rocha se unem ao acordeonista Gabriel Levy para levar o público a um passeio pelos ritmos brasileiros de norte a sul do país. Canções e melodias tradicionais se misturam ao diálogo dos diversos timbres percussivos num grande jogo improvisativo buscando promover momentos em que a plateia, de maneira interativa, canta, batuca e dança, como se estivesse numa festa popular.
Horário: 17hs
Público Geral: R$ 30,00 – Estudante tem direito a meia entrada (20 pessoas)
Professores da rede privada – R$ 20,00 – show gratuito para participantes da oficina – (10 pessoas)
Professores rede pública e ONGs – Gratuito (20 pessoas)

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11/06/2016 – Oficina Músicas indígenas nas escolas – Magda Pucci, Berenice de Almeida e Ibã Sales (Huni Kuin (AC)
As musicistas e educadoras Magda Pucci e Berenice de Almeida, realizarão uma prática contextualizada de diversos repertórios indígenas brasileiros, abordando músicas de alguns povos como Kambeba, Paiter Suruí, Kaingang, Krenak, Ikolen-Gavião e Huni Kuin, estimulando a reflexão sobre a grande diversidade cultural do Brasil e desmitificando a ideia de que as músicas indígenas são todas iguais. Cantar em diferentes línguas indígenas, entrar em contato com conteúdos mitológicos, ouvir o som de determinados instrumentos, perceber a forma como a música se insere na vida cotidiana indígena fazem parte da prática musical a ser desenvolvida nessa oficina. Desenvolverão também uma reflexão sobre o papel da oralidade, intrinsecamente ligada à musicalidade, proporcionando assim, uma experiência das nossas mais remotas origens, além de também indicar várias formas de utilização do repertório indígena em sala de aula.
Como convidado especial, teremos Ibã Sales pajé do povo Huni Kuin (Kaxinawá), cantor, professor e pesquisador dos cantos tradicionais que vai demonstrar os cantos Huni Meka do Nixi Pae e mostrar os desenhos oriundos das oficinas que Ibã, vem organizando na região do Jordão com jovens indígenas.
Horário: das 9h às 16h.
Carga horária: 7 horas com intervalo de 60 minutos. –
Público alvo: professores das redes públicas, privadas, ONGs principalmente da Zona Sul, educadores musicais e interessados em geral.
Lotação: 40 pessoas
Investimento:
Público Geral: R$ 70,00 (oficina) (10 pessoas)
Professores da rede privada – R$ 70,00 (oficina e tem direito ao show do dia) – (10 pessoas)
Professores rede pública e ONGs – Gratuito (20 pessoas)

15h – Exibição do Documentário ‘O Espírito da Floresta’ de Amilton Pelegrino de Matos sobre o projeto MAHKU – Movimento dos Artistas Huni Kuin
Vídeo realizado para a exposição ’Histoires de Voir’, da Fundação Cartier para a arte contemporânea (Paris, França) visando apresentar o projeto Espírito da Floresta de pesquisa dos cantos sagrados Huni- Kuin e sua extensão nos trabalhos do MAHKU – movimento dos artistas Huni-Kuin; o vídeo é conduzido e narrado pelo coordenador do projeto Ibã Huni Kuin e elaborados pelos jovens Huni- Kuin, pesquisadores de sua tradição, e apresenta o trabalho de tradução visual (e audiovisual) dos cantos. 45 minutos

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17h – Show Show Rupestres Sonoros com grupo Mawaca com participação especial de Ibã Sales (Huni-Kuin – AC)
Um trabalho em que o grupo Mawaca faz uma homenagem aos povos indígenas brasileiros e revela curiosas relações entre as pinturas rupestres e as músicas dos diferentes povos que aqui viveram e ainda vivem. Apresenta um repertório multifacetado com cantos dos povos Paiter Suruí, Ikolen-Gavião, Pakaa-Nova, Huni-Kuin, Txucarramãe, Kayapó entre outros. Ibã Sales pajé do povo Huni Kuin (Kaxinawá), hoje um artista coloborador do Mawaca, irá fazer uma participação no show com seus cantos de miração.
Horário: 17hs
Público Geral: R$ 30,00 – Estudante tem direito a meia entrada (20 pessoas)
Professores da rede privada – R$ 20,00 – show gratuito para participantes da oficina – (10 pessoas)
Professores rede pública e ONGs – Gratuito (20 pessoas)

18/06/2016 – Oficina Ritmos do Mundo – Anita Gritsch (Áustria) e Rubens Oliveira (Gumboot)
Anita Gritsch com sua larga experiência em processos educativos através da musica e do corpo, vai desenvolver aspectos da riqueza rítmica do mundo com suas mil e uma possibilidades de tocar e fazer música. Nessa oficina, Anita vai trabalhar as rítmicas de diversas culturas e países, desde a Europa, atravessando a América latina até a África. Começando com uma aproximação ao corpo, explorando os sons dele, despertando a percepção e a escuta, estimulando o sabor de cada ritmo com toques de improvisação e um pouco de conhecimento do contexto.
Rubens Oliveira vai desenvolver as técnicas do Gumboot – dança de botas de borracha, uma forma de dança popular criada pelos trabalhadores no século XIX nas minas de ouro e de carvão da África do Sul. Em sua oficina os alunos terão a possibilidade de vivenciar a complexidade rítmica e gestual do Gumboot dance, marcada por movimentos vibrantes, saltos e sons característicos.
Horário: das 9h às 16h.
Carga horária: 7 horas com intervalo de 60 minutos. –
Público alvo: professores das redes públicas, privadas, ONGs principalmente da Zona Sul, educadores musicais e interessados em geral.
Lotação: 40 pessoas
Investimento:
Público Geral: R$ 70,00 (oficina) (10 pessoas)
Professores da rede privada – R$ 70,00 (oficina e tem direito ao show do dia) – (10 pessoas)
Professores rede pública e ONGs – Gratuito (20 pessoas)

17h – Show YEBO com Gumboot Dance
O grupo Gumboot surgiu em meados do século XIX no período em que ocorriam as descobertas de minas de diamante e de ouro e por conta dos longos anos de colonização Holandesa e Britânica a segregação racial era essencialmente informal, apesar de algumas leis terem sido promulgadas para controlar o estabelecimento e a livre circulação de pessoas nativas, muitos dos povos negros segregados em tribos, eram enviados às minas como mão de obra local.
Por conta dos inúmeros povos de diversas línguas (a África do Sul tem cerca de onze línguas oficiais) os trabalhadores encontraram um formato de se comunicar sem precisar do idioma e descobriram que com o batuque das botas, canto e gritos era a solução para que pudessem se comunicar.
Segundo Rubens Oliveira, havia diversas simbologias que simplificavam essa comunicação como a saudade da família, o trem que os conduzia as minas e a própria iniciativa em se divertir por mais que estivessem em condições insalubres de trabalho. “A coerência de sons e ritmo foram amadurecendo e aos poucos transformaram a ‘comunicação das botas’ em dança”, sintetiza o bailarino.
Horário: 17hs
Público Geral: R$ 30,00 – Estudante tem direito a meia entrada (20 pessoas)
Professores da rede privada – R$ 20,00 – show gratuito para participantes da oficina – (10 pessoas)
Professores rede pública e ONGs – Gratuito (20 pessoas)

25/06/2016 – Oficina As Áfricas da África
Marina de Mello e Souza (USP) e Fanta Konate (Guiné) e Luís Kinugawa (Djembedon).
Nessa oficina, a profª. da USP, Marina de Melo e Souza apresentará alguns aspectos de sociedades do continente africano com destaque para as regiões que têm maior conexão com a formação do Brasil. Serão abordados sistemas de pensamento, organização social, formas de transmissão do conhecimento, ritos e manifestações culturais de povos da África ocidental e da África central. Também serão apresentados os tipos de contatos que os brancos que passaram a frequentar essas regiões a partir do século XV mantiveram com as sociedades nativas. Se até o século XIX o interesse maior dos europeus e brasileiros era a obtenção de trabalhadores escravizados, obtidos por meio de relações comerciais com os africanos, no século XX o continente foi quase integralmente dominado pela potência europeia, o que provocou mudanças radicais em suas sociedades. Serão apresentados aspectos dessa dominação, assim como os processos por meio dos quais os países africanos conquistaram suas independências a partir dos anos 1960. A chamada diáspora africana, resultante do tráfico de escravizados também será abordada, especialmente no que diz respeito ao desenvolvimento de manifestações culturais afro-americanas, ou seja, criadas nas Américas a partir de matrizes africanas.

Fanta Konate e Luis Kinugawa apresentarão um pouco da cultura da Guiné Conacri através de cantos, ritmos e danças, contextualizadas historicamente, assim como seus significados sociais. A cultura Malinkê da Guiné Conacri é uma das mais musicais, artísticas, bailadas, e tem seu fundamento no conceito de que os instrumentos “falam”, isto é, reproduzem a voz, discursam, dialogam, criam frases relacionadas ao momento presente, conduzem as danças, trazem uma grande herança de provérbios, conceitos sociais, conselhos e sabedoria dos ancestrais, combinando eternamente e harmonicamente, duas polaridades: Respeito e Alegria.
Horário: das 9h às 16h.
Carga horária: 7 horas com intervalo de 60 minutos. –
Público alvo: professores das redes públicas, privadas, ONGs principalmente da Zona Sul, educadores musicais e interessados em geral.
Lotação: 40 pessoas
Investimento:
Público Geral: R$ 70,00 (oficina) (10 pessoas)
Professores da rede privada – R$ 70,00 (oficina e tem direito ao show do dia) – (10 pessoas)
Professores rede pública e ONGs – Gratuito (20 pessoas)

17h – Show Malinkê com Fanta Konatê e Troupe Djembedon
A cantora e bailarina guineana Fanta Konatê é também fundadora do Instituto África Viva, projeto que promove a integração das culturas da Guiné e do Brasil visando o desenvolvimento humano. Acompanhada pela Troupe Djembedon, seu repertório apresenta tanto os tambores e instrumentos ancestrais, quanto a fusão com sopros, cordas e musicas da tradição Malinkê da Guiné Conakry.
O show conecta o público à África Real dos saberes, belezas e resiliência através de temas, dinâmicas e andamentos variados das composições que expressam a alma dessa embaixadora Cultural da República da Guiné: Fanta Konatê
Horário: 17hs
Público Geral: R$ 30,00 – Estudante tem direito a meia entrada (20 pessoas)
Professores da rede privada – R$ 20,00 – show gratuito para participantes da oficina – (10 pessoas)
Professores rede pública e ONGs – Gratuito (20 pessoas)

JULHO

09/07/2016 – Encontro – As muitas músicas da Música: diálogos culturais nos territórios da educação musical.
Um dia dedicado às reflexões sobre as possibilidades da inserção da música do mundo em projetos educacionais a partir do relato de experiências de educadores que tem um olhar para o multiculturalismo em diferentes ambientes educacionais:

9h – Teca Alencar de Brito mostrará diversos trabalhos criativos e multiculturais realizados com crianças em sua Oficina de Música e sua experiência com o mestre Koellreutter.

13h Experiências em Educação Musical Multicultural:
Mayumi Takai irá comentar sobre suas experiências com a metodologia Orff envolvendo músicas de diversas tradições do mundo.
Lilian Sodré ira apresentar sua experiência com música africana na escola Vértice cujo resultado está registrado no livro Música Africana na Escola.
Luís Kinugawa falará sobre sua experiência com refugiados na África com um trabalho que envolve ritmo e corpo com dinâmicas de grupo e musicoterapia.
Berenice de Almeida irá apresentar sua experiência na EMIA, Escola Municipal de Iniciação Artística da Secretaria de Educação da Prefeitura de São Paulo, que mescla as quatro linguagens: musica, dança, teatro e artes visuais.
Horário: das 9h às 16h.
Carga horária: 7 horas com intervalo de 60 minutos. –
Público alvo: professores das redes públicas, privadas, ONGs principalmente da Zona Sul, educadores musicais e interessados em geral.
Lotação: 40 pessoas
Investimento:
Público Geral: R$ 70,00 (oficina) (10 pessoas)
Professores da rede privada – R$ 70,00 (oficina e tem direito ao show do dia) – (10 pessoas)
Professores rede pública e ONGs – Gratuito (20 pessoas)

Estúdio Mawaca (cursos, oficinas e workshops) https://www.facebook.com/estudiomawaca?fref=ts
Ethos Produtora de Arte e Cultura Ltda. www.ethosprodutora.com.br
Mawaca www.mawaca.com.br

Família percorre interior do país e registra infância em série de livros

“Acho que o escritor volta sempre ao território da infância, que é o território do desejo de contar história. O desejo de ver o mundo convertido numa história é absolutamente vital, quer dizer, tão vital quanto comer ou dormir.” (Mia Couto, escritor moçambicano)

Miguel tem 2 anos. Olhos espertos e ouvidos atentos, ele corre em volta das crianças maiores, sentadas em roda para contar histórias da comunidade ribeirinha onde moram. Cuiabá Mirim pertence ao município de Barão de Melgaço, no Mato Grosso. A viagem até a capital do estado dura 1h30 – são 128 km de distância. No povoado, vivem 300 famílias envolvidas pela natureza da região pantaneira.

Como qualquer menino de sua idade, Miguel não tem repertório para participar da brincadeira. Recorrer à imaginação, até conseguir a atenção da professora e dos colegas, é o truque infalível:

– Tia, tia! Eu quero contar! Tia, tia! Sabia que eu sempre levo bicho pra minha casa?
– É verdade? Qual bicho você leva?
– Levo jacarés! E não tenho medo!
– O que você faz com eles?
– Eu brinco um pouco. Depois mando embora. Depois de depois do almoço, eu chamo eles de volta para brincar.
– Mentiiiiiiiira!, grita uma menina mais velha.

Todos começam a rir.

A criatividade precoce de Miguel é uma das lembranças de viagem da família Asse. Roberta, a “tia” mencionada, viajou com o marido Walter e as filhas Clara e Helena, em busca de inspiração para escrever sobre as diferentes formas de infância. Visitaram, os quatro, cidades pouco turísticas, distantes das capitais brasileiras, onde puderam conviver e aprender com as crianças locais.

A contadora desses causos – ou “criadeira”, como se define – é também arquiteta, designer e pesquisadora da antropologia da infância. Roberta ilustrou e narrou histórias de ficção, cunhadas a partir dessas experiências, para a recém-lançada “Coleção Crianças Daqui” (Cirandeira Livros, R$ 30 cada exemplar). Das Ilhas Fluviais de Abaetetuba, no Pará, ao Vale dos Vinhedos, no Rio Grande do Sul, os oito livros passeiam pelas descobertas de Marina, Vito, Tininha, Adélia, Rosa, Isabel e Pedro Pio, entre outras personagens permeadas de cultura, tradição e sabedoria regional.

Durante a expedição, o pai, Walter, ficou responsável pelos registros fotográficos e em vídeo, que devem ser lançados em breve. À Clara (11 anos) e Helena (7) cabe o papel principal: brincar com as crianças que encontram nessas localidades.

“São as nossas filhas que nos abrem as portas para essa convivência, a partir do momento em que se reúnem com outras crianças. A linguagem do brincar é universal. Pode notar: as crianças se entendem em segundos”, diz Walter. “O que une as pessoas é a necessidade e o que as mantém unidas é a afinidade. A base que permeia tudo isso é o amor. E essa é a base das crianças: o amor e as brincadeiras, sem pré-conceitos.”

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Raízes brasileiras

O casal se conheceu em 1996. Roberta, filha de um marceneiro e de uma professora do interior de São Paulo, cursou arquitetura e especializou-se em design gráfico. Criada na capital, nunca abandonou, porém, as raízes do campo. Walter, formado em Direito, gerencia uma tradicional gráfica paulistana. Antes de conhecê-la, estava acostumado a passar as férias em pontos turísticos comuns. Roberta o inspirou a mudar de rota, para, juntos, desbravarem o Brasil.

A vontade de transformar as viagens em registros escritos ganhou força com a chegada das filhas, que herdaram sua paixão pela natureza: “Adoro viajar para os lugares mais distantes porque as crianças de lá são mais livres, conhecem muito sobre seu lugar, sobre os animais, a natureza. Elas têm muita cultura!” diz Clara. “O melhor é quando não tem sinal na cidade: assim o papai não fica o tempo inteeeeeiro no celular”, completa Helena.

Chegar de maneira respeitosa aos municípios escolhidos para a pesquisa sempre foi uma preocupação de Roberta. “Não há diferença. A gente apenas vive em uma comunidade um pouco maior e mais complexa. Isso ajudou muito na minha conduta, ao me reconhecer e me colocar como um igual e inserir essas crianças numa única comunidade, que é a de ser brasileiro”, conta.

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Caixa de segredos

Em celebração a este 12 de outubro, Dia das Crianças e Dia Nacional da Leitura, o Promenino pediu à família Asse que trouxesse algumas lembranças das comunidades por onde passaram para o bate-papo no quintal da Livraria da Vila, em São Paulo.

“Tá vendo aqui dentro? É uma lanterna colorida, com uma vela”, mostra Helena, eufórica, abrindo a caixa de papelão, repleta de pequenas preciosidades. “Ah, sim! É de uma procissão, que tem origem no norte da Alemanha”, começa a explicar o pai, logo interrompido pela menina: “Não, pai. Essa lanterna é da procissão do Matutu, que acontece de noite!”.

“Eu vou com minha lanterna | E ela comigo vai | No céu, brilham estrelas | Na terra, brilhamos nós | A luz se apagou | Pra casa, eu vou | Balança, balança, lampião”, canta a família em coro.

O Vale do Matutu, situado no município de Aiuruoca (Sul de Minas Gerais), é um lugar especial para os Asse, que visitam a cidade há nove anos. Por lá, frequentaram a Escola Arcanjo Miguel, onde se realizava a procissão descrita por Helena. A unidade deixou de funcionar faz dois anos, devido à construção de uma outra escola pela prefeitura. “O fechamento das escolas do campo, infelizmente, é uma realidade. Li a matéria no Promenino sobre o número cada vez menor dessas escolas, justificado com a oferta de transporte para a cidade. É uma questão polêmica, a de tirar crianças tão pequenas de seu ambiente”, reflete Roberta.

“Foi no Matutu que comecei a notar a semelhança das infâncias, principalmente no que se refere à autonomia. Crianças das comunidades têm isso: vão e voltam com liberdade, porque todos se conhecem e há uma relação intensa com o ambiente”, diz a autora.

“Uma coisa muito legal das comunidades é porque os moradores, todos, conhecem bem o lugar. Entre as crianças, não tem essa coisa de separar a turma por idade. Dá pra brincar todo mundo, de todas as brincadeiras, dos dois aos 15 anos”, observa Clara.

Na festa de São João, os adultos de Matutu se preocupam em estimular o imaginário das crianças. “Eles preparavam uma fogueira gigante, com um cabo de aço escondido para acendê-la. Por meio de um sinal, os moradores jogavam uma bola que virava fogo e descia pelo cabo, invisível à noite. Queriam ver as crianças acreditando que uma estrela do céu acendia a fogueira. Era lindo”, emociona-se Roberta.

Central do Brasil

Helena segura um pequeno vidro transparente na mão direita. “Para mim, isso aqui é o mais lindo da viagem”, diz, sorrindo. “É a areia das dunas do Jalapão… a mais fofinha e mais quente que eu já vi”, completa Clara. “São sete horas de viagem para chegar a um mundo cor de laranja”, descreve Helena.

O Parque Estadual do Jalapão fica em Tocantins. É a única região que produz capim dourado, fibra usada para produtos de artesania. “É tudo cultivado no meio da vereda, aos pés das montanhas, por onde chega água quente do fundo da terra”, explica Walter. “Lá havia uma senhora, a dona Miúda. Ela costumava dizer: ‘Esse é o nosso ouro, e é assim que a gente vai mudar a cara da nossa comunidade’.”

“Ganhei esses ramos das mulheres do povoado, como agradecimento pela nossa passagem. Sei que isso é raro, esses raminhos não são vendidos. Foi um ato de carinho”, relembra Roberta, vaso nas mãos.

A família também passou pela comunidade quilombola de Mumbuca, a poucos quilômetros do Jalapão. “Com a chegada de uma determinada igreja, que não permite a difusão da cultura africana oral, muito está se perdendo. É preciso olhar com cuidado para os patrimônios do Brasil”, indigna-se Walter.

Dos livros às telas

A coleção de livros começa a ganhar novos formatos. Logo estará disponível na versão digital. O plano é voltar aos municípios pesquisados e também criar um aplicativo capaz de conectar as crianças dessas localidades. O músico Beto Villares já transformou três contos em canções – o lançamento do CD está previsto para breve.

Por meio de uma parceria da ComKids com o canal holandês Wadada News for Kids, o livro “A Travessia de Marina” ganhou um concurso e se transformará num documentário de 15 minutos, que será dirigido por Marcelo Machado. A obra foi inspirada nas crianças do povoado de Saco do Mamanguá, em Paraty (Rio de Janeiro). “Lá, as crianças não têm o Ensino Fundamental 2 perto da comunidade. Precisam se mudar para Paraty ou ir e voltar todos os dias de barco, acordando às 4h30 da manhã. Isso reflete a questão do crescimento acelerado, longe da família”, opina Roberta.

Análise: “O cotidiano é uma aventura”

“Lorena, será que tu enxerga do mesmo jeito que eu? E o som, será que tu ouve a mesma coisa que eu ouço?”, pergunta Vito a sua irmã Lorena, em um momento de descanso, depois de brincarem colhendo as uvas do parreiral. Tataranetos de imigrantes italianos, esses são os personagens principais do livro “Pé de Uva, Mão de Menino”, parte da Coleção das Crianças Daqui.

A reflexão do menino empresta sentido a toda a coleção, resultado de uma jornada familiar em busca da valorização das realidades diversas de comunidades afastadas das grandes capitais brasileiras. Nos oito livros que a compõem, sua autora, Roberta Asse, recria, escrevendo e ilustrando, o cotidiano infantil, assegurando em cada narrativa o caráter de aventura, tão caro às crianças.

Embora sejam ficcionais, apenas inspiradas nas experiências vividas pela autora e sua família nessas viagens, todas as histórias trazem a forma de falar própria das crianças dali. “Eu já te falei que quero ir junto e não ficar suzinho aqui”, diz Vito. “Vai vim maresia”, observa Cauê. “Vó, eu queria que o tio chegasse e nunca mais isse”, fala Tião.

“Esse personagem só é verdadeiro se fala como uma criança do lugar. Ouvi exaustivamente e reproduzi nos diálogos a maneira de se falar. Não está dentro dos parâmetros do certo ou errado. Está dentro do falar diferente. É uma riqueza”, defende a autora, ante as críticas à sua decisão. E cada exemplar traz o aviso: “Expressões da oralidade e regionalismos foram respeitados e escritos da forma como são falados”.

Em um passeio pelas radiantes ilustrações de Roberta, o leitor fica conhecendo também Marina, Tininha, Francisco, Mauk, Ana Rara, Ravi e Adélia, Daniel e Rosa, Isabel, Berê e Toninho, que – com entusiasmo – nos apresentam seus brinquedos, famílias, amigos e festejos. Às vezes, eles também se metem em situação de perigo, mas você vai descobrir que, no fim, são como as crianças daqui.

Por Cidade Escola Aprendiz

Diálogos do Brincar: O tempo da criança

A 4ª videoconferência ‘Diálogos do Brincar’ acontece dia 24 de maio, às 19 horas, com o tema “ O tempo da criança”, trazendo para o debate a pedagoga Luiza Lameirão.

A série ‘Diálogos do Brincar‘ é uma iniciativa correalizada pelo Projeto Território do Brincar e pelo Instituto Alana. Tem periodicidade mensal e ocorrerá entre fevereiro e novembro de 2016, com a participação de diversos especialistas, que debaterão temas que tocam a infância, a educação e o brincar.

Sobre Luiza Lameirão:

Pedagoga e professora formada pela USP, trabalha com a Pedagogia Waldorf com formação de professores e educadores para iniciativas sociais. É coordenadora do Centro de Formação de Professores Waldorf, é co-fundadora do Instituto Olinto Marques e da Aliança pela Infância. Docente convidada em diversos cursos de fundamentação em Pedagogia Waldorf no Brasil, cursos de pós- graduação e formação. Escreveu os livros: Criança Brincando! Quem a educa? , Bola e Boneca, ambos para pais e educadores, e Cheiro de Terra Molhada, para crianças.

Semana Mundial do Brincar 2016

Chegou mais uma Semana Mundial do Brincar! É hora de sensibilizar e mobilizar famílias, educadores, adultos e brincantes de todas as idades para que ofereçam tempo e espaço ao brincar das crianças.

A Aliança pela Infância, que desenvolve e inspira essa iniciativa desde 2009, está propondo “O brincar que encanta o lugar” como tema das atividades em 2016. Nesta semana – que acontece de 22 a 28 de maio em todo o país – uma semente será plantada, mas a ideia é que o valor do brincar seja cultivado em todos os momentos.

Como sempre, as atividades são abertas, promovidas voluntariamente por pessoas, grupos e organizações sensíveis ao encantamento das crianças. Em geral, são brincadeiras em espaço aberto, que envolvem música, arte, teatro, dança, circo, leitura, contação de histórias e manifestações culturais tradicionais e outras ações. O importante é que se trata do brincar livre, com brinquedos não estruturados, em que as crianças encantam o lugar com suas brincadeiras.

O tema escolhido para as atividades de 2016 busca chamar atenção para a necessidade de se abrir espaços para o brincar. A ideia é que famílias, educadores e adultos em geral mantenham e nunca percam o encantamento de seu olhar sobre a infância, que estimulem e propiciem lugar e tempo para a criança brincar. As atividades da Semana são pensadas para que os pequenos possam, com sua criatividade e imaginação, encantar ruas, praças, casas e escolas.

Mobilize sua comunidade, seu lugar, sua instituição, seu núcleo, sua família para participar dessa história. E compartilhe com a Aliança. Para saber mais, escreva para contato@aliancapelainfancia.org.br

Encontro com as Infâncias: As Crianças e a Cidade

A relação das crianças com a urbanidade e os diferentes espaços públicos: ocupação, apropriação e resignificação dos espaços nas cidades, o contato com a natureza e a criatividade de propostas voltadas para a infância.

Participação: Ana Estela Haddad (São Paulo Carinhosa), Irene Quintáns (Rede Ocara), Raiana Ribeiro (Cidade Escola Aprendiz) e Rodrigo Rubido (Instituto Elos).

Dia: 21 de Maio de 2016, sábado
Horário: 9h às 12h30
Local: UMAPAZ

Inscrições para o encontro, acesse aqui.

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Conheça os convidados:

Ana Estela Haddad é primeira-dama do município de São Paulo, coordenadora da São Paulo Carinhosa – política municipal que promove o desenvolvimento integral da primeira infância, desde o período da gestação – e professora livre docente de Odontopediatria da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (FOUSP).

Irene Quintáns é arquiteta urbanista. Trabalhou nas Prefeituras de Barcelona e São Paulo. Fundadora e diretora da Rede OCARA, rede latino-americana de experiências e projetos sobre cidade, arte, arquitetura, mobilidade urbana e espaço público nos quais participam crianças. Atualmente é consultora para projetos urbanos.

Raiana Ribeiro é jornalista formada pela PUC-SP. Atua como gestora do Programa Cidades Educadoras da Associação Cidade Escola Aprendiz, uma iniciativa que apoia e desenvolve ações estratégicas para o fortalecimento dessa agenda no Brasil. Também é editora do Portal Aprendiz, plataforma que produz e dissemina conteúdos relacionados à Educação, Território e Cidadania.

Rodrigo Rubido Alonso é arquiteto, co-fundador e diretor executivo do Instituto Elos – Brasil, organização que mobiliza, forma e estimula pessoas e comunidades para a ação coletiva orientada pelo propósito de “impulsionar o movimento de fazer acontecer já, o mundo que todos sonhamos”. É co-criador e facilitador do programa Guerreiros Sem Armas e do Jogo Oasis e atua também como consultor e palestrante internacional nas áreas da transformação social, liderança participativa e mobilização de comunidades.


Saiba mais sobre o Encontro com as Infâncias: 

O Mapa da Infância Brasileira (MIB), em parceria com a UMAPAZ, está organizando, a partir de 2016, a série ‘Encontros com as infâncias’.
Os encontros têm por objetivo promover rodas de conversas com especialistas versados nos diversos temas pulsantes na área da infância – as chamadas ‘rotas’ na comunidade do MIB – e diálogos com o público participante.
As rotas de aprendizagem e mobilização são temas emergentes e urgentes identificados pela comunidade do MIB: vozes, cidade, expressões, diversidade e transformação, temas dos cinco encontros que serão promovidos em 2016.

Programação dos encontros:

1º encontro – 19/03, sábado: Escuta de crianças e suas vozes
2º encontro – 21/05, sábado: As crianças e a cidade
3º encontro – 6/08, sábado: Expressões infantis
4º encontro – 24/9, sábado: Diversidade
5º encontro – 26/11, sábado: Transformação

Foto de capa: Projeto Cia Bambolística

Pela infância, as famílias precisam se engajar na defesa das áreas verdes

Qual é a relação entre a defesa dos direitos da infância e a proteção das áreas verdes nos espaços urbanos? Para o médico pediatra Daniel Becker essa ligação existe de forma concreta. Segundo ele, é preciso um esforço de toda a sociedade para garantir a conservação da natureza porque ela é uma condição básica para uma infância feliz, saudável e bem vivida. Becker, que é pioneiro no conceito da Pediatria Integral e referência quando o assunto é saúde na infância, participou da palestra “A medicalização da infância” no Sesc Palladium, em Belo Horizonte, no dia 12 de maio. O defensor do “brincar lá fora” falou para mães e pais sobre os desafios atuais para promover a saúde e o bem-estar das crianças, alertando para o consumismo de remédios, de tecnologia e de produtos não saudáveis.

A natureza e o brincar livre como remédios

Ao falar da atual situação das crianças que têm pouco tempo e espaço para brincar, estão imersas em um contexto que bombardeia com publicidade e consumismo e medicaliza de forma desnecessária a infância, o médico ressalta o dever de todos na garantia dos direitos de meninas e meninos.

Para transformar as carências da infância, na sua opinião, a saída é transformar a cidade, ocupar os espaços públicos e garantir o contato das crianças com as áreas verdes. Daniel frisa a importância das pessoas se engajarem nas causas ambientais porque são causas também ligadas à proteção da infância, do direito da criança de brincar, de sair do sedentarismo, e de viver em um ambiente saudável. “Uma infância mais feliz passa pelo engajamento das pessoas na defesa do verde e na transformação dos espaços públicos”, enfatizou o médico. “O contato com a natureza é poderoso. Nós precisamos de natureza. E o livre brincar das crianças depende da criação destes espaços e da preservação integral do verde que resta nas cidades”, afirma Becker.

Movimentos em defesa do verde

Sensibilizado com os movimentos em defesa do verde que acontecem por todo o Brasil, o pediatra fez um apelo para que uma área de 120 mil metros quadrados existente na capital mineira seja abraçada e defendida integralmente. “E aqui em Belo Horizonte tem um movimento acontecendo nesse momento tentando impedir que um espaço verde com Mata Atlântica e nascentes, fundamental para a cidade, seja destruído. A Mata do Planalto, na região norte da capital, corre o risco de virar 760 apartamentos, o que significa a destruição de metade desse espaço verde que é tão precioso para cidade”, alerta Daniel Becker.

Medicalização da vida

Por que a infância precisa ser medicalizada? A pergunta do médico pediatra Daniel Becker alerta para uma realidade preocupante. O uso abusivo de remédios para tratar transtornos de atenção em crianças por todo o país e os riscos que essa prática oferece. Ele explica que, em muitos dos casos, as crianças precisam apenas de atenção e de brincar livre.

“A publicidade usa a ciência da forma como quer para colorir os produtos com sabor científico. Essa prática do mercado leva ao aumento do consumo de suplementos, vacinas, remédios diversos e outros produtos considerados mágicos. É impressionante como vendemos remédios para pessoas saudáveis, como antidepressivos, ritalina etc.”, explica Becker.

Para ele, o processo de medicalização da vida começa no parto já que são vergonhosos os índices de cesárea no Brasil. “Depois, no início da vida, encontramos a amamentação ser substituída por fórmulas que concorrem com o leite materno, resultado da pressão da publicidade e de pediatras”, conta. Ele lembra como o conhecimento dito científico é hoje financiado por indústrias farmacêuticas, assim como todas as sociedades profissionais da área da Medicina em congressos e outras atividades de formação.

Mudança de hábito

“Remédio para criança vende igual água. E isso acontece sem pensarmos nos efeitos colaterais do uso de tais substâncias que, na maioria das vezes, é desnecessário”, explica. Para ele, o melhor que podemos oferecer para as crianças é a presença, o afeto, o limite necessário e o tempo e o espaço para brincar em contato com a natureza.

No debate com os participantes do evento, ficou claro que o desafio é grande já que as famílias estão ainda muito ligadas aos apelos da publicidade, aos aparelhos eletrônicos, aos passeios a shoppings e ao incentivo ao consumo. Para reverter esse quadro, Daniel Becker citou o trabalho de grupos como o Na Pracinha, de Belo Horizonte, que incentiva a ocupação de parques e praças pelas crianças, e de movimentos como a Rede Brasileira Infância e Consumo, Rebrinc, que reflete sobre o consumismo infantil.

Fonte: Rebrinc

Investimento da América Latina na primeira Infância: é preciso muito mais!

Já se sabe que investir na primeira infância traz uma gama imensa de vantagens ao desenvolvimento de um país: reduz-se a taxa de mortalidade infantil; amplia-se as condições de desenvolvimento da criança; as aprendizagens e as possibilidades de aprender até os 3 anos de idade são muito maiores do que em outras etapas do desenvolvimento. Além disso, cada dólar investido em programas de aprendizagem junto às crianças de baixa renda poderá resultar em retornos entre quatro e nove dólares para o país.

E poderíamos ampliar imensamente essa lista de vantagens. Porém, um estudo publicado em março pelo BID – intitulado “Os primeiros anos: o bem-estar infantil e o papel das políticas públicas” – aponta que o investimento feito pelos países da América Latina na primeira infância ainda é muito baixo, conforme indicam os números:

– o investimento em crianças até 5 anos é 3 vezes menor do que em crianças de 6 a 11 anos;

– o Brasil aparece em 2º lugar na lista, atrás do Chile;

– em 2012, o Brasil investiu US$ 641 por cada criança de até 5 anos, valor que equivale a cerca de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) e US$ 2.179 em crianças de 6 a 12 anos, cerca de 2,3% do PIB;

– O Chile, 1º colocado na lista dos países latino-americanos, no mesmo ano, investiu R$ 882 por criança até 5 anos (também 0,5% do PIB) e US$ 2.608 por criança entre 6 e 12 anos (1,7% do PIB nacional).

O estudo analisou investimentos que incluem educação, programas sociais, programas de orientação à família, transferências condicionadas de renda e benefícios em espécie. Ao final, “a publicação reconhece que houve melhoras nos últimos anos nas condições das crianças”. No Brasil, de 2004 a 2012 houve um aumento de 7% em investimentos em saúde, educação e proteção social.

Porém, como também apresenta a publicação: “Apesar da expansão das alocações orçamentárias, os gastos para a infância ainda são insuficientes não só para financiar uma oferta adequada de serviços de alta qualidade, mas também para sustentar os elementos institucionais que garantem a qualidade, equidade e sustentabilidade.”

Importa, então, estarmos informados e cobrarmos cada vez mais saúde, educação, proteção e demais serviços de qualidade para a primeira infância.

Informações extraídas de agencia.brasil.ebc

Tudo sobre Asma

Quem não conhece alguém que tem asma? Você saberia o que fazer caso alguém tivesse uma crise próximo a você? É verdade que bombinha faz mal ao coração? No site “Tudo sobre Asma”, essa e outras perguntas são respondidas. Contando com ilustrações divertidas, crianças e adolescentes podem aprender sobre o que é asma, o que são “gatilhos” da asma, conferir a animação que conta o que fazer caso um amigo tenha uma crise, entre outras questões.

Feito pela equipe do Telessaúde Uerj, o projeto contou com a participação de uma médica especialista em pneumologia pediátrica e dois adolescentes, alunos de Iniciação Científica Júnior, que fizeram uma pesquisa sobre asma e um levantamento das principais dúvidas.

Confira! http://tudosobreasma.telessaude.uerj.br/