Oficina de Desenho: Histórias da Infância

De 30 abril a 31 de julho de 2016, o MASP realiza oficinas de desenho para crianças, ministradas por 14 artistas atuantes no cenário brasileiro, alguns com obras no acervo do MASP ou que integram Histórias da infância.

Parte do programa da exposição, cada oficina tem duração de 2 dias e acontece sempre aos sábados e domingos, das 15h às 17h.

As oficinas são gratuitas, sendo necessária inscrição prévia. As crianças participantes e um acompanhante tem acesso gratuito às exposições do MASP nos dias das oficinas.

Artistas participantes: Rivane Neuenschwander, Cinthia Marcelle, Lais Myrrha, Paulo Nazareth, Nicolás Robbio, Ibã Huni Kuin + Bane Huni Kuin + Mana Huni Kuin + Amilton Mattos, Thiago Honório, Marcius Galan, Beatriz Milhazes, Yuri Firmeza, Thiago Martins de Melo, Laura Lima, Jarbas Lopes e Ernesto Neto (a confirmar).

Oficina de desenho: Histórias da infância, com Rivane Neuenschwander
Para crianças de 5 a 8 anos
Dia 30 de abril e 1 de maio, das 15h às 17h
Inscrições encerradas

Rivane Neuenschwander abordará a ideia de assombração. Ela utilizará materiais e técnicas que se relacionam com o espectral, a revelação, o des/aparecimento, o segredo e o disforme.

Oficina de desenho: Histórias da infância, com Cinthia Marcelle
Para crianças de 7 a 10 anos
Dia 7 e 8 de maio, das 15h às 17h
Inscrições encerradas

A oficina reúne um conjunto de dinâmicas lúdicas (individuais e coletivas). Toma como base o desenho de linha e tem como objetivo a invenção/desconstrução de imagens a partir dos conceitos de figuração e abstração.

Oficina de desenho: História da infância, com Lais Myrrha
Para crianças de 8 a 12 anos
Dia 14 e 15 de maio, das 15h às 17h
Inscrições em breve

A partir de dois passeios pelo MASP, um em cada dia da oficina, as crianças serão convidadas a realizarem exercícios narrativos e cromáticos, em torno de algumas obras do acervo, por meio do desenho.

Local: hall do 1º andar
Entrada gratuita. Vagas limitadas.

Documentário mostra por que cuidar dos bebês é cuidar dos adultos

Bebês fofos, crianças engraçadas, pais e avós afetuosos. Com personagens como esses, as chances de erro de qualquer filme no quesito comoção são remotas. Assim, não é de espantar que O começo da vida, da cineasta Estela Renner, não erre. O filme viaja por 9 países mostrando rostinhos, sorrisos e balbucios que transportam o espectador a um estado de absorção completa. O que não significa que esse seja o principal mérito do documentário que estreia em 5 de maio em circuito nacional. Longe disso. O começo da vida consegue exibir, em 90 minutos, os principais especialistas do mundo em desenvolvimento infantil intercalados com os depoimentos de famílias, de forma leve, informativa e envolvente. É um filme obrigatório não só para quem tem filhos, sobrinhos e netos, mas para qualquer um que se importe com o desenvolvimento humano e se incomode com a desigualdade de oportunidades – que começa na mais tenra infância.

O começo da vida foi produzido com um objetivo claro: levar para o maior número possível de pessoas, de todo o mundo, o argumento de que os cinco primeiros anos da vida de uma criança são vitais para o adulto que ele será. “Durante seus primeiros 60 meses, a criança aprende mais do que aprenderá em toda a sua vida”, diz o prêmio Nobel James Heckman. Esse seria o período do big bang do cérebro humano. Por isso, cuidar do desenvolvimento dos pequenos seria tão importante.

À medida que renomados cientistas, como Heckman, apresentam seus argumentos, o peso de quem assiste e tem filhos (ou pensa em ter) aumenta. Se o que a criança aprende nesse período é tão determinante para o futuro, os pais têm uma responsabilidade sobre-humana – é o que parece. Os mesmos especialistas aliviam a tensão. A receita para cuidar desse período é simples. A criança precisa de atenção, afeto e tempo para brincar, interagir e descobrir o mundo à sua maneira. Pais amorosos, com bom senso, são recursos suficientes para que os pequenos aprendam a voar. Ao que parece, o filme apresenta então o não-problema. Infelizmente, não.

A começar pelo mais óbvio (nem por isso menos grave): as famílias em situação de pobreza extrema. Entre elas, os problemas de falta higiene, saúde, comida e segurança existem. Tudo isso interfere no desenvolvimento da criança. Ainda assim uma família unida, capaz de dar afeto e de garantir a sensação de segurança, tem efeito milagroso na vida dessas crianças. A questão é que em situações extremas, a existência de famílias desestruturadas é uma realidade muito mais comum do que pode parecer. Mais do que isso, muitas vezes, a configuração tradicional de família existe, com pais e irmãos vivendo sob o mesmo teto, mas com referências de afeto e educação completamente diversas do senso comum.

Violência doméstica, uso de drogas, desrespeito verbal dentro de casa e/ou na vizinhança são constantes em circunstâncias de fragilidade extrema. Se o bebê assimila rapidamente até o traquejo de seus cuidadores, de que forma ele absorve esse ambiente? Com a mesma rapidez e eficiência.Uma criança que vê um de seus pais ou irmãos agredindo o outro pode entender essa atitude como um jeito aceitável de se relacionar. Além da questão dos dramas pessoais, absolutamente tristes, do ponto de vista social esse contexto tem um potencial catastrófico. Para cada adulto muito pobre, há 65 crianças na mesma situação, aprendendo com os exemplos que as cercam. Esse não é um dado que aparece no filme. É uma informação da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). O que está no filme é a lembrança de que para cuidar da criança é preciso cuidar dos adultos. “Os bebês não são criados pelo governo ou pela escola, mas por pessoas. São elas que precisam de ajuda para ajudá-las”, diz Alison Gopnik, da Universidade Columbia, nos Estados Unidos. Ajudar os adultos é contribuir para que essas crianças cresçam de forma saudável e consigam quebrar o ciclo da criança que sai do nada, cresce com nada e segue para o nada.

_IMG_1982_

Longe dos locais de maior vulnerabilidade, a questão central é como estar mais perto dos filhos. A Dinamarca com sua licença maternidade de 1 ano, divisível entre pai e mãe, aparece em contraponto a depoimentos de pais americanos que, a muito custo, conseguiram dois meses em casa. Amamentação, contato com a natureza, o papel dos avós. O universo que ronda as crianças é discutido entre especialistas enquanto a tela mostra o dia a dia de crianças no Brasil, na China, na Índia, na Dinamarca, na Argentina, no Quênia, nos Estados Unidos, na França e no Canadá.

Um dos feitos de Estela Renner, que escreveu o roteiro e dirigiu o filme, é apresentar mesmo os pontos mais delicados de forma eficiente sem pesar a mão. O tom geral é de esperança. Essa foi uma escolha consciente da cineasta e das instituições que participaram da produção. A ideia inicial partiu da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal , que desde 2006 dedica-se a pesquisas e ações voltadas para a primeira infância. O orçamento de R$ 1 milhão foi dividido entre os parceiros que toparam a empreitada junto com ela: o Instituto Alana e a Fundação Bernard van Leer. A Unicef abraçou o projeto como parceiro estratégico. O filme será exibido em universidades fora do país, como Harvard e Columbia; será apresentado em todos os escritórios da Unicef no mundo e ficará disponível, com legendas em 22 idiomas, pela Netflix, pelo Itunes e pela Videocamp. No Brasil, além do circuito comercial de todas as capitais, ele será exibido em 2 mil municípios e em diversos pontos da Amazônia. A Maria Farinha, produtora do filme que pertence ao Instituto Alana, preparou 80 clipes para serem distribuídos pela internet. Com o abundante material dos três anos de pesquisas, foi também montada uma série com seis episódios, ainda sem data de transmissão nem canal certo. O objetivo é que a série se aprofunde em alguns dos pontos tratados no longa.

As chances de que O começo da vida viralize é grande. Mesmo quem não se importe com nenhum dos temas relacionados aos primeiros anos de infância pode querer assisti-lo simplesmente pela fofura extrema. E por que não?

Imagens: Cenas do filme O Começo da Vida, de Estela Renner (Fotos: Divulgação)

Fonte: http://epoca.globo.com/vida/noticia/../wp-content/uploads/../wp-content/uploads/2017/06/documentario-mostra-por-que-cuidar-dos-bebes-e-cuidar-do…

Brincar e reencantar a infância

Semana Mundial do Brincar: sempre uma nova oportunidade para levar o brincar a todos os cantos e esconderijos das vidas das crianças. Brincar vai muito além de uma ação, de uma atividade, experiência, um tempo ou um lugar. Brincar é possibilidade de ser, de expressar-se, de compartilhar, de descobrir, de viajar a outros mundos, de reencantar a vida!

Quantas e quantas gerações de crianças viveram histórias de brincadeiras e brincares que ficaram impregnadas nas suas memórias, nos seus corpos, nos seus seres e saberes? Brincares que nos constituem na nossa humanidade, no ser em que cada um de nós se tornou por ter tido a oportunidade de brincar.

E por mais carente de oportunidades de brincar que tenha sido qualquer criança, todas – sim, todas! – tiveram brechas nas suas vidas para viver plenamente o que hoje se defende como um direito da infância.

VIVENDO INFÂNCIAS DE FORMA AUTORAL
E SIGNIFICATIVA

Criaram-se leis, estudos, pesquisas, eventos, movimentos, campanhas, dias e semanas dedicadas a um fenômeno tão básico como o brincar, por ele ter perdido espaços e tempos nos cotidianos das crianças. As mais novas gerações foram privadas dessa vivência, que é absolutamente orgânica, necessária e constitutiva de qualquer ser humano. Em detrimento do quê? De um sistema social e educacional pressionar e se adiantar a processos, aprendizagens; querer hiperestimular as crianças sem respeitar os tempos, as escolhas e os ritmos de cada uma delas. Ansiosos como somos, nós, adultos, nos precipitamos em oferecer uma parafernália de objetos, brinquedos, apetrechos, tecnologias e estímulos – muitas vezes, inadequados –, tirando das crianças possibilidades de viverem suas infâncias de forma plena, autêntica, autoral e significativa.

O que é o brincar que encanta o lugar que a Aliança pela Infância propõe nesta Semana Mundial do Brincar 2016? É o autêntico encantamento que a linguagem do brincar propõe, das formas mais simples, inusitadas, espontâneas e muito profundas nas vidas das crianças.

É o brincar que propicia o sonho e a fantasia, o brincar que alimenta as almas e corpos infantis, o brincar que potencializa a possibilidade de tantas aprendizagens e trocas: é este o brincar que poderá reencantar as vidas das crianças de hoje.

Adriana Friedmann é Doutora em Antropologia (PUC), mestre em Metodologia do Ensino (Unicamp) e pedagoga (USP), coordenadora do NEPSID – Núcleo de Estudos e Pesquisas em Simbolismo, Infância e Desenvolvimento, co-fundadora da Aliança pela Infância e criadora do Mapa da Infância Brasileira.

Diálogos do Brincar: A voz da criança

A série ‘Diálogos do Brincar‘ é uma iniciativa correalizada pelo Projeto Território do Brincar e pelo Instituto Alana. Tem periodicidade mensal e ocorrerá entre fevereiro e novembro de 2016, com a participação de diversos especialistas, que debaterão temas que tocam a infância, a educação e o brincar.

A 3ª videoconferência já tem data e horário marcados! Acontecerá no dia 28 de abril às 19h (horário de Brasília), sobre o tema ‘A voz da criança’ e terá como convidada a antropóloga e educadora Adriana Friedmann.

Para acompanhar ao vivo, acesse este link: http://bit.ly/20nGajM

Sobre Adriana Friedmann:
Doutora em Antropologia, mestre em Educação e Pedagoga. Especialista, palestrante e consultora nas temáticas da infância e do brincar. Criadora e coordenadora do MIB (Mapa da Infância Brasileira) e do NEPSID (Núcleo de Estudos e Pesquisas em Simbolismo, Infância e Desenvolvimento). Coordenadora e docente de cursos de Pós Graduação. Autora de vários livros na área, dentre eles, “Linguagens e culturas infantis”, “O desenvolvimento da criança através do brincar” e “A arte de brincar”.

Como são as prateleiras de brinquedos? Cadê nossa boneca?

Há alguns anos, durante uma arrecadação de brinquedos para doação, em Salvador, três amigas – Ana Marcilio, Mylene Alves e Raquel Rocha – receberam bonecas de diversas marcas, variados tamanhos, mas com uma semelhança: todas eram brancas. Juntas, elas se deram conta de que faltavam bonecas que retratassem a diversidade da nossa população. Faltavam bonecas negras. Assim, nasceu a campanha “Cadê nossa boneca?”. Uma iniciativa da Avante, sem ligação com empresa do segmento de brinquedos e sem fins lucrativos.

Saiba mais: http://goo.gl/KagTIo

Você se reconhece? Cadê nossa boneca?

Há alguns anos, durante uma arrecadação de brinquedos para doação, em Salvador, três amigas – Ana Marcilio, Mylene Alves e Raquel Rocha – receberam bonecas de diversas marcas, variados tamanhos, mas com uma semelhança: todas eram brancas. Juntas, elas se deram conta de que faltavam bonecas que retratassem a diversidade da nossa população. Faltavam bonecas negras. Assim, nasceu a campanha “Cadê nossa boneca?”. Uma iniciativa da Avante, sem ligação com empresa do segmento de brinquedos e sem fins lucrativos.

Saiba
mais:  http://goo.gl/KagTIo

Exposição Brinquedos à Mão

Entre os dias 26 de abril e 26 de junho, o Palacete das Artes recebe a exposição “Brinquedos à Mão – Coleção Sálua Chequer”. De terça a sexta, das 13h às 19h, e sábado e domingo, das 14h às 19h, o público pode conferir mais de mil objetos utilizados pela infância de antigamente e ainda muito presentes nas comunidades interioranas do nordeste brasileiro. A entrada é Catraca Livre.

O acervo pertence a Sálua Chequer, colecionadora e pesquisadora de cultura popular, que assina a curadoria da mostra com o artista visual Zé de Rocha.

As peças foram coletadas ao longo dos últimos 30 anos, durante pesquisas de campo em diversas cidades do interior e nas capitais de estados do nordeste. Os brinquedos foram adquiridos por artesãos, presenteados por amigos e garimpados em feiras livres nos estados da Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Ceará e Piauí.

As crianças que forem à exposição podem brincar no espaço chamado Cantinho do Brincar, com objetos lúdicos como cinco marias, pula corda, bolinhas de gude, piões, dentre outros.

Oficinas

Até o dia 26 de junho, em todos os domingos dos meses, acontecem oficinas de pinturas, roupinhas para bonecos e de confecção de brinquedos com material reciclável e atividades lúdicas como contação de histórias e recreação com brincantes para o público infantil, a partir das 15h.

A oficina aborda o valor das brincadeiras, cantigas, parlendas e estórias na formação da criança, além da possibilidade de associar este universo com outras áreas do conhecimento, como a literatura. São três turmas, com encontros que acontecem em três sábados, no horário de 14h às 17h.

Cada turma tem 30 vagas, em um total de 90 participantes, mediante inscrição, que é realizada pela internet no endereço: http://migre.me/tzM2h a partir do dia 26 de abril. A seleção acontece por ordem de inscrição e os participantes devem levar um quilo de alimento não perecível no dia da oficina.

Programação das oficinas:

30/04: Brinquedoteca itinerante e oficina de construção de brinquedo com Socrates Cortes
08/05: Oficina de confecção de roupinhas de bonecos e bonecas com Sálua Chequer e Igor Reis
15/05: Oficina pintar é brincar com Nilzete Araújo
22/05: Oficina de fantoches com material reaproveitavel com grupo Ereotá
29/05: Cantigas de roda e brincadeiras com Sálua Chequer e Zé de Rocha
05/06: Oficina de cordel com Sérgio Bahialista
12/06: Oficina de arte e bolhas de sabão com Camila Govas
19/06: Oficina de construção de pipas
26/06: Contação de histórias “essa toalha tem estória” com Sálua Chequer e Igor Reis

Palacete das Artes Rodin Bahia
http://www.palacetedasartes.ba.gov.br/
Largo da Graça, 289 – Graça – Sul – Salvador
(71) 3117-6987

Diariamente de 26/04 (Ter) a 26/06 (Dom)
das 14:00 às 19:00
de 26/04 a 26/06
Terças, Quartas, Quintas e Sextas das 13:00 às 19:00

MIB entrevista Mônica Borba, diretora da UMAPAZ

Mônica Pilz Borba , diretora da UMAPAZ – Universidade Aberta do Meio Ambiente e Cultura de Paz, relata em entrevista prazerosa momentos de sua infância e como vê a infância hoje, sua trajetória e a parceria estabelecida com o Mapa da Infância Brasileira.
  
O próximo Encontro com as Infâncias, fruto desta parceria, ocorrerá dia 21 de maio na UMAPAZ, e o tema é A Criança e a Cidade.

Notícias para crianças na TV

A diretora de operações da Free Press Unlimited, Ruth Kronenburg, concedeu entrevista especial ao comKids em sua visita ao Brasil para celebrar o lançamento do Repórter Rá Teen Bum, que estreia temporada de exibição na TV Rá Tim Bum. Os temas principais da conversa foram o histórico e a atuação dessa organização holandesa no mundo e na América Latina, democracia e princípios que justificam a esforçada luta por uma mídia mais independente para crianças. Vale a pena conferir!

Leia a entrevista completa abaixo.

C- Por que a Free Press Unlimited vê que é importante dedicarmos os nossos olhares às crianças?

R – Existem duas razões. Primeiro, nós pensamos que as crianças, especialmente, são o futuro. Elas são o futuro próximo, um futuro bastante próximo. E, se olharmos para o mundo hoje em dia, nós esperamos um futuro melhor. E um futuro melhor pode apenas se tornar realidade quando as crianças estão bem informadas, quando elas têm acesso a informações confiáveis.

C – Você poderia nos contar um pouco sobre o início desse projeto, sobre o início da Free Press?

R – O começo da Free Press foi no início dos anos 80, ela era chamada Free Voice, e uma outra organização era a Press Now. Nós também tínhamos os componentes em treinamento RNTC. Os diretores decidiram se fundir, e como resultado disso, surgiu a Free Press Unlimited em 2011. Nós nos concentramos em desenvolvimento de mídia, especialmente em países repressivos e frágeis. Free Voice é uma das predecessoras da Free Press Unlimited e eles começaram a KNN (Kids News Network). Depois da fusão, nós herdamos esse programa, vimos seu potencial, e quisemos expandi-lo. Naquela época, e falo de 2011 – 2012, nós estávamos apenas em quatro ou cinco países. Hoje nós estamos em 15 países.

C – Antes do Wadada, a organização tinha realizado alguma ação na América Latina?

R – Sim, nós também tivemos envolvimento no México (e ainda somos bastante ativos lá), no Peru, na Colômbia. Mas isso era basicamente em projetos de liberdade de imprensa. No México nós estabelecemos uma plataforma de “leak”, de forma que denunciantes, pessoas com informações vitais para o país, pudessem “vazar” documentos de uma forma extremamente segura, até mesmo o jornalista não sabe quem o denunciante é. E nós protegemos também os jornalistas dessa forma. É uma plataforma digital segura e de duas vias.

C – E o Brasil?

R – Eu acho que o Brasil está pronto para uma plataforma de “leaks” (risos), “Brasil leaks”. No México, ela se chamava “México Leaks”… bem, vocês podem me ligar a qualquer hora, que eu volto! Nós estamos olhando também para iniciar isso na Colômbia e em El Salvador. Lá queremos estabelecer uma plataforma “leak” também… porque os jornalistas hoje em dia são vistos mais como um alvo. Antigamente, eles eram protegidos pela palavra “imprensa” em seus coletes à prova de balas. Mesmo em situações de guerra ou em demonstrações de violência, eles eram deixados em paz. Hoje em dia, eles se tornaram alvos. Nós registramos vários casos nos quais os fotógrafos foram, enfim, baleados no olho, de uma forma que não pudessem mais fazer seus trabalhos. É uma estratégia para silenciar o jornalista. O que nós também fazemos é desenvolver ferramentas para que os jornalistas trabalhem de uma forma segura. Essa é uma parte grande do que fazemos, porque, como disse, nós trabalhamos em países frágeis e repressivos. Mas também em países onde há liberdade de imprensa, ou pelo menos onde ela é chamada assim, e mesmo assim jornalistas estão sob ameaça.

C – Conhecer outras culturas, conhecer além de suas vizinhanças. São esses os benefícios que as crianças que assistem os programas de vocês recebem?

R – É como uma janela aberta para o mundo! Eles mostram a eles que eles não são os únicos que sofrem com os problemas deles. De fato, uma criança de sua própria idade, do outro lado do mundo, tem exatamente os mesmos problemas. Isso faz com que elas possam se identificar com outras culturas. Isso é muito importante para o desenvolvimento futuro deles. Eu acho importantíssimo que elas aumentem suas visões a respeito do que é o mundo, que elas libertem as suas mentes.

C – Você vê alguma coisa em comum nas produções Wadada dos países latino-americanos?

R – Nós estamos muito presentes na América Latina, graças ao Jan-Willem Bult (chefe da área infantil da Free Press). Nós temos o show no Peru, na Nicarágua, na Bolívia, agora no Brasil, em Suriname. E esperançosamente a Argentina e a Colômbia também vão se unir a nós. E o que nós vemos em nossas reuniões anuais, quando nos juntamos e trocamos informações, é que é muito importante que todos os programas possam de fato trocar experiências, informações, problemas… Eu acho que é vital para as crianças latino-americanas. Imagem do destaque: menino concede entrevista à KNN em Moçambique (extraído de freepressunlimited.org , foto: Joris Marseille).

Imagem extraída
de freepressunlimited.org,
foto: Joris
Marseille
Fonte: http://comkids.com.br/noticias-para-criancas-na-tv/