Pequenos notáveis: a superexposição na infância

A internet nos traz cada vez mais exemplos de crianças que ficam famosas por suas habilidades precoces. Mas será que toda essa atenção e reconhecimento valorizam de fato a infância? E nós como, adultos, devemos permitir essa exposição?

O lugar ocupado pela criança em nossa sociedade é algo bastante complexo. Há um olhar cada vez mais atento ao que é específico da infância e às necessidades e particularidades desse momento de vida. Ao mesmo tempo, existe também a perspectiva que enxerga na criança um pequeno consumidor, cujas realizações só são valorizadas à medida que se aproximam das habilidades adultas.

Nesse contexto, muitas crianças têm se destacado na internet por sua precocidade: há os pianistas mirins, os pequenos pensadores, as modelos infantis… Uma série de mini-prodígios que se sobressaem por capacidades que não são próprias de sua idade. Adultos deslumbrados observam essas “estrelas” com fascínio e admiração. Mas será que isso faz bem para essas crianças? Será que a fama, a exposição ou mesmo o investimento nessas habilidades específicas favorecem seu desenvolvimento?

O jornal O Estado de S. Paulo trouxe à tona esta discussão num conjunto de duas matérias intitulado “Infância Deletada”, publicadas no caderno Aliás em fevereiro de 2015. Em “O peso de ser criança”, Ana Lúcia Villela, uma das fundadoras do Instituto Alana, comenta sobre os efeitos negativos da superexposição na infância. Ao longo da entrevista, ela conta que, em nosso país, não é apenas o critério da família que influencia nas decisões acerca do bem estar da criança. Segundo Ana Lúcia, nossa Constituição assegura que a infância seja protegida também pelo Estado e pela sociedade: “Aqui a criança é de todo mundo, como se fosse da aldeia. É dever de todos cuidar, proteger e fazer com que a criança se desenvolva de uma forma saudável.”

A segunda matéria do conjunto, “As pedrinática pira”, comenta o caso de MC Pedrinho, menino de 12 anos que se tornou funkeiro reconhecido. As letras de suas músicas, recheadas de conteúdos sexuais, fazem sucesso no YouTube e nos shows do garoto. Cada apresentação rende cerca de R$ 5 mil por madrugada, em várias cidades do Brasil. Mas será que a família de Pedrinho e os produtores e marqueteiros dessa criança estão de fato permitindo que o menino se desenvolva e cresça de modo saudável? Que tempo essa criança tem para brincar, estudar e encontrar os amigos? Como lida com as viagens constantes, a ansiedade antes dos shows e as noites mal dormidas? O que aprende ao viver essas situações do universo adulto?

A partir dessas situações e problemáticas levantadas pelas matérias do Estado de S. Paulo, propomos algumas reflexões: A exposição precoce pode ser prejudicial? A criança deve ser apenas responsabilidade da família? Ou a sociedade e o Estado devem ajudar a garantir seus direitos?

O desenho e o desenvolvimento das crianças

“Sabia que eu sei desenhar um cavalo? Ele está fazendo cocô.”
“Vou desenhar aqui, que tem espaço vazio.”
“O cavalo ficou escondido debaixo disso tudo!” Joana, 3 anos

Reprodução/Agradecimento Creche Central da Universidade de São Paulo (USP)

No início, o que se vê é um emaranhado de linhas, traços leves, pontos e círculos, que, muitas vezes, se sobrepõem em várias demãos. Poucos anos depois, já se verifica uma cena complexa, com edifícios e figuras humanas detalhados. O desenho acompanha o desenvolvimento dos pequenos como uma espécie de radiografia. Nele, vê-se como se relacionam com a realidade e com os elementos de sua cultura e como traduzem essa percepção graficamente.

Toda criança desenha. Pode ser com lápis e papel ou com caco de tijolo na parede. Agir com um riscador sobre um suporte é algo que ela aprende por imitação – ao ver os adultos escrevendo ou os irmãos desenhando, por exemplo. “Com a exploração de movimentos em papéis variados, ela adquire coordenação para desenhar”, explica Mirian Celeste Martins, especialista no ensino de arte e professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie. A primeira relação da meninada com o desenho se dá, de fato, pelo movimento: o prazer de produzir um traço sobre o papel faz agir.

Os rabiscos realizados pelos menores, denominados garatujas, tiveram o sentido ampliado sob o olhar da pesquisadora norte-americana Rhoda Kellogg, que observou regularidades nessas produções abstratas (veja no topo da página o desenho de Joana, 3 anos, e sua explicação). Observando cerca de 300 mil produções, ela analisou principalmente a forma dos traçados (rabiscos básicos) e a maneira de ocupar o espaço do papel (modelos de implantação) até a entrada da criança no desenho figurativo, o que ocorre por volta dos 4 anos.

No período de produção de garatujas, ocorre uma importante exploração de suportes e instrumentos. A criança experimenta, por exemplo, desenhar nas paredes ou no chão e se interessa pelo efeito de diferentes materiais e formas de manipulá-los, como pressionar o marcador com força e fazer pontinhos. Essa atitude de experimentação tem valor indiscutível na opinião de Rhoda: “Para ela ‘ver é crer’ e o desenho se desenvolve com base nas observações que a criança realiza sobre sua própria ação gráfica”, ressalta Rosa Iavelberg, especialista em desenho e docente da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), no livro O Desenho Cultivado da Criança: Práticas e Formação de Educadores. Esse aprendizado durante a ação é frisado pela artista plástica e estudiosa Edith Derdyk: “O desenho se torna mais expressivo quando existe uma conjunção afinada entre mão, gesto e instrumento, de maneira que, ao desenhar, o pensamento se faz”.

De início, a criança desenha pelo prazer de riscar sobre o papel e pesquisa formas de ocupar a folha.

Com o tempo, a criança busca registrar as coisas do mundo

Uma das principais funções do desenho no desenvolvimento infantil é a possibilidade que oferece de representação da realidade. Trazer os objetos vistos no mundo para o papel é uma forma de lidar com os elementos do dia a dia. “Quando a criança veste uma roupa da mãe, admite-se que ela esteja procurando entender o papel da mulher”, explica Maria Lúcia Batezat, especialista em Artes Visuais da Universidade Estadual de Santa Catarina (Udesc). “No desenho, ocorre a mesma coisa. A diferença é que ela não usa o corpo, mas a visualidade e a motricidade.” Esse processo caracteriza o desenhar como um jogo simbólico (veja abaixo o comentário de Yolanda, 5 anos, sobre seu desenho).

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“Esse aqui não é um coelho. Não me diga que é um coelho porque é um boi bebê. Eu estou fazendo uma galinha que foi botar ovo no mato. Quer dizer, uma menina que foi pegar plantas no mato para dar ao marido.” Yolanda, 5 anos

Muitos autores se debruçaram sobre as produções gráficas infantis, analisando e organizando-as em fases ou momentos conceituais. Embora trabalhem com concepções diferentes e tenham chegado a classificações diversas, é possível estabelecer pontos em comum entre as evolutivas que estabelecem. Pesquisadores como Georges-Henri Luquet (1876-1965), Viktor Lowenfeld (1903-1960) e Florence de Mèridieu oferecem elementos para a compreensão dos desenhos figurativos das crianças, destacando algumas regularidades nas representações dos objetos.

Desenhar é uma forma de a criança lidar com a realidade que a cerca, representando situações que lhe interessam.

Mais cedo ou mais tarde, todos os pequenos se interessam em registrar no papel algo que seja reconhecido pelos outros. No começo, é comum observar o que se convencionou chamar de boneco girino, uma primeira figura humana constituída por um círculo de onde sai um traço representando o tronco, dois riscos para os braços e outros dois para as pernas. Depois, essa figura incorpora cada vez mais detalhes, conforme a criança refine seu esquema corporal e ganhe repertório imagético ao ver desenhos de sua cultura e dos próprios colegas.

Uma das primeiras pesquisas dos pequenos, assim que entram na figuração, é a relação topológica entre os objetos, como a proximidade e a distância entre eles, a continuidade e a descontinuidade e assim por diante. Em seguida, eles se interessam em registrar tudo o que sabem sobre o modelo ao qual se referem no desenho, e é possível verificar o uso de recursos como a transparência (o bebê visível dentro da barriga mãe, por exemplo) e o rebatimento (a figura vista, ao mesmo tempo, por mais de um ponto de vista). Assim, a criança se aproxima das noções iniciais de perspectiva e escala, estruturando o desenho em uma cena, sem misturar na mesma produção elementos de diferentes contextos (veja abaixo a produção de Anita, 5 anos, que detém essas características).

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“Vou desenhar a minha casa. Aqui é o portão e tem uma janela aqui.” Anita, 5 anos
“Dá para ver a sua mãe dentro de casa?” Repórter
“Não, porque a porta parece um espelho. Só daria se a janela estivesse aberta.” Anita

O desenho é espontâneo ou é fruto da cultura?

Entre os principais estudiosos, há uma cizânia. Há os que defendem que o desenho é espontâneo e o contato com a cultura visual empobrece as produções, até que a criança se convence de que não sabe desenhar e para de fazê-lo. E há aqueles que depositam justamente no seu repertório visual o desenvolvimento do desenho. Nas discussões atuais, domina a segunda posição. “A única coisa que sabemos ser universal no desenho infantil é a garatuja. Todo o resto depende do contexto cultural”, diz Rosa Iavelberg.

Detalhes da figura humana, noções de perspectiva e realismo visual são elementos da evolução do desenho.

Essa perspectiva não admite o empobrecimento do desenho infantil, mas entende que a criança reconhece a forma de representar graficamente sua cultura e deseja aprendê-la. Assim, cai por terra o mito de que ela se afasta dessa prática quando se alfabetiza. “O desenho é uma forma de linguagem que tem seus próprios códigos”, diz Mirian Celeste Martins. “Para se aproximar do que ele expressa, é preciso fazer uma escuta atenta enquanto ele é produzido.” Para Mirian, a relação entre a aquisição da escrita e a diminuição do desenho ocorre porque a escola dá pouco espaço a este quando a criança se alfabetiza – algo a ser repensado em defesa de nossos desenhistas.

* Os desenhos e os diálogos publicados nesta reportagem são de crianças de 3 a 5 anos da Creche Central da Universidade de São Paulo (USP)

BIBLIOGRAFIA
O Desenho Cultivado da Criança: Práticas e Formação de Educadores, Rosa Iavelberg, 112 págs., Ed. Zouk, tel. (51) 3024-7554, 23 reais
Tratado de Psicologia Experimental, vol. 8, Paul Fraisse e Jean Piaget, 313 págs., Ed. Forense, tel. (11) 4062-5152 (edição esgotada)

Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/formacao/rabiscos-ideias-desenho-infantil-garatujas-evolucao-cogni…

Oficina de Yoga para Crianças

20 de fevereiro de 2016, sábado, 15h a 16h30.

A prática de Yoga tem como propósito auxiliar a criança a crescer de modo harmonioso e saudável, para desfrutar de modo pleno o mundo que começa a conhecer.

O Yoga para crianças auxilia no desenvolvimento de um corpo forte e flexível, prevenindo problemas posturais e melhorando o equilíbrio e coordenação motora. Proporciona às crianças experiências de relaxamento e calma, maior consciência corporal e respiratória, utilizando estratégias que respeitem o universo lúdico infantil sem desrespeitar o conhecimento tradicional da Yoga.

Objetivo
– Apresentar à criança a cultura do Yoga oferecendo práticas adaptadas ao mundo infantil.
– Introduzir os ásanas (posturas psico físicas), que imitam os animais e a natureza, respeitando a realidade motora e sensorial da criança.
– Proporcionar o contato com a respiração de forma lúdica.
– Iniciar a criança nas práticas de centramento e relaxamento adequadas à sua faixa etária.
– Abordar temas como honestidade e não violência por meio do diálogo e de histórias que relatem essas virtudes. Num ambiente lúdico, elas aprendem os valores na prática, bem como o respeito e a boa convivência no trabalho em grupo.

Docentes
Márcia Prieto é professora de Yoga na Palas Athena. Pedagoga, formada em Yoga pela FMU em 2001. Durante quatro anos, trabalhou como voluntária na Fundação Casa. Desde 2012 dá aulas de Yoga para crianças da Educação Infantil, Ensino Fundamental I e II.

Flávia Hernandes Bernini é professora de Yoga na Palas Athena, formada em Yoga pela FMU, foi voluntária na fundação Casa e no Abrigo Marly Cury e desde 2009 dá aula para crianças na Escola Dominical e realiza oficinas para crianças em condomínios.
Atividade para crianças de 5 a 12 anos.

Construindo uma cultura da ética para as infâncias

Inúmeros segmentos da sociedade civil vêm lançando luz sobre a área da infância e das crianças. Pais, mães e famílias; psicólogos, educadores e gestores; políticos, profissionais da área da saúde, economistas, empresários e investidores; advogados e arquitetos; gestores culturais, artistas, músicos, profissionais do terceiro setor, de mídia & marketing; produtores culturais nas áreas do cinema, teatro, fotografia, música, literatura infantil e outros espaços lúdicos; estudos, pesquisas e publicações sobre crianças; prêmios, editais, concursos. Enfim, uma lista imensa de atores e segmentos sociais que, a partir de estudos, publicidade, interesses específicos e toda a informação e conhecimento disponíveis, têm colocado o tema da infância e das crianças como prioridade, bandeira e até modismo.

Citemos alguns dos variados aspectos e objetos de interesse que pautam tais agendas: qualidade de vida, a importância de espaços livres e junto à natureza, consumismo e propaganda imprópria, hiperestimulação, pressão escolar precoce, agendas sobrecarregadas, hipnotismo e horas em frente a telinhas de todo tipo, terceirização do cuidado, falta de referências quanto à educação e falta de segurança em inúmeros contextos e situações; alimentação e doenças que afetam gerações contemporâneas; reflexão e busca de um equilíbrio entre o tempo livre e o tempo direcionado na vida das crianças.

Seguem ainda a participação, escuta e observação de crianças em diversos fóruns, o discurso da importância do brincar, das artes e do movimento – nem sempre coincidindo com o que acontece nos cotidianos reais. A exposição de crianças em programas de TV, o trabalho infantil, a violência doméstica, escolar e urbana; as singularidades das crianças e grupos infantis – questões que dizem respeito à inclusão, imigração, doutrinação religiosa, crianças com diversas síndromes ou necessidades especiais etc. Uma relação de temas, realidades e polêmicas que não se esgotam por aqui.

Projetos e programas oficiais, nacionais ou regionais têm sido oferecidos nos mais diversos espaços, ambientes e organizações, assim como uma ampla rede de mobilização e campanhas defendendo direitos na área da infância ganham destaque nas mídias. O foco e os investimentos de esforços e recursos no aprimoramento e adequação de propostas educacionais para as crianças nos séculos XX e XXI, tanto em instituições escolares, espaços públicos e comunitários, quanto a partir de iniciativas não formais, são a tônica neste panorama das infâncias no Brasil e no mundo.

Da mesma forma que há propostas sérias, conscientes e comprometidas, os modismos se instauram e povoam redes sociais, discursos e, muitas vezes, viram ‘oportunidade de negócios’, interesse ou promoção de determinados grupos sociais.

Infelizmente constata-se que – em uma sociedade em que raízes e história são facilmente descartáveis, esquecidas, ‘líquidas’ – tempo, recursos humanos, ideias criativas e adequadas, que dizem respeito à vida das crianças, têm tido vida curta. E quem mais é afetado, afinal, senão as crianças, suas famílias e as comunidades em que vivem, crescem e se desenvolvem?

Neste panorama, uma das questões que mais preocupam é, justamente, o ‘uso’ feito deste segmento da população – as crianças – por parte de inúmeros atores sociais, sem levar em consideração que uma ética, no que diz respeito ao tratamento e às ações voltadas para suas vidas, é questão premente a ser refletida, cuidada, construída e colocada em prática onde quer que elas existam.

Esta discussão – que encontra suas bases na Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Crianças, no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente)[1]; e, sobretudo a partir da violação dos direitos básicos das crianças, em situações cotidianas de violência contra elas – precisa ser olhada e debatida por toda a sociedade, como condição essencial em prol do respeito primordial a toda e qualquer criança, independentemente de raça, cor, religião, condição física, psíquica ou condição social.

Veicular imagens, eventos, depoimentos, falas de crianças ou sobre elas tornou-se tão corriqueiro no cotidiano de todos os cidadãos, que perdeu-se o bom senso e a ética, no que se refere à privacidade e ao respeito pelas vidas infantis. As redes sociais são as que, de longe, lideram esta exposição; seguidas pela mídia, o mercado e o marketing. Até mesmo instituições que têm as crianças como foco do seu trabalho expõem imagens e falas sem considera-las.

A área das Ciências Sociais vem, por meio dos estudos da Sociologia e da Antropologia da Infância, apontar algumas destas questões e construir conceitos que iluminam a importância de se ouvir e observar as crianças a partir da compreensão de que este grupo social tem linguagens e culturas próprias; que são atores sociais e autores das suas próprias vidas; que nós, adultos, pouco conhecemos ou ignoramos. Segmento este que, no atual e complexo panorama universal, abriga uma diversidade infindável de grupos infantis.

A partir do momento em que começa-se a ter consciência da importância de escutar e observar crianças nos seus contextos e territórios cotidianos espontâneos, sem a interferência dos adultos, instaura-se o desafio de uma mudança de postura ética e metodológica: não mais partir das verdades ‘universalmente instauradas’ pelo mundo adulto à respeito das crianças; mas considerar e aprender a escutar e a decifrar o que as crianças vivem, sentem e pensam, a partir das suas próprias vozes.

Estamos aqui falando de respeitar os tempos das crianças, seus ritmos, preferências, medos, frustrações, escolhas. Estamos falando em ‘pedir licença’ para as crianças para adentrar seus universos: seus espaços, seus brincares, suas produções, suas emoções. Estamos falando de parar de avaliar, classificar, criticar ou tentar ‘modelar’ crianças conforme nossos padrões adultocêntricos (que podem variar de um contexto a outro) e começar a conhecer seus universos particulares. Estamos falando de acolher as crianças nas suas dores, feridas, conquistas, descobertas, produções e criatividades. Estamos também falando em não tomar decisões unilaterais por elas ou para elas acreditando que as crianças não têm a capacidade de ‘opinar’ sobre suas próprias vidas. Estamos falando em levar em conta suas vozes, incômodos, vontades, limitações, sentimentos, emoções e, sobretudo, potencialidades, com o intuito de repensar e adequar atividades, espaços e programas a elas oferecidos; seja em casa, na escola, no bairro ou na comunidade; no mercado, nas mídias etc.

Longe de afirmar que ouvir e observar crianças signifique ‘fazer suas vontades’; acreditamos que, considerar, levar em conta e incorporar algumas das pistas que as crianças nos dão a partir do seu brincar, das suas produções plásticas e musicais, das suas narrativas, das suas preferências, das expressões dos seus corpos, movimentos e gestos; a partir das ‘falas e mensagens’ que se manifestam através de doenças físicas e psíquicas – feridas ou dores -; potências, preferências, tendências e dificuldades; ouvir e observar crianças de forma ética é um início de estrada a ser trilhado.

Ética é respeito, consideração por um grupo social – neste caso, as crianças – que tem direito a viver significativamente, berço das raízes que irão determinar o ser humano e cidadão em que cada criança tem o potencial e o direito de se transformar.

Há várias formas de adentrar seus universos particulares, começando por pedir licença a cada vez que ficamos próximos, sentamos junto, brincamos, tiramos uma foto ou, de alguma forma, as registramos. Pedir licença vai além: significa estabelecer um diálogo explicando a elas, na medida da compreensão de cada uma, a razão da nossa curiosidade e vontade de conhecer seus mundos. Significa pedir licença para elas nos contarem – claro que a partir das suas linguagens expressivas próprias – o que vivem, o que sentem, do que gostam, seus lugares cotidianos, seus hábitos, suas preferências, seus amigos, seus afetos, etc. E, sobretudo, pedir licença para partilhar estes saberes infantis com outros adultos.

É necessário, porém, chamar a atenção a alguns equívocos e desvios veiculados quando se fala ou se trabalha com crianças e/ou para crianças. Alguns grupos – inclusive de especialistas na área da infância – têm trazido a ‘participação infantil’ como uma bandeira e defendido a mesma em diversos fóruns, sobretudo políticos. A meu ver, esta continua sendo uma forma de violação dos seus direitos por aqueles que acreditam estar defendendo os mesmos: mais uma vez, é o adulto incentivando ou empurrando as crianças a participarem ou a se colocarem, não de forma espontânea, mas em situações que, naturalmente, não são espaços de crianças nem para crianças.

Em alguns países ou culturas, movimentos e vozes infantis nascem a partir das próprias crianças, sobretudo pelas condições de vida, trabalho, violência e exploração a que estão expostas. É preciso muito cuidado para revermos certas práticas e movimentos que têm surgido de uma vontade dos adultos, afirmando que ‘as crianças são protagonistas’. Precisamos deixar de ‘usar’ as crianças. Elas naturalmente participam e estão sendo protagonistas nos seus cotidianos e territórios próprios. Somos nós adultos, pais, educadores e outros atores preocupados com as crianças que não as estamos escutando, compreendendo e muito menos respeitando seus espaços e tempos onde e quando elas se colocam permanentemente e das formas mais inusitadas.

Algumas ideias sobre como chegar aos universos das crianças – e isso não significa que elas irão aceitar! –: propor a criação de mapas ou maquetes dos seus entornos, da sua rua, do bairro ou cidade onde moram; brincar de faz-de-conta ou criar e apresentar uma peça de teatro retratando seus cotidianos ou emoções; criar histórias, histórias em quadrinhos, produções plásticas ou musicais; escrever ou desenhar suas histórias. Fotografar, filmar ou desenhar elas mesmas e seus pontos de interesse. Há inúmeras e sérias iniciativas de escuta e observação que vêm sendo desenvolvidas neste sentido, assim como a oferta de oportunidades de tempos e espaços de expressão. Muitas delas podem ser conhecidas no Mapa da Infância Brasileira.

Adriana Friedmann – Doutora em Antropologia (PUC-SP), Mestre em Educação (UNICAMP) e Pedagoga (FEUSP). Especialista, palestrante e consultora nas temáticas da infância e do brincar. Criadora e coordenadora do Mapa da Infância Brasileira www.mapadainfanciabrasileira.com.br e do NEPSID – www.nepsid.com.br (Núcleo de Estudos e Pesquisas em Simbolismo, Infância e Desenvolvimento). Coordenadora e docente de cursos de Pós Graduação. Autora de vários livros na área, dentre eles, “Linguagens e culturas infantis”, “O desenvolvimento da criança através do brincar” e “A arte de brincar”.

[1] Vide ‘Nossa Bandeira’ na plataforma do MIB.

Fonte: http://www.promenino.org.br/noticias/colunistas/construindo-uma-cultura-da-etica-para-as-infancias

Diálogos do Brincar: Um convite para refletir sobre a infância, a educação e o brincar

Durante 2 anos, a educadora Renata Meirelles e o documentarista David Reeks, coordenadores do Projeto Território do Brincar, visitaram comunidades rurais, indígenas, quilombolas, grandes metrópoles, sertão e litoral em busca de registrar as sutilezas dos gestos infantis e a espontaneidade do brincar. Os registros, realizados em foto, vídeo e texto, despontam as belezas da infância e nos revelam o Brasil a partir do olhar das crianças.

O Projeto, que é correalizado pelo Instituto Alana, gerou um material rico e extenso, que deu origem a diversas produções culturais, como livros, filmes de curta metragem, exposições, artigos, séries para TV e também um filme de longa metragem, lançado em maio de 2015.

Na ocasião do lançamento, o olhar do Território do Brincar alcançou diversas regiões brasileiras, ao entrar nas salas de cinema de nove capitais do país e ficar disponível para exibições públicas na Plataforma VIDEOCAMP, que reúne filmes capazes de movimentar assuntos socialmente relevantes. Por meio desta plataforma, foram mais de 1200 exibições públicas organizadas, atingindo um total de 40 mil pessoas em todo Brasil.

Soma-se a isto o lançamento do material ‘Diálogo com escolas’, em setembro de 2015. Fruto da parceria com seis escolas brasileiras, o material inspira educadores a potencializarem o brincar dentro e fora da escola.

O contato com o filme e com o material trouxe à tona muitas inquietações de pais, educadores e estudantes.

No filme, as cenas revelam um brincar livre, que nasce de dentro para fora, intimamente ligado à natureza e que acontece no tempo da criança; na realidade de tantas escolas – e principalmente dos grandes centros urbanos – uma dinâmica que parece não acolher as reais necessidades da infância.

Destas inquietações, nasceram muitas perguntas sobre os diferentes temas que o filme e o material despertam: a importância do brincar livre, o tempo da criança, a relação entre criança e natureza, a mistura de idades, o brincar e a família, entre tantos outros.

Diálogos do Brincar

A fim de atender estas demandas, e desejando abranger diversas regiões brasileiras, o Território do Brincar, em parceria com o Instituto Alana, lança, em 2016, a iniciativa ‘Diálogos do Brincar’, uma série de 10 (dez) videoconferências, que buscam abrir diálogos com educadores, pais, estudantes, artistas, gestores, profissionais da saúde e demais interessados, sobre o brincar, a infância e a educação.

Entre fevereiro e novembro de 2016, especialistas serão convidados a falar sobre seus temas de estudo e aprofundar o debate sobre os assuntos despertados pelo filme e pelo material ‘Diálogo com Escolas’.

Cada videoconferência terá duração média de 50 minutos (19h – 19h50) e será transmitida ao vivo no site do Território do Brincar. Os espectadores poderão mandar perguntas em tempo real aos especialistas.

Programação

O tema da primeira videoconferência será “Um olhar para o brincar“, com a participação da educadora Renata Meirelles e do documentarista David Reeks, que vão apresentar a visão do projeto para o brincar. A transmissão será dia 18 de fevereiro, das 19h às 19h50, neste link.

* Para saber mais e acompanhar a programação das videoconferências, siga o Território do Brincar no Facebook e no Instagram.

Diversidade: Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA

Vídeo publicado pelo programa TV Diversidade do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo a respeito do Estatuto da Criança e do Adolescente.

O programa Diversidade há 14 anos leva para a tela do Canal Universitário temas que ainda precisam ser superados pela sociedade brasileira, para que o ser humano seja valorizado e respeitado em suas diferenças.

Construção de instrumentos musicais

Nesta oficina, o grupo Festa de Rei, formado por educadores e especialistas em cultura popular e tradicional, ensina as crianças a fazerem seus próprios tambores e ganzás. A oficina é Catraca Livre e acontece aos sábados entre os dias 13 a 28 de fevereiro.

Depois de construídos, os instrumentos serão utilizados para compor, junto com o Grupo Festa de Rei, arranjos rítmicos para músicas que passam pelo afoxé, samba de roda, versos de improviso, capoeira e bumba meu boi.

Onde: Sesc Pinheiros – http://www.sescsp.org.br/unidades/10_PINHEIROS/
De 13 a 28/02 – Sábados e Domingos às 12:00

Fonte: https://catraquinha.catracalivre.com.br/sp/agenda/gratis/aprenda-a-fazer-seu-proprio-tambor-e-ganza-…#

Crianças e adolescentes: quais os seus direitos?

Você sabia que às crianças e adolescentes é reservado um lugar especial na lei brasileira? A inclusão do Estatuto da Criança e do Adolescente (que completou 25 anos em julho) na nossa legislação ocorreu em 1990 e foi fruto de um amplo movimento internacional em que organizações não governamentais elaboraram a Convenção Internacional dos Direitos da Criança, com a intenção de proteção integral à criança e ao adolescente. Este documento foi aprovado pelas Nações Unidas e ratificado por todos os seus países membros, com exceção dos Estados Unidos e da Somália.

A partir deste movimento, foi formulado no Brasil o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que contou com ampla participação de muitos segmentos sociais ligados à infância para ser constituído. A partir desta diversidade de olhares, foram definidos direitos considerados imprescindíveis para o pleno desenvolvimento de crianças de zero a doze anos e de adolescentes de treze a dezoito anos. Após a inclusão deste estatuto, a infância e a adolescência passaram a ter assegurados não apenas os direitos concedidos aos adultos, mas também aqueles que abarcam as necessidades particulares destes períodos de desenvolvimento.

Alguns dos aspectos presentes no ECA são:

Direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.

O Estado, a sociedade e a família devem ter como prioridade absoluta assegurar às crianças e adolescentes os seus direitos previstos por lei.

Impedir que crianças e adolescentes sejam alvo de toda as formas de negligência, descriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

Oportunizar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social de crianças e adolescentes.

Prioridade no atendimento em serviços públicos.

Direito de receber auxílio e socorro em primeiro lugar em qualquer circunstância.

Prioridade na formulação de políticas públicas e sociais, incluindo destinação maior de recursos públicos para ações e programas relacionados à infância e à adolescência.

Embora a formulação de leis, convenções e tratados tenha sido muito importante para referenciar políticas públicas e ações no sentido de promover o bem estar na infância, apenas este movimento não basta. É um processo longo e árduo garantir que os direitos previstos pelo ECA sejam de fato postos em prática. Neste caminho, a participação social e governamental é absolutamente imprescindível e o papel do adulto é fundamental, uma vez que crianças e adolescentes não possuem autonomia total para cuidar de si mesmos. Entretanto, é indispensável ensiná-los aos poucos sobre seus direitos para que possam reconhecê-los e se percebam como cidadãos.

Qualificação em Agentes do Brincar

A IPA Brasil, em parceria com Terre des hommes Brasil e Centro Paula Souza – Governo do Estado de São Paulo, apresenta o primeiro curso de base profissional de Agentes do Brincar!

Pioneiro no país, o curso procura proporcionar certificação profissional aqueles que lutam pelo direito de brincar e buscam introduzir atividades e oportunidades lúdicas ao currículo educacional e social, além de abrir caminhos para tornar o Agente do Brincar uma profissão regularizada no país.

Para aqueles que ainda não conhecem, o nome Agentes do Brincar é marca da IPA Brasil registrada no INPI – Instituto Nacional da Propriedade Industrial. Esta nomenclatura deriva da palavra Playworker, que é uma profissão reconhecida em países do hemisfério norte, como a região do Reino Unido.

A primeira turma de Qualificação Profissional para o Trabalho Agentes do Brincar foi muito procurada, com média de 4 pessoas por vaga! A formação foi finalizada em 2015 com uma turma dedicada e a todo vapor para o mercado de trabalho.

Mais informação em: http://www.ipabrasil.org/ e http://www.etecpj.com.br/

Marco Legal da Primeira Infância

Foi aprovado pelo Senado Federal, nesta quarta-feira (3/11), o PLC 14/2015, que instaura o Marco Legal da Primeira Infância, um conjunto de ações que visam promover o desenvolvimento infantil dos 0 aos 6 anos de idade, de maneira intersetorial e envolvendo todas esferas do poder público, além da criação de políticas, planos, programas e serviços voltados a uma população de cerca de 20 milhões de brasileirinhas e brasileirinhos. O texto, que estabelece a prioridade da primeira infância nos cuidados de saúde, alimentação, convivência familiar e comunitária, assistência social, meio ambiente e educação, segue agora para sanção presidencial.

“O Brasil já tem um dispositivo moderno para a criança e o adolescente, que é o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), mas ainda se sentia falta de algo que desse conta do pré-natal ao sexto ano, que implica em questões de saúde, como amamentação; de educação, como a creche; parentalidade, como a disponibilidade dos pais próximos à criança, feita a dois; e de todos os benefícios que isso podem trazer para o pleno desenvolvimento”, afirma Eduardo Marino, gerente de Programas da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal.

Entendida como “cidadã”, a proposta teve apoio de todas as bancadas do Senado e foi elogiada por atualizar o ECA com os mais novos desenvolvimentos da ciência e da neurologia, que preconizam que apoiar o desenvolvimento na infância irá impactar profundamente a cognição, a sensibilidade e a saúde dos sujeitos.

Segundo o economista James Heckmann, que realizou uma pesquisa longitudinal sobre a importância do investimento na primeira infância ao longo de quarenta anos, a cada dólar investido nessa etapa, a sociedade recebe sete em retorno. Além disso, há redução na criminalidade, aumento da escolaridade, empregabilidade e impacto positivo na saúde pública. Segundo ele, “é na primeira infância que começa a grande divisão, que faz com que a desigualdade se perpetue nas gerações posteriores”, afirmou em visita ao Brasil, em 2009.

O PL vinha sendo levado adiante, através de iniciativas como a Frente Parlamentar da Primeira Infância (FPPI) e a Rede Nacional da Primeira Infância, além da longa ação da sociedade civil, que se organizou para garantir a aprovação do projeto. Entenda como ele pode impactar aos primeiros anos de vida de milhões de meninos e meninas:

1) Licença-paternidade

O texto do PL aumenta a licença-paternidade de cinco para 20 dias para as empresas que aderirem ao Programa Empresa-Cidadã e também ratifica os seis meses de licença para mães. “Isto dá a possibilidade do pai construir uma relação de vínculo melhor com a criança e oferecer um suporte para a mãe logo após o nascimento, uma fase muito crítica, frágil e estressante”, acredita Marino.

Segundo ele, muitas empresas de tecnologia, como o Google e o Facebook, já trabalham com licenças de quatro meses para os pais, em consonância com legislações mais avançadas pelo mundo. Na Suécia, os pais são obrigados a tirar no mínimo três meses de licença. Ainda assim, espera-se que este avanço possa fortalecer a luta por uma divisão mais igual das tarefas domésticas e uma maior participação dos pais na criação de seus filhos e filhas.

2) Participação infantil

O artigo 4º do PL aponta a participação da criança, entendida como cidadã desde cedo, nas ações pedagógicas e na formulação de políticas que lhes dizem respeito, através de diferentes formas de escuta infantil e de acordo com cada faixa etária. Um bom exemplo disso, vêm se dando nas ruas do Glicério, na capital paulistana.

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“Quando você ouve uma criança, você ativa uma rede de colaboradores que irão construir uma cidade mais humanizada e brincante. Quando você vê, a comunidade inteira está caminhando”, acredita Nayana Brettas, que coordena o projeto Criança Fala: Escuta Glicério.

3) Livre brincar

Em seu artigo 17, o projeto orienta a União, os Estados e os Municípios a fomentar, organizar e garantir espaços lúdicos que assegurem o livre brincar em locais públicos e privados, assim como a existência de ambientes seguros em suas comunidades para que o direito ao brincar seja respeitado.

Por que isso é importante?

Diversos estudos longitudinais – feitos ao longo de até quarenta anos-, mostraram que investimento em políticas de primeira infância têm enormes retornos sociais. Um deles, conhecido como “The Jamaica Study”, mostrou que crianças que tiveram estímulo ao brincar desde cedo se desenvolvem melhor. O estudo acompanhou crianças que sofriam de desnutrição e viviam em comunidades vulneráveis. Elas passaram a receber, por dois anos, duas visitas lúdicas semanais. Vinte anos depois, os jovens que receberam esse cuidado tiveram salários 42% maiores, desenvolvimento cognitivo superior, habilidades psicossociais desenvolvidas e menor ansiedade e depressão.

4) Intersetorialidade

“O Marco Legal trará a perspectiva de políticas integradas para a infância. Hoje, uma criança que passa no pediatra, na Unidade Básica de Saúde, muitas vezes não conversa com a creche, ou com o programa social que atende sua família. Não existe um cadastro único que possibilite hoje esse atendimento, que pergunte se ela conseguiu acesso à educação, se está com a vacinação em dia”, relata Marino.

O documento prevê a criação, em seu sexto artigo, de uma Política Nacional Integrada para a primeira infância, que “será formulada e implementada pela abordagem e coordenação intersetorial, que articula as diversas políticas setoriais numa visão abrangente de todos os direitos da criança na primeira infância”. Ou seja, todos os entes federativos serão corresponsáveis pelo desenvolvimento integral das crianças.

5) Qualificação e formação docente

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“Pouquíssimas faculdades de pedagogia têm hoje um conjunto de disciplinas focadas na primeira infância. Esperamos que agora abra-se um novo caminho”, analisa Marino. Uma vez sancionado, o Marco Civil irá garantir, na forma de lei, a formação e qualificação dos profissionais que trabalharem com crianças.

A ideia é que as instituições de formação profissional ofereçam mais vagas e cursos e os educadores que já atuam na área tenham fomento para participar de programas de especialização e atualização, onde terão acesso prioritário.

Os cursos devem ajudar a melhorar a capacidade dos profissionais de propiciarem oportunidades de desenvolvimento, aprendizado e cuidado, tendo em vista as particularidades dessa faixa etária, a intersetorialidade, a educação integral e a prevenção da violência.

Foto capa: Danilo Mekari

Fonte: http://portal.aprendiz.uol.com.br/../wp-content/uploads/../wp-content/uploads/2017/06/04/cinco-razoes-para-se-comemorar-aprovacao-marco-legal-da…