Oficina Yoga dos Bichos

O Yoga dos bichos é um método de ensino do Yoga para crianças inspirado na diversidade de espécies animais do nosso planeta. A atual edição do baralho contém 186 cartas com animais de todo o globo terrestre. João Guimarães, o criador do baralho, é ilustrador e músico, trabalha com Yoga, música e arte na infância desde 2004 na Alemanha e no Brasil.

Esse método multicognitivo de ensino do Yoga cria um repertório de posturas físicas utilizando elementos da musica, da teoria das cores e da zoologia entre outras disciplinas, abrindo um espaço para a criança criar cognições criativas e possibilidades de superar seus conflitos de uma maneira positiva.

O projeto pedagógico desenvolvido por Mauricio é baseado em suas aulas regulares dadas em escolas para os segmentos de educação infantil . A aula desenvolvida tem como base o movimento dos animais e os asanas da Hatha Yoga, construindo uma pesquisa de como o Hatha Yoga e o Kalaripayattu ,também conhecido como kempo Indiano , influenciaram-se mutuamente. Além das locomoções inspirados nos movimentos dos animais, foram acrescidos os exercícios fonéticos e educativos respiratórios, as posturas de Yoga, contação de historias e jogos dentro dos princípios da Yoga Educativa.

Sábado das 9:00 as 17:00 e Domingo das 9:00 as 15:00
Mais informações e inscrições pelo mail joaocare@hotmail.com

Por que as crianças têm direitos diferentes dos adultos?

Embora psicólogos, pedagogos, pediatras e neurologistas demonstrem que crianças e adolescentes são indivíduos em formação, ainda pode ser difícil em alguns momentos vê-los desta maneira. Isso pode ocorrer por diversos motivos. Um deles é a herança histórica que sofremos do pensamento medieval sobre a infância. Nesta época, concebia-se a criança como pequeno adulto e ela não era levada em conta como ser em desenvolvimento. Tal visão ainda influencia nossa maneira de compreender aspectos da infância atualmente. Ela contribui para que se faça confusão entre desenvoltura e autonomia ou entre agir como um adulto e ser um adulto.

Podemos pensar, por exemplo, na rapidez com que as crianças apreendem determinados usos e funções da tecnologia, difíceis de assimilar para a geração adulta. Isso pode dar a falsa impressão de que, por saberem mais, são inteligentes o suficiente para se virar sozinhos também em outras circunstâncias. Entretanto, retomando este mesmo exemplo, embora sejam eficientes para lidar com o mecanismo tecnológico, ainda não têm capacidade de filtrar criticamente os conteúdos que ele apresenta.

Outro elemento que falseia a ideia de maturidade é a violência social. Muitas vezes ela coloca uma criança ou adolescente na posição de adulto, fazendo com que este assuma responsabilidades para as quais não está preparado. Isso pode levá-lo a presenciar ou executar atos de agressividade que não tem recursos para assimilar. Agir violentamente não é sinal de maturidade e sim de falta de ferramentas mais eficientes de interação.

A visão da criança como adulto anula a sua característica de ser potente em formação. Desconsidera-se assim toda a sua plasticidade, sua possibilidade de transformação e de aprendizado. Deste modo, atos infantis são julgados e pensados como atos autônomos, quando na verdade são parte de um processo de construção de repertório.

Não se pode desconsiderar também que em nosso país a desigualdade social e econômica impede que as oportunidades sejam oferecidas universalmente. O Estatuto da Criança e do Adolescente também não assegura esta igualdade, porém oferece uma referência de ação e enfatiza a primazia que a sociedade, o Estado e a família devem prestar a crianças e adolescentes em relação à garantia de seus direitos.

Impedir que a criança ou o adolescente seja visto da mesma forma que um adulto é uma aposta social na formação desse indivíduo. Isso significa considerá-lo como alguém que está se construindo e que – se tiver seus direitos atendidos – terá chances de se transformar num cidadão engajado e participativo.

O ECA é um documento histórico que marca grandes avanços na área dos direitos humanos. Dado seu caráter essencial, a análise de todas as dimensões que o tornam relevante seria exaustiva. Refletimos aqui sobre certos aspectos que consideramos importantes e convidamos você a nos dizer o que outros elementos lhe parecem interessantes. Comente e nos conte para que possamos continuar pensando juntos!

O mundo de Bartô

“Oi, pessoal! Eu sou o Bartolomeu. É um prazer conhecer vocês!”

Não sabemos se foi ele quem roeu a roupa do rei de Roma nem se ele é coitado porque nasceu pelado, mas, certamente, ele faz a festa quando os gatos saem de casa. O Itaú Cultural tem a honra de apresentar o seu mais novo funcionário, o pequeno em tamanho, mas grande em ideias, Bartolomeu – mais conhecido como Bartô.

O Mundo de Bartô no Itaú Cultural

Como Bartô é supercurioso, ele coloca em seu site todas as informações que encontra por aí. Tem entrevistas com personalidades do universo infantil, dicas de filmes, livros e espetáculos escolhidos a dedo pelo simpático roedor e uma série de fanzines com vários tipos de jogos de colorir e recortar, além de textos em linguagem simples sobre temas ligados ao mundo da arte e da cultura.

Para que você conheça um pouco mais sobre o nosso novo amigo, realizamos um bate-papo com ele. Por enquanto, as perguntas são simples – não queremos ser indiscretos –, mas do jeito que o Bartô é extrovertido daqui a pouco você vai saber tudinho sobre ele.

O ratinho – além de assíduo frequentador das exposições, de mostras de filmes, de seminários e de espetáculos de dança, música e teatro – ganhou sua própria toca no ambiente virtual do instituto, O Mundo de Bartô no Itaú Cultural. O site é dedicado a crianças de 5 a 12 anos, mas conteúdo para toda a família é que não falta!

De frente com Bartô
Equipe Itaú Cultural entrevista Bartolomeu.

1. Onde você mora?
Eu moro em uma toca bem escondida no último andar do prédio do Itaú Cultural, na Avenida Paulista, em São Paulo. É bom morar na cobertura porque posso admirar as estrelas no céu e decolar mais facilmente com minha mochila-foguete – milagre da tecnologia, meu meio de transporte favorito.

2. Do que você mais gosta no Itaú Cultural?

Eu gosto de tudo o que me inspira a fuçar. Não sei se você sabe, mas meu focinho fica todo animado quando descubro alguma novidade. Pode ser um artista, uma técnica, uma exposição, uma peça de teatro, um filme, o que for, vou atrás para saber mais. Então, para mim, o Itaú Cultural é uma fonte de inspiração. Ele me faz cada dia mais curioso.

3. O que você gosta de fazer em seu tempo livre? (Gosta de viajar? E de estudar?)
Eu adoro voar. Só preciso tomar cuidado com uns pássaros que curtem almoçar rato distraído. Mas nessas de gostar de voar, sempre com atenção, aprendi a viajar e conhecer ratos de outros países para falar de arte, de cultura, de esportes, de tudo. Para isso, eu preciso estudar muito, sabe. Eu estudo todo dia um pouco de história, leio um bom livro de literatura ou de poesia e estou aprendendo outros idiomas. Você sabe como é rato em maori? Kiore! E em iorubá? Eku! Mas meu favorito é em italiano: topo!

4. Quantos anos você tem?
Eu tenho 11 anos de rato. Se a gente falar em tempo dos humanos, tenho só seis meses!

5. Por que seu apelido é Bartô?
Minha mãe roeu todos os livros do Bartolomeu Campos de Queirós, que é um autor incrível. Ela, como homenagem, me deu o nome de Bartolomeu. Para os mais chegados, como você, eu me apresento como Bartô. Para facilitar, sabe como é?

6. Você tem muitos amigos?
Centenas! Como você sabe, a população de ratos é gigante – a diferença é que vivemos escondidos.

7. Você gosta de tomar banho?
Adoro, mas banhos rápidos. Eu canto no chuveiro sempre músicas de três minutos. A última que cantei foi “Ratinho Tomando Banho”, do Hélio Ziskind, sabe qual é? Quando a música acaba, vejo que já estou cheirosinho e fecho a torneira.

8. O que você quer ser quando crescer?

Quero ser tantas coisas que não sei por onde começar. Vamos à lista: artista plástico, arquiteto, ator, bonequeiro, matemático, biólogo, programador, designer, médico, mestre queijeiro etc. Se eu pudesse pedir uma coisa, só uma, seria crescer e continuar fuçador como sou hoje. Curioso, quero ser curioso quando crescer.

9. Se você não fosse um rato, o que seria?

Olha, eu já pensei em muitas coisas. Talvez um pinguim para nadar no gelo, um camelo para atravessar o deserto, uma andorinha para atravessar o mundo voando. Mas acho que seria demais ser um kilobyte para circular por toda a internet e aparecer na tela de todos os computadores do mundo.

10. O que você gosta de vestir? Sua mochila é muito pesada?

Meu visual é mais urbano, saca? Curto uma roupa confortável, que é boa para voar, ficar em casa, ir a shows etc. e etc. sem ter de ficar me trocando muito. Minha mochila é grande, mas é leve. A não ser que eu encha de livros, como sempre acabo fazendo, e fica ruim para decolar.

11. Qual sua comida preferida?
Eu não sou mineiro, gente, mas pão de queijo me deixa com água na boca…

12. Do que você gosta de brincar?
De gato mia! E de brincar com as palavras, ainda mais as palavras difíceis! Por isso eu criei uma seção no meu site chamada #Favoritas com as palavras que aprendi a conhecer melhor.

13. Você já sabe ler e escrever?
Eu sei ler e escrever porque cresci no meio dos livros. Meu pai era rato de biblioteca.

14. Se você fosse um super-herói que superpoder gostaria de ter?
Eu queria ter o poder da multiplicação dos queijos, o poder de falar todos os idiomas do mundo e o poder de falar com ratos de outros planetas.

15. Você tem medo de alguma coisa? Tem medo de gato?

Como eu amo muito meus amigos, como você, meu maior medo é ficar cheio de saudades até explodir.

16. Você gosta de contar histórias?
Adoro! Mas eu ainda prefiro ouvir histórias porque sou muito novo e tenho muito a aprender, sabe?

17. Você gosta de ver TV?

Puxa, sinceramente, eu gosto mais de assistir aos vídeos no computador. Eles estão lá, entende, não precisa ficar trocando de canal. Achei coisas maravilhosas na internet. Eu gosto muito da internet, já disse isso para você? Pois é, eu gosto tanto que criei um site, O Mundo de Bartô (http://bartoitaucultural.org/). Daqui a pouquinho você poderá me visitar!

Fonte: http://www.itaucultural.org.br/explore/blogs/alem-da-agenda/o-mundo-de-barto-no-itau-cultural/

Programa Curumim – Pré Inscrição

O programa Curumim do Sesc em São Paulo é voltado para crianças de 7 a 12 anos e atua proporcionando a experimentação de diversas atividades artísticas e esportivas. O teatro, o desenho, a música e os jogos fazem parte do dia a dia das crianças. Acima de tudo, é um espaço de encontro e de troca.

No Sesc Consolação, as atividades acontecem de segunda a sexta-feira, com duas turmas diferentes:

-Turma da manhã, das 8h30 às 11h30.
-Turma da tarde, das 14h às 17h.

A ficha de interesse deverá ser preenchida na Central de Atendimento, 1° andar.

Pré inscrição de 28/01 a 06/02.

http://www.sescsp.org.br/programacao/82419_PROGRAMA+CURUMIM

Feira de Trocas de Brinquedos no Carnaval do Bloquinho

A Feira de Trocas de Brinquedos é mais do que um momento em que as crianças trocam um brinquedo por outro.

Tudo começa em casa quando pais e filhos escolhem juntos quais itens estão em bom estado e serão trocados por outros. Depois, na feira, os pequenos analisam o que há disponível e tomam a decisão de fazer a troca.

É uma alternativa de lazer que envolve reflexões sobre o consumo e ainda possibilita que a criança dê um novo significado para os brinquedos.

Nesta edição, a feira faz parte do Carnaval do Bloquinho, que acontece na Praça Horácio Sabino: https://www.facebook.com/events/1517481475214208/.

O que podemos aprender com a independência das crianças japonesas?

Uma reflexão sobre a autonomia que diferentes culturas concedem às crianças, e sobre até que ponto a estrutura das cidades considera a criança como cidadã, com direitos sobre o espaço público.

O filme As crianças independentes do Japão, um curto documentário produzido pelo canal australiano SBS2, começa com uma criança recitando um provérbio japonês: “Envie a criança amada em uma jornada.” O significado dessa frase é explorado durante o documentário como revelador do modo como a cultura japonesa lida com suas crianças.

O documentário acompanha a rotina de duas famílias, uma japonesa e uma australiana, comparando as duas de modo a evidenciar os diferentes traços culturais na maneira como a criança é vista.

Noe é uma menina japonesa de 7 anos, e sua escola não fica próximo ao pequeno apartamento onde vive com seus pais, na cidade de Tóquio. Para chegar à escola, ela caminha até a estação de metrô, segue por algumas estações, desce e pega outro trem, de outra linha, até chegar à estação mais próxima à sua escola, tendo que caminhar mais um pouco até lá. Já faz isso há um ano.

Noe é, assim como outras crianças japonesas, muito incentivada por seus pais a trilhar este percurso diariamente e a realizar outras tarefas com autonomia, contando consigo mesma.

Em Sydney, somos apresentados à família Frazer. Emily, de 10 anos, vai para a escola no banco de trás do carro do pai. Ela nunca foi para a escola sozinha, mas expressa claramente vontade de fazer isso. “O que mais anseio pelo Ensino Médio é saber que vou poder voltar da escola sozinha”, a menina declara, para então ser amparada por uma estatística que o narrador do filme fornece: “a maioria das crianças deseja ir e voltar da escola sozinha, mas os pais não permitem, justificando esse comportamento com a preocupação pela segurança delas”.

Porém, o filme adverte que pensar essa autonomia em relação às crianças como resultado apenas de segurança na cidade mostra-se equivocado. A paranoia com segurança não necessariamente vem acompanhada de dados reais: Sydney, por exemplo, tem baixos índices de criminalidade, mas o comportamento cultural do Ocidente em relação às crianças é o de acompanhá-las de perto até a adolescência. Isso não significa, é claro, que este é um aspecto que possa ou deva ser ignorado.

Sabemos – e o filme deixa isso bem claro – que cada cultura recebe e forma crianças de diferentes maneiras. É evidente que a estrutura brasileira, tanto cultural quanto de segurança na cidade, não nos permite simplesmente copiar o comportamento japonês. Mas podemos usar esse exemplo, que pode ser muito impactante – ver crianças tão pequeninas andando sozinhas em uma cidade tão grande e populosa quanto Tóquio – como ponto de partida para reflexão: quanto confiamos nas crianças? Quanta autonomia concedemos a elas? Como a cidade em que vivemos leva mais ou menos as crianças em consideração enquanto cidadãs, que circulam livremente no espaço urbano?

O desenho de uma cidade pode ser favorável ou não à circulação das crianças. Espaços que favorecem pedestres e não carros, escolas localizadas perto de praças públicas e locais movimentados e não distantes e isolados, e ainda próximas do local onde moram as crianças, são apenas alguns elementos de planejamento urbano que criam um ambiente mais favorável para a circulação autônoma das crianças.

Para que ações como estas sejam realizadas, é preciso haver uma mudança de atitude, por parte daqueles que planejam as cidades, mas também por parte dos adultos que criam as crianças. Que tal, da próxima vez que estiver andando com uma criança na rua, em vez de segurar a sua mão o tempo todo, soltar um pouquinho e observá-la em um pequeno momento de independência na cidade?

Fotobrincar: fotografia para pequenos

O curso possui enquanto proposta principal iniciar as crianças a uma alfabetização visual, tendo como referência principal a fotografia. O aprendizado será realizado por meio da observação e construção de instrumentos ópticos, de jogos lúdicos e exposição de imagens. A abordagem da fotografia enquanto técnica e enquanto linguagem pretende despertar nos alunos processos criativos com imagens.

Objetivos: Propor o aprendizado da linguagem fotográfica para a compreensão do universo das imagens contemporâneas.

Metodologia: Por meio de projeções, de jogos lúdicos e dinâmicas em grupo, descortinar possibilidades de compreensão e interpretação do universo visual.

Programa: Primeiros instrumentos ópticos utilizados; Invenção da fotografia; Como se forma a imagem; Construção de uma câmera escura; Retratos e Paisagens; Exposição Fotográfica.

Para crianças de 06 a 12 anos.

Mais informações: http://barco.art.br/fotobrincar-fotografia-para-pequenos/

O livro para a infância – leitura, literatura e mediação

“Mas o que há de criança neste adulto para comunicar-se com a infância; e o que há de adulto na criança para aceitar o que os adultos lhe oferecem?”. A frase de Cecília Meireles mexe com nossos conceitos, receitas, mercados, preconceitos, ideias e ideais… É o que um encontro para falar sobre literatura para a infância também pode fazer.

Conheça a incrível escola totalmente baseada em jogos

Muitos alunos sonham com uma escola em que todo o ensino aconteça com jogos. Mas essa escola existe e é pública! Fica em Nova York e os resultados acadêmicos de seus estudantes são impressionantes.

Trata-se da Quest to Learn, com 360 alunos, que nasceu da proposta da ONG Institute of Play a partir de uma demanda da prefeitura da cidade, que buscava uma maneira de melhorar os indicadores pedagógicos e reduzir os números de evasão escolar do município (3 milhões de americanos abandonam o equivalente ao Ensino Médio todos os anos). E, de fato, nessa escola o índice de faltas e de evasão escolar são ínfimos (6% e quase zero, respectivamente), os professores adoram trabalhar no local (90% não a deixam) e os pais a apoiam fortemente (88% de aprovação).

Todo o programa educacional é cumprido, porém de uma maneira completamente inovadora. Não apenas os livros são substituídos por games e jogos de tabuleiro, como também alunos, professores e funcionários entendem que fazem parte de um processo de colaboração mútuo, em que todos ensinam e aprendem. A escola também adota outras técnicas de ensino avançadas, como aprendizado baseado em problemas, uso criativo de tecnologias e espaços físicos flexíveis.

A equipe da escola produz a maior parte dos jogos usados, mas eles também trabalham com produtos comerciais. Por exemplo, para estudar problemas ambientais de uma cidade, os alunos jogam o clássico “Sim City”. Já para estudar geografia, história, cultura e governo da Grécia Antiga, usam o game interno “I Spy Greece”, onde o aluno precisa cumprir missões como espião Persa.

Todo o processo de aprendizagem se organiza em fases. E outra grande diferença do ensino tradicional reside no fato de que, na Quest to Learn, o erro não é combatido, e sim valorizado. Os educadores entendem que, assim como em qualquer game, o aluno aprende com as falhas. Mas isso só acontece quando o erro não é punido, e sim encarado como parte do processo. Até as avaliações fogem da tradicional prova. Elas foram substituídas pela “fase do chefe”.

O ensino baseado em games se baseia em sete princípios: “todos são participantes”, “desafio”, “aprendizado na prática”, “feedback imediato e contínuo”, “entender a falha como uma oportunidade”, “tudo está conectado” e “sensação de estar jogando”. Mas se engana quem pensa que a escola é só diversão. O ensino é coisa séria na Quest to Learn! Tanto que a escola foi campeã na olimpíada de matemática de Nova York nos últimos três anos e seus indicadores pedagógicos são superiores aos da média das instituições da cidade. E a escola existe há apenas seis anos.

Parece perfeito! Então por que esse novo modelo não se espalha para as outras escolas, inclusive no Brasil?

Modelo disruptivo

A ONG pretende expandir o seu formato. Mas, apesar do aparente sucesso, isso não é algo simples de acontecer.

O principal obstáculo é que se trata de um modelo que rompe completamente com o que se conhece por escola. A Quest to Learn não nasceu da adaptação do modelo tradicional para uma nova realidade. Ela foi concebida a partir do zero para uma nova realidade.

Para muitos educadores e muitos pais, isso é um choque grande demais para ser absorvido. Portanto, a decisão de criar uma escola assim passa por uma escolha de negócios muito séria!

Além disso, apesar do enorme índice de satisfação com o trabalho entre seus profissionais, o modelo não é facilmente aplicável pela maioria dos professores. Apesar de a Quest to Learn afirmar que o professor precisa ser apenas formado em sua área do conhecimento para dar aula ali (eles naturalmente passam por um processo de treinamento interno), é fácil identificar que existe um fortíssimo componente cultural exigido dos docentes, para que se adaptem a um ambiente tão dramaticamente diferente daquilo que estão acostumados a entender como seu ofício.

Há ainda um fator ingrato, mas decisivo. A Quest to Learn forma estudantes que preferem colaborar a competir. Em sociedades (e mesmo em famílias) com conceitos capitalistas muito selvagens (como é o caso dos próprios EUA), isso pode não ser visto com bons olhos. Além disso, um aluno que passou toda a sua vida escolar em um ambiente assim, pode sofrer um enorme choque ao chegar a uma universidade, com um ensino tradicional. Isso quando não tiver que conviver com professores universitários que não demonstram qualquer interesse pelo aluno, e mal se relacionam com ele.

Então afinal vivemos em um mundo em que não há espaço para uma escola assim?

Claro que há! Apesar de todos os obstáculos acima, não há dúvida que modelos inovadores como o da Quest to Learn são muito bem-vindos. Um dos maiores desafios da educação hoje é diminuir a diferença de linguagem entre professores e alunos, que é enorme e fica cada vez maior à medida que a diferença de idade dos dois grupos se amplia. E, por linguagem, quero dizer estrutura frasal, palavras usadas, interesses culturais, manuseio de tecnologias e muito mais.

Uma iniciativa assim não apenas oferece uma experiência imersiva e envolvente para professores e alunos, facilitando a aquisição de conhecimentos e melhorando a retenção dos conteúdos, como também diminui essa diferença de linguagem.

As maiores barreiras a ser vencidas são, portanto, políticas e do marketing da escola. Então que tal começar um projeto-piloto na escola, apenas para alunos que se interessarem, no contraturno?

É preciso coragem e muito trabalho para uma mudança dessa magnitude, sem dúvida nenhuma. Mas permanecer no modelo tradicional, pela falta dessa coragem, não é uma opção. A educação grita por mudanças.

Texto publicado originalmente blog O Macaco Elétrico (www.paulosilvestre.com.br), no dia 9 de dezembro de 2015.