Todos juntos somos fortes, todos nós no mesmo barco

A comunidade do MIB vem crescendo dia a dia. E hoje é dia de comemorar e agradecer.

Comemorar o fato de tantas pessoas sensíveis e criativas promoverem ações, programas e atividades para as crianças neste imenso e complexo Brasil. Agradecer a todos os membros que vêm se somar a esta comunidade e compartilhar tantas experiências especiais entre seus contatos e redes.

Nesta página do Face, a equipe do MIB divulga e leva a conhecimento de todos os interessados, as inúmeras iniciativas que impactam a vida das nossas crianças. Esta é a porta de entrada para esta comunidade.

Mas tem mais: para dar vez e voz aos atores sociais e autores de tantas ações inspiradoras, o MIB criou a Plataforma Colaborativa de Aprendizagem www.mapadainfanciabrasileira.com.br. É ali que começamos a ter uma perspectiva da potência que tem, poder visualizar, conhecer, aprofundar e congregar tantos atores que conquistam cotidianamente com suas ações, espaços nas infâncias de tantas crianças.

O MIB acredita que a disseminação de experiências, conhecimentos, os diálogos, as trocas, os apoios e o movimento conjunto desta comunidade tão diversa e rica, é o que terá força para inspirar, aprofundar e multiplicar iniciativas que impactam a qualidade de vida das crianças.

Venha fazer parte do MIB e partilhar sua iniciativa e reflexões!!

Juntar esforços para fortalecer as ações voltadas às crianças

A partir do lançamento da Plataforma Colaborativa Mapa da Infância Brasileira, o MIB promoveu, dia 12 de Novembro passado, o 2º Encontro de Especialistas, na sede do Instituto Alana. Participaram representantes de várias iniciativas que trabalham, desde vários segmentos, em prol da melhoria da qualidade de vida das crianças brasileiras. Com o intuito de celebrar e unir esforços, reunimos importantes atores de ONGs, fundações, coletivos, redes e poder público.

“Parceria e trabalho conjunto é o compromisso compartilhado entre indivíduos e instituições, baseado em valores, visão e objetivos comuns para a realização de intervenções que contribuam para o desenvolvimento do potencial inerente a um grupo ou território.” Assim, Anna Helena Altenfelder, superintendente do CENPEC, inspirou o grupo, tecendo reflexões sobre o desafio de atores diversos dialogarem e se mobilizarem em torno do tema da infância e das crianças. Estas ideias foram objeto de debate, na sequência, em pequenos grupos compostos por atores de setores diversos.

Participaram deste encontro representantes de: Abrinquedoteca, Aliança Pela Infância, Ateliê AZU, CENPEC, ComKids, Conselho da Infância e da Adolescência, Criacidade, Doutores da Alegria, Fundação Abrinq, IPA Brasil, Instituto da Infância, Instituto Alana, Instituto Elos, Juntos.com.vc, Movimento Boa Praça, OMEP, OS – Santa Catarina, Palas Athena, Periferia em Movimento, Plan Brasil, Projeto Casulo, Rebrinc, Sacolão das Artes, São Paulo Carinhosa, Território do Brincar e UMAPAZ.

“Promover esta união em torno de um objetivo comum. Vai chegar um momento, independente se existe a rede da primeira infância ou outras redes, que nós desta plataforma vamos eleger uma causa prioritária.” Marilena Flores, IPA Brasil.

“Cultura e infância, bem como cultura da infância, como podemos fomentar isso? Tudo isso para poder despertar o ser, ajudar a criança a ter acesso ao que ela precisa para brincar, ao verde, à cultura, à arte, ser um cidadão completo.” Wellington Nogueira, Doutores da Alegria.

“Vamos utilizar o Mapa, ter mais clareza de cada iniciativa, conhecer mais a plataforma. Antes de agir, levantar indicadores, colher dados concretos e mapear global e localmente. Conhecer os espaços ao redor de onde a gente vive é importante, e com isso influenciar as políticas públicas.” – Leandro Araújo, Ateliê Azu, representando grupo de trabalho.

“(Temas da infância a serem cuidados) Formação profissional que lida diretamente com as crianças até os seis anos de idade; Questão da violência em suas diferentes formas; O fortalecimento de vínculos familiares da estrutura familiar; Sensação de pertencimento comunitário; Criança ser enxergada como sujeito de direitos; Manifestações culturais para valorização da diversidade; E a relação direta do genocídio, sobretudo da juventude preta, pobre e periférica.” Thiago Borges, Periferia em Movimento, representando grupo de trabalho.

Veja algumas fotos do encontro aqui.

MIB entrevista Denise Cesario

Entrevistamos Denise Cesario, gerente executiva da Fundação Abrinq, que há 25 anos promove a defesa dos direitos e o exercício da cidadania de crianças e adolescentes.

Denise participou do 2º Encontro de Especialistas do MIB e compartilhou inúmeras reflexões sobre a infância. “Precisamos de forma intersetorial ter um olhar integrado para a criança para as questões da educação, da saúde e da violência.” 

1) Denise, que ações e medidas são urgentes para que as crianças brasileiras tenham infâncias significativas hoje e no futuro?

Penso que é pauta crucial ampliar o conhecimento sobre o desenvolvimento físico, mental, emocional e sobre os direitos que devem ser assegurados às crianças. O tema precisa ser compreendido e priorizado pela sociedade brasileira e requer a soma de esforços entre o poder público, o setor privado, as famílias e comunidades.

É fundamental conhecer quais são os aspectos que proporcionam uma infância plena e estimuladora das distintas potencialidades do indivíduo e que serão determinantes para a vida adulta.

Quando se trata de direitos das crianças, precisamos assegurar a promoção e a defesa a todas as crianças, independente da renda familiar, da questão de gênero, raça; é necessário olhar para os aspectos da educação, saúde e proteção da criança de forma integrada e articulada.  

Transformar a abordagem e importância que damos à infância hoje é preparar adequadamente as gerações futuras, no contexto educativo, profissional e social.

2) De que forma a Plataforma Colaborativa Mapa da Infância Brasileira pode ser útil para os atores sociais que trabalham em prol das crianças?

A iniciativa do MIB é muito importante, pois propõe a integração e troca de experiências teóricas e práticas em um espaço virtual colaborativo e possibilita a participação de distintos atores/setores, quer sejam, públicos, privados, do terceiro setor, pesquisadores, voluntários, coletivos.

3) Como podemos unir esforços e usar a potência dos trabalhos dos diferentes atores e iniciativas que lutam pelos direitos das crianças?

Identificando e compartilhando boas iniciativas, locais/regionais, contando com parcerias entre as instituições, indivíduos e coletivos e levando a melhor solução para cada comunidade ou localidade. O desafio é enorme, mas não intransponível; requer entendimento do tema, disposição para avançar e envolvimento de muitos atores e setores.

I Simpósio Internacional sobre a Primeira Infância (SC): A ciência dos detalhes na organização da vida cotidiana do bebê

O evento abordará o desenvolvimento infantil na primeira infância a partir das ideias de Emmi Pikler no contexto cultural de Nossa América.

Público-alvo: Profissionais que atuam na área da infância: educação infantil, rede de proteção da infância, acolhimento institucional, pediatria, crianças com necessidades especiais, professores de educação física, fisioterapeutas.
Estudantes de psicologia, pedagogia, ciências sociais e áreas afins.

Data: 6 e 7 de novembro de 2015
Local: Hotel Maria do Mar – Salão de Eventos (Florianópolis, SC)

Para mais informação, acesse: http://www.pikler.eventize.com.br/

Eu Ainda Sou Criança – Educação Infantil e Resistência: os lugares das infâncias na educação e nas lutas políticas

VII Congresso Paulista de Educação Infantil
III Simpósio Internacional de Educação Infantil

O Congresso Paulista de Educação Infantil – COPEDI – em sua sétima versão e o III Simpósio Internacional de Educação Infantil, é evento tradicional de reconhecida importância no cenário nacional na área de Educação Infantil. Organizado pelo Fórum Paulista de Educação Infantil, congrega pesquisadores/as, professores/as, especialistas, estudantes e demais interessados/as nos debates, pesquisas e proposições em relação à infância, às crianças e seus direitos e à Educação Infantil, ancorado em três pilares: políticas, práticas e teorias refletidos, em 2015, na temática “Eu ainda sou criança… Educação Infantil e resistência: os lugares das infâncias na educação e nas lutas políticas”. As duas últimas versões ocorreram na Universidade de São Paulo/USP. Pela primeira vez, a realização do evento se dará em uma Universidade Federal, no interior do estado, a UFSCar, localizada em São Carlos.

Com metodologia própria dos congressos contará com conferências de abertura e fechamento, mesas de debates temáticos, apresentação de trabalhos de pesquisa ou relatos de experiências (nas Formas Oral, Pôster e Vídeo), além de Oficinas Pedagógicas e Atividades Culturais, prevendo a participação de convidados estrangeiros e do Brasil como um todo, a partir do trabalho efetivado realizado por uma Comissão Científica referendada pelo campo.

Problemas Sociais nos Livros Ilustrados de Roger Mello

A atuação dos ilustradores brasileiros na literatura infantil tem propiciado aos leitores de todas as idades diversas experiências estéticas, contribuindo para a educação do olhar e possibilitando diferentes interpretações de mundo. Não é a toa que nomes como o de Roger Mello ultrapassaram as fronteiras e estão fazendo sucesso em outros cantos do mundo. No ano passado, o brasiliense recebeu o Hans Christian Andersen na categoria ilustração, prêmio considerado o Nobel da literatura infantil e juvenil, e montou uma exposição sobre temas recorrentes em sua obra, que viajou pela Alemanha e que também foi exibida no Japão e na Coreia do Sul.

Conhecido por seus livros com temáticas da cultura e da arte popular, com animais e plantas do cerrado, e também por ter representado diferentes personagens do folclore brasileiro, Roger Mello é um artista plural. Por gostar de se expressar de diferentes formas, propõe narrativas visuais únicas, com propostas estéticas variadas, sem seguir um padrão ou uma classificação, característica que rendeu a qualidade de “experimental” à sua obra. Neste caso, a palavra “experimental” deve ser compreendida como “característica daquilo que proporciona experiências significativas”.

Nos livros em que Roger Mello assina como ilustrador e autor, o experimentalismo é encontrado tanto na proposta temática (narrativa verbal) como no exercício plástico-estético (narrativa visual e proposta gráfica). Sobretudo no caso dos livros que falam sobre problemas sociais complexos como morte, solidão, trabalho infantil etc., as ilustrações promovem sensações e sinestesia que ressignificam o tema abordado de modo que o leitor entra em contato com as questões sociais colocadas e, ao mesmo tempo, tem a oportunidade de experimentar aquele universo, sendo convidado, ainda que de forma subjetiva e abstrata, a pensar em empatia, alteridade, direitos humanos e outros mundos possíveis.

PROBLEMAS SOCIAIS NA OBRA DE ROGER MELLO

Um exemplo de livro autoral de Roger Mello que apresenta como temática um problema social e tem proposta estética a possibilidade de experimentação – que por sua vez permite uma ressignificação do tema – é o livro Carvoeirinhos. Publicado em 2009 pela Companhia das Letrinhas, o livro ilustrado de Roger Mello tem como pano de fundo a denúncia do trabalho infantil nas carvoarias.

A história é contada pelo narrador e personagem marimbondo, que relata suas experiências enquanto observa o cotidiano das crianças. O leitor conhece o trabalho árduo de se fazer fornos, a realidade dessas crianças e os medos relacionados à necessidade de se escapar de fiscais e de se manter nesse trabalho.

Publicado em capa dura e em brochura, as ilustrações do livro ocupam página dupla e são imagens expressivas feitas com papeis recortados e amassados, principalmente, nas cores preta e de diferentes tons de cinza, captando o cotidiano duro, desolador, efêmero e cinzento das carvoarias. Para representar o fogo, os papeis utilizados são nas cores laranja, vermelha e rosa choque, fazendo contraste com as outras cores.
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Em uma sequência de página dupla, há uma proposta de metáfora visual sinestésica: quando o marimbondo-narrador fala sobe o fogo e de como ele se espalhou rapidamente, Roger Mello propõe uma experiência tátil-visual para o leitor. Os papeis escolhidos para compor a ilustração são mais finos e recortados em forma de labaredas. A escolha de papeis das cores laranja, vermelha e rosa choque aplicados sobre a folha preta causa a sensação de ardência nos olhos e nas mão desse leitor, que é levado pelas palavras a imaginar que se trata realmente de uma “brasa chama fagulha, chama faísca, flama, língua, labareda, incêndio, fogaréu”.
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Em outra ilustração, mais uma experiência tátil-visual é proposta ao leitor. A imagem mostra a sala dos caldeirões dos fornos de carvão e a lava saindo de dentro desses caldeirões. Nesse caso, as folhas dessas páginas apresentam uma leve aspereza e a técnica utilizada para pintar a lava, os caldeirões e os fornos faz com que o leitor experimente uma sensação de calor quase insuportável.
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Trata-se, portanto, de uma verdadeira obra artístico-social que parte de uma narrativa gráfica-verbo-visual para falar de um problema social complexo com leitores de todas as idades. Especialmente na literatura infantil, é frequente os livros que levam os leitores a uma exaustivas histórias com repetição de padrões, universos e temas que reforçam estereótipos. Entretanto, há autores, ilustradores e ilustradores-autores como Roger Mello que não julgam falar de trabalho infantil impróprio, mas preferem mostrar realidades que façam imaginar e pensar que outro mundo é possível.

Camila Castro trabalha como editora e formadora de mediadores de leitura. Beletrista formada na USP, fez pós em jornalismo pela Cásper Líbero e mestrado em Livros e Literatura Infantil e Juvenil pela Univesitat Autònoma de Barcelona. Apaixonada pelo tema “Literatura infantil e sociedade”, decidiu tornar internacional o desejo de falar dos livros infantis nacionais que abordam problemas sociais complexos. Este texto faz parte do trabalho final do máster, intitulado “Os caminhos experimentais dos livros álbuns de Roger Mello”.

Texto originalmente publicado em Estúdio Voador: http://www.estudiovoador.com/blog/roger-mello